Negociações pelo fim da crise na Tailândia permanecem inconclusivas

Por iG São Paulo |

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Reunião desta quarta não chegou a um acordo; militar definiu agenda e força negociações de grupos pró e contra o governo

Facções rivais políticas na Tailândia não chegaram a um acordo, nesta quarta-feira (21), para interromper os protestos durante negociações que buscavam encerrar confrontos um dia após o Exército ter declarado lei marcial, de acordo com ativista pró-governo.

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Reuters
Soldados tailandeses montam guarda em posto de controle em uma estrada na província de Ayutthaya, Tailândia


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Embora os militares tenham negado que a intervenção de terça-feira seja um golpe de Estado, o chefe do Exército, Prayuth Chan-ocha, pareceu definir a agenda ao forçar as negociações entre grupos e organizações com um papel central na crise.

Questões levantadas durante a reunião incluíram reformar o sistema político - uma demanda feita por manifestantes antigoverno - e o término das manifestações que resultaram em episódios de violência, prejudicaram os negócios e assustaram turistas.

“Quando se perguntou se cada grupo poderia parar de protestar, não houve comprometimento de nenhum lado”, disse Thida Thawornseth, líder do grupo político pró-governo, à Reuters. “Não houve uma conclusão clara.”

Puchong Nutrawong, secretário-geral da Comissão Eleitoral, que também participou das conversas, disse que todos os lados vão se encontrar novamente na quinta-feira (22). A Tailândia está dividida há quase dez anos pela rivalidade entre o ex-primeiro-ministro populista Thaksin Shinawatra e segmentos de apoio à realeza.

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Lei marcial

O poderoso chefe militar da Tailândia interveio pela primeira vez na mais recente crise política do país na terça (20), declarando lei marcial e despachando jeeps com soldados armados para o coração de Bangcoc com a promessa de resolver o conflito o mais rápido possível.

"O governo realiza reunião especial para discutir essa ação. Temos que prestar atenção e ver se o chefe do exército honra sua declaração de imparcialidade", disse o assessor de Niwattumrong Boonsongpaisan, premiê interino do país, descrevendo a situação como "metade de um golpe de Estado."

O tenente-general Nipat Thonglek disse, porém, que a ação não foi um golpe de Estado.

Veja fotos dos protestos na Tailândia

Soldado faz ronda em Bangcoc para impedir protestos na Tailândia (20/05). Foto: APSoldados tailandeses são refletidos em um espelho enquanto guardam sede da polícia tailandesa em Bangcoc (20/05). Foto: APTailandesas fazem 'selfie' enquanto soldados do Exército rondam Bangcoc (20/05). Foto: APManifestante ergue bandeira enquanto passa pela polícia de choque da Tailândia em meio a protestos (maio/2014). Foto: APAcampamento de manifestantes é ataco em Bangcoc, Tailândia (maio/2014). Foto: APAtivistas anti-governo esperam até que o líder Suthep Thaugsuban saia do prédio do parlamento para discursar em Bangcoc, Tailândia (9/05). Foto: ReutersPolicial tailandês ferido recebe ajuda de seus companheiros após a explosão de uma bomba durante manifestações anti-governo, em Bangcoc (18/02). Foto: APManifestante antigoverno fica de prontidão durante pronunciamento de líder opositor Suthep Thaugsuban em Bangcoc, Tailândia (21/03). Foto: APPassageiros de ônibus observam figura de tamanho humano que imita policial na intersecção do monumento da vitória, onde manifestantes protestaram em Bangcoc, Tailândia. Foto: APHomem é visto com rifle escondido em meio a protesto na capital da Tailândia, marcado por tiros e explosões (1/02). Foto: Nir Elias/ReutersManifestante de oposição pintado nas cores nacionais da Tailândia atira pedras contra a polícia neste domingo (12/2013). Foto: ReutersManifestantes querem derrubar primeira-ministra Yingluck Shinawatra (12/2013). Foto: APPremiê anuncia dissolução do Parlamento e convoca eleições após 15 dias de protestos (12/2013). Foto: ReutersManifestante antigoverno (C) é detido por tropa de choque durante confrontos em estádio em Bangcoc, Tailândia (12/2013). Foto: APDurante apitaço, manifestantes ofereceram rosas aos policiais em Bangcoc (12/2013). Foto: APTailandeses bloqueiam entrado do Ministério das Finanças, em Bangcoc (12/2013). Foto: AP

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"O Exército tem como objetivo manter a paz, a ordem e a segurança pública para todos os grupos e todas as partes", disse ele a um canal de televisão do exército. "As pessoas foram instruídas a não entrarem em pânico. Elas podem exercer suas atividades como o de costume."

De acordo com o chefe do Exército, general Prayuth Chan-Ocha, o governo não foi consultado antes do exército emitir o anúncio surpresa desta terça e assumir o comando da segurança em todo o país.

A intervenção deixou o país em outra encruzilhada - seu destino agora está totalmente nas mãos dos militares após os seis meses de protestos que já mataram 28 pessoas e feriram mais de 800.

Tailândia, centro econômico para o sudeste Asiático e cujas águas e praias idílicas turquesas se tornaram um renomado destino turístico mundial, mergulhou em uma crise política em 2006, quando o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi deposto por um golpe militar após ser acusado de corrupção, abuso de poder e desrespeito para com o rei da Tailândia.

Sua derrota desencadeou uma luta pelo poder que, em termos gerais, coloca apoiadores de Thaksin entre a maioria rural contra os conservadores de Bangcoc. Os militares, que estiveram por trás de 11 golpes de Estado desde o fim da monarquia absoluta em 1932, são amplamente vistos como simpáticos ao movimento de protesto.

Embora soldados tenham ido ao ar em várias emissoras de televisão para transmitir a mensagem do exército, a vida nas grandes metrópoles repletas de arranha-céus pelo país de 10 milhões de habitantes, e no restante da Tailândia, permaneceu praticamente inalterada, com escolas, empresas e locais turísticos abertos e tráfego fluindo normalmente.

*Com AP, Reuters e CNN

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