Fontes policiais informaram que três estudantes ficaram feridos e os confrontos duraram várias horas em várias cidades do país

Agência Brasil

Sucursal do Banco do Tesouro (estatal) e uma viatura da empresa Petróleos da Venezuela foram incendiados na segunda (19) em Lechería, durante mais um dia de protestos contra o governo. Ao menos três estudantes ficaram feridos, informaram fontes policiais nesta terça-feira (20), acrescentando que os confrontos duraram várias horas.

Ontem: Oposição faz exigências para continuar diálogo com governo da Venezuela

Manifestantes ficam no chão enquanto são detidos pela Guarda Nacional Bolivariana em Caracas, Venezuela (14/05)
AP
Manifestantes ficam no chão enquanto são detidos pela Guarda Nacional Bolivariana em Caracas, Venezuela (14/05)


Após prisões: Governo da Venezuela diz ter libertado centenas de jovens ativistas

Lechería é uma localidade do estado venezuelano de Anzoátegui, a 350 quilômetros (km) a leste de Caracas. Já em Mérida, 770 km a sudoeste de Caracas, pelo menos oito estudantes ficaram feridos.

Segundo Eloy Araújo, presidente do Centro de Estudantes da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Los Andes, os colegas foram atacados pela polícia quando protestavam para exigir a libertação de outros estudantes detidos, bloqueando uma rua daquela cidade com fogo em pneus e arames.

"Nos reprimiram com munições não permitidas, porque recolhemos os cartuchos que dispararam e não são de balas de borracha tradicionais, o que viola os direitos humanos", denunciou.

Em Táchira, 840 km a sudoeste de Caracas, a polícia bloqueou os acessos à Universidade Católica, devido à presença de encapuzados e lixo nas proximidades da instituição. Em Caracas, moradores de Santa Rosalia bloquearam a circulação na Autoestrada Francisco Fajardo, em protesto pela falta de água.

Reação: Venezuela tem novos protestos após prisão de 243 ativistas; um policial morre

Há mais de três meses são registrados diariamente protestos em várias regiões da Venezuela, devido à crise económica, inflação, escassez de produtos, insegurança, corrupção, ingerência cubana e à repressão por parte de organismos de segurança do Estado.

Durante os protestos, morreram mais de 40 pessoas e milhares ficaram feridas. Milhares de cidadãos foram detidos e 160 investigações abertas por violações de direitos humanos dos manifestantes, incluindo tortura.

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Unasul

Em busca de consenso entre o governo da Venezuela e a oposição no país, a comissão de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) concluiu na segunda-feira uma série de reuniões com representantes do governo, da Nunciatura Apostólica Católica e da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que reúne a coalisão de partidos opositores venezuelanos.

Após os encontros, até tarde da noite de hoje, a Unasul não se pronunciou sobre o resultado obtido durantes os dois dias de conversações em Caracas. A comissão da Unasul visitou o país depois de a oposição suspender as conversações, devido à prisão de estudantes há três semanas.

Formada pelos chanceleres do Brasil, Luiz Alberto Figueiredo; da Colômbia, María Angela Holguín; e do Equador, Ricardo Patiño, a entidade atua com observadores e mediadores para tentar promover diálogo entre governo e oposição para tentar resolver o conflito interno no país, que soma 42 mortes e mais de 800 feridos, em quase 90 dias de protestos e confrontos entre manifestantes e policiais.

O chanceler equatoriano escreveu em sua conta no Twitter que a mesa de diálogo havia avançado “em vários pontos da agenda” e que os encontros conseguiram “abrir pontes de comunicação outra vez". No entanto, Patiño admitiu que “sustentar um processo de diálogo no país não é fácil”, mas ressaltou que, a seu ver, havia um clima favorável para reabrir as conversações, tanto da parte do governo quanto da oposição.

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