Operação de resgate foi vista como lenta e ineficaz por críticos; aprovação do governo Park Geun-hye caiu mais de 20 pontos

Com lágrimas nos olhos, a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, pediu desculpas formalmente nesta segunda-feira (19) pelo desastre com a balsa que matou cerca de 300 pessoas em abril, a maior parte delas crianças, e disse que punirá a guarda costeira por ter fracassado no cumprimento de sua obrigação.

Homicídio: Capitão e três tripulantes são acusados por naufrágio sul-coreano

Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, chora enquanto discursa em Seul
Reuters
Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, chora enquanto discursa em Seul


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Park vem sendo alvo de ampla contestação nacional por causa da resposta do governo ao pior desastre marítimo civil da Coreia do Sul em 20 anos, e pela aparente lenta e ineficaz operação de resgate. Pesquisas mostram que o apoio a Park caiu mais de 20 pontos percentuais desde o desastre do dia 16 de abril.

“Eu peço desculpas à nação pela dor e sofrimento que todos sentiram, pois o presidente deve ser responsável pela segurança e pelas vidas das pessoas”, disse Park em um discurso nacional televisionado, seu primeiro desde que a balsa Sewol virou e afundou com 476 pessoas, entre passageiros e membros da tripulação.

Pelo menos 286 pessoas morreram e 18 permanecem feridas. Apenas 172 foram resgatadas. Dos passageiros, 339 eram crianças e seus professores em uma excursão nos arredores de Seul.

Park prometeu reformas para melhorar a fiscalização, assim como uma dura punição para funcionários públicos e empresas cuja negligência coloque a vida de pessoas em risco.

Prisões

Na última quinta (14), a promotoria acusou formalmente o capitão e três membros da tripulação da balsa que naufragou na Coreia do Sul por homicídio, alegando que eles foram negligentes e não protegeram as mais de 300 pessoas a bordo. Outros 11 tripulantes sofreram acusações mais brandas.

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O capitão Lee Joon-seok e os demais acusados ​​de homicídio - incluindo um engenheiro-chefe - podem enfrentar a pena de morte se forem condenados, de acordo com a Suprema Corte, embora ninguém tenha sido executado na Coreia do Sul desde 1997.

Segundo a promotoria, outros 11 foram indiciados por negligência e abandono de passageiros em necessidade quando o navio afundou, no dia 16 de abril. Membros da tripulação têm passado por investigação criminal após alegadamente terem escapado da embarcação antes de muitos passageiros.

“O capitão, um primeiro oficial e um segundo oficial e o chefe de máquinas escaparam antes dos passageiros, levando a graves consequências”, disse o promotor Ahn Sang-don, que lidera a investigação, em coletiva.

Ahn explicou que o navio Sewol estava severamente comprometido em sua capacidade de manter a estabilidade após uma reforma realizada para aumentar sua capacidade e mesmo assim saiu para navegar com grande excesso de peso, além de água insuficiente nos tanques de lastros utilizados para mantê-lo estável.

As fortes correntes no Mar Amarelo onde aconteceu o desastre tornaram a embarcação menos obediente à navegação e levaram os membros da tripulação a fazer uma curva mais inclinada do que o aconselhável, o que levou a balsa a virar e, posteriormente, afundar.

*Com AP e Reuters

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