Cruz Vermelha diz que minas terrestres da época da Guerra da Bósnia se deslocaram; inundação na Sérvia é a pior em 120 anos

Como se a inundação mortal que atingiu parte dos Balcãs não fosse alarmante o suficiente, os socorristas devem lidar com outra preocupação a partir desta segunda-feira (19): o risco de minas terrestres que foram pavimentadas após a Guerra da Bósnia (1992-1995).

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Jovens atravessam as águas de enchentes com itens saqueados de uma loja na cidade de Obrenovac, a sudoeste de Belgrado
Reuters
Jovens atravessam as águas de enchentes com itens saqueados de uma loja na cidade de Obrenovac, a sudoeste de Belgrado


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De acordo com o The New York Times, cerca de 100 mil minas terrestres estão na região e podem ter se deslocado por causa dos deslizamentos de terra. Muitas das marcas que assinalavam as 9 mil minas já descobertadas também foram retiradas.

"Um grande número de deslizamentos de terra tem piorado a situação e os trabalhos de socorro", disse a Cruz Vermelha, descrevendo as chuvas como as "piores inundações em mais de um século."

"Há relatos de minas terrestres enterradas durante o conflito que ainda não foram retiradas e que, em alguns casos, estão sendo deslocadas com os deslizamentos de terra, acrescentando perigos às pessoas que vivem nas áreas, bem como às equipes de resgate", de acordo com a Cruz Vermelha.

A inundação gigantesca já matou dezenas de pessoas na Sérvia e na Bósnia. Regiões da Croácia também estão submersas. Mesmo com o fim da chuva intensa nesta segunda, o desastre está longe de acabar. Segundo o meteorologista da CNN Pedram Javaheri, as inundações na região vão durar pelo menos mais uma semana - e em alguns lugares até mais.

A capital sérvia de Belgrado, por exemplo, situa-se entre os rios Sava e Danúbio. Por causa do intenso fluxo de água, espera-se que o nível de inundação em Belgrado aumente a partir de quinta-feira (22), disse Javaheri.

"Feliz por não me afogar"

Só na Sérvia , mais de 24 mil pessoas já foram retiradas de suas casas para escapar a água que está acima do peito em algumas áreas.

"As pessoas estavam em pânico, correndo", disse à CNN uma mulher que foi retirada de sua casa a tempo. "Saí alegre feito uma criança. Fiquei muito feliz por não me afogar."

A casa da mulher agora está inundada, e ela diz não ter idéia de onde vai viver. Mas muitos sérvios não se moveram da vizinhança.

"Algumas pessoas simplesmente não querem sair de suas casas", disse Novica Biorac, voluntário de um clube de rafting em Raska. "Estamos tentando convencê-los a sair, mas é muito difícil."

Veja fotos das inundações na Bósnia e Sérvia

Situação mortal

O governo sérvio disse que pelo menos 12 corpos foram encontrados na cidade de Obrenovac, cerca de 35 km da capital Belgrado. Um dos 12, porém, havia morrido de "causas naturais", explicou o primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vucic.

Uma das vítimas fatais integrava equipe de resgate, disse Dragan Radovanovic, presidente da filial sérvia da Cruz Vermelha. As autoridades estimam que 90% do município de Obrenovac sofreu inundações.

Mas a Sérvia não é o único país afetado pelas cheias. Na vizinha Bósnia e Herzegovina, pelo menos 13 pessoas morreram, informou o vice-ministro da Segurança Samir Agic. O clima catastrófico levou as autoridades a declarar estado de emergência na Bósnia e Herzegovina. Autoridades bósnias dizem que a cidade inundada de Maglaj recebeu, em menos de dois dias, as chuvas que eram esperadas para dois meses. A inundação épica é a pior que a Sérvia viu há 120 anos, disseram os meteorologistas.

" Muitas cidades e vilas na Sérvia ocidental estão completamente debaixo da água", de acordo com a embaixada sérvia em Washington por meio de comunicado divulgado no domingo, onde a catástrofe foi descrita como "inimaginável."

Luta contra o dilúvio

Soldados, equipes de resgate e voluntários correram para empilhar sacos de areia em cidades perto de rios em toda a Sérvia. O Sava chegou a 6,3 metros - uma alta histórica, afirmou o governo sérvio. 

Em Kostolac, ao longo do rio Danúbio, trabalhadores construíram muros de sacos de areia para proteger a usina térmica - que o ministro de Energia considera a mais importante na Sérvia. Sozinha ela produz 20% da energia do país.

O primeiro-ministro agradeceu os países que enviaram ajuda à Sérvia. Ele disse que estava especialmente grato aos membros das forças especiais russas, incluindo um membro que nadou 200 metros em água fria para salvar várias pessoas. Mas as equipes de resgate temem o que pode ser encontrado após a diminuição das enchentes. Funcionários estimam que o número de mortos vai subir.

*Com CNN e The New York Times

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