Questões de segurança podem ter motivado cancelamento da viagem; reunião em Paris visa melhorar cooperação nas buscas

Em meio a preocupações de segurança, o presidente nigeriano Goodluck Jonathan cancelou viagem que faria nesta sexta-feira (16) à cidade onde extremistas islâmicos sequestraram mais de 300 estudantes há um mês. Pais irritados disseram que Jonathan não mostrou nenhum respeito por suas emoções.

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Goodluck Jonathan, presidente da Nigéria, durante Fórum Econômico Mundial em Abuja (8/05)
AP
Goodluck Jonathan, presidente da Nigéria, durante Fórum Econômico Mundial em Abuja (8/05)


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"É muito triste para a maioria de nós porque pensamos que sua vinda nos daria mais esperança em ter nossas filhas de volta", disse um dos pais, instruído a aguardar o presidente em uma escola da região. "Mas aqui estamos nós, atirados de um lado para o outro enquanto brincam com nossas emoções", queixou-se.

A visita desta sexta teria sido a primeira desde o ataque do Boko Haram à Chibok, no nordeste da Nigéria. A região tem sofrido ataques cada vez mais mortais há cinco anos. Jonathan , um cristão do sul, foi acusado de insensibilidade com o sofrimento dos nortistas, principalmente muçulmanos. Milhares foram mortos ao longo dos anos. Mais de 1.500 somente este ano .

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Mike Omeri, diretor-geral do Centro Nacional de Informação do governo, negou que o presidente havia planejado viajar a Chibok, durante coletiva. O Líder comunitário da cidade, Pogu Bitrus, havia dito anteriormente que, embora residentes estivessem irritados com a resposta lenta de Jonathan sobre a situação das meninas, sua visita era bem vinda.

Insurgentes do Boko Haram levaram grupo de jovens no dia 15 de abril. A polícia diz que 53 delas conseguiram escapar e 276 permanecem em cativeiro.

Reunião em Paris

Os líderes da África Ocidental vão se reunir em Paris no sábado (17) para tentar melhorar a cooperação na luta contra o grupo militante islâmico nigeriano Boko Haram, que raptou mais de 200 estudantes e ameaça desestabilizar a região.

A revolta com o sequestro já levou o presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, criticado pela lenta resposta de seu governo ao sequestro, a aceitar ajuda dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França para resgatar as meninas.

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Na semana passada, ele pediu à França, que também é um alvo de militantes islâmicos por sua intervenção militar contra rebeldes islâmicos no Mali, para organizar uma cúpula em Paris com os países vizinhos da Nigéria, Chade, Camarões, Níger e Benin, além de autoridades ocidentais.

Diplomatas franceses descartaram qualquer operação militar ocidental, mas disseram esperar um plano regional para combater o Boko Haram, que já matou mais de 3.000 pessoas em uma campanha de cinco anos para estabelecer um Estado islâmico no nordeste da Nigéria, de maioria muçulmana.

"O objetivo é chegar a um plano de ação neste fim de semana para que esses países, com o apoio do Ocidente, cooperem na apuração de dados, troca de informações e controle de fronteiras para impedir o Boko Haram de contrabandear armas e se mover livremente nesta zona", disse uma fonte diplomática francesa.

Com cerca de 6 mil tropas operando do Mali para o noroeste ou da República Centro-Africana para o leste, Paris tem um grande interesse em impedir que a segurança na Nigéria se deteriore, temendo que o Boko Haram possa se espalhar para o norte para Sahel, e além de Camarões para a República Centro- Africana.

Com o grande e bem aparelhado Exército da Nigéria aparentemente incapaz de conter a ameaça do Boko Haram, muitos temem que o empobrecido Níger e o norte dos Camarões poderiam ter dificuldades em enfrentar um ataque.

A Nigéria já chegou a um acordo com o Níger para permitir que as suas tropas cruzem a fronteira em busca do Boko Haram e está discutindo um acordo semelhante com o Chade.

*Com AP e Reuters

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