Narendra Modi é eleito primeiro-ministro na Índia com vitória esmagadora

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Resultados gerais devem ser divulgados no sábado (17); vitória pode agravar tensões sectárias no país, de acordo com críticos

O líder da oposição Narendra Modi será o próximo primeiro-ministro da Índia, conquistando a vitória mais decisiva que o país já viu em mais de um quarto de século e varrendo o longo domínio do Partido do Congresso do poder, de acordo com resultados parciais desta sexta-feira (16).

Hoje: Nacionalista hindu caminha para vitória esmagadora na Índia

AP
Narendra Modi cumprimenta apoiadores na sede de seu partido em Gandu, no estado indiano de Gujarat


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Enquanto sua vitória esmagadora fica cada vez mais clara, Modi apareceu diante de uma multidão de simpatizantes.

"Eu sempre disse que, para governar a nação, é nossa responsabilidade levar todos conosco", disse ele, cuja campanha prometeu retomada do crescimento econômico. "Eu quero suas bênçãos para que possamos ir em frente com um governo que é de todos."

Embora a vitória de Modi tenha sido esmagadora, os críticos temem que o resultado possa agravar as tensões sectárias entre a maioria hindu da Índia e seus 138 milhões de muçulmanos.

Modi

Nacionalista hindu, Modi permanece uma figura divisionista no país de 1,2 bilhão de pessoas em grande parte porque, enquanto ministro-chefe do estado de Gujarat em 2002, estava no comando quando tumultos mataram mais de 1 mil pessoas - a maioria delas muçulmanas.

Modi foi acusado de fazer pouco para acabar com a violência, embora ele tenha negado qualquer irregularidade e nunca foi acusado de crime algum. Os críticos, porém, questionaram muitas vezes se ele poderia ser um líder verdadeiramente secular em um país com tantas crenças. Em 2005, Modi teve o visto para os EUA negado por seu suposto envolvimento com os tumultos. O Partido do Congresso tentou destacar os motins de 2002 durante sua campanha, mas o impulso de Modi - e foco sobre a economia em crise - o levou à vitória.

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O resultado foi uma derrota esmagadora para o partido do Congresso, que está profundamente entrelaçado à dinastia política Nehru-Gandhi, que tem estado no centro da política indiana pela maior parte da história pós-independente do país.

Nesta sexta-feira o partido nacionalista hindu de Modi já havia assegurado mais de 272 assentos na câmara do Parlamento, número suficiente para criar um governo sem formar coalizão com partidos menores, de acordo com a Comissão Eleitoral disse. Dos 357 assentos, o BJP ganhou 217 e estava liderando outros 65. Os resultados completos devem ser divulgados pela manhã ou no final da tarde de sábado, mas a vitória de Modi já foi assegurada.

A última vez que um partido único conquistou a maioria na Índia foi em 1984, quando uma nação comovida deu a vitória ao Partido do Congresso em mais de 400 assentos após o assassinato do então primeiro-ministro Indira Gandhi.

O resultado destas eleições dá a Modi o direito de governar em uma época de profunda mudança social e econômica. A Índia está no meio de uma rápida urbanização e globalização, além de ter uma população jovem crescente - com novos eleitores e diferentes padrões de votação.

Para os jovens eleitores indianos, as prioridades são empregos e desenvolvimento, que Modi colocou na vanguarda de sua campanha. Embora ele se concentre fortemente na economia, Modi deu algumas dicas de suas tendências de política externa, dizendo que o BJP quer reforçar parceria estratégica da Índia com os EUA sobre as bases estabelecidas pelo mais recente premiê Atal Bihari Vajpayee.

A administração Obama tem visto a ascensão de Modi cuidadosamente e, em fevereiro, pela primeira vez em mais de uma década, o embaixador dos EUA encontrou-se com ele.

Outro lado

Por outro lado, a eleição provocou uma baixa expressiva para o Partido do Congresso. O grupo tem sido assolado por escândalos de corrupções repetidos, além de problemas com a economia nacional. Resultados parciais nesta sexta mostram que o Congresso venceu apenas cerca de 45 assentos.

O candidato do Congresso, Rahul Gandhi, 43 anos, não conseguiu inspirar confiança ao público. Ele era visto como ambivalente, na melhor das hipóteses, principalmente pelo trabalho realizado anteriormente por seu pai, avó e bisavô.

"Eu gostaria de desejar tudo de melhor ao novo governo", Gandhi disse a repórteres nesta sexta, acrescentando que era o responsável pelas derrotas do partido. Imediatamente após seu pronunciamento, sua mãe, Sonia Gandhi, presidente do partido, pegou o microfone e disse era ela quem assumiria toda a responsabilidade pelas baixas. Os dois não responderam nenhuma pergunta e pouco tempo depois, saíram do palco.

Rahul Gandhi , que primeiro ganhou um assento no Parlamento em 2004, tem sido visto à espera do cargo de premiê desde o início de sua carreira política, embora nunca tenha parecido confortável com esse papel. Quando finalmente concedeu a primeira entrevista eleitoral para a televisão em campanha, no início deste ano, pareceu maçante e pouco inspirador, cheio de promessas vagas.

Em contraste, Modi foi rápido em zombar publicamente do herdeiro Gandhi, martelando que ele nada mais era do que o príncipe feudal de uma família que vê o governo da Índia como um direito hereditário.

Houve também participação recorde nas eleições: 66,38%, ou 814 milhões de eleitores passaram pelas assembleias legislativas durante seis semanas, desde o dia 7 de abril, em todo o país. O comparecimento às urnas na eleição geral de 2009 foi de 58,13%.

"Na história da Índia independente, nenhum partido político derrotou o Partido do Congresso com uma margem tão grande", disse o presidente do BJP, Rajnath Singh, em entrevista coletiva aberta com o sopro de uma concha, início tradicional da maioria dos rituais hindus.

*Com AP

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