Explosão mata dez e fere outros 70 em Nairóbi, Quênia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Embaixadas dos EUA e Grã-Bretanha pedem para seus cidadãos evitarem o país; presidente Uhuru Kenyatta critica comunicados

Duas explosões atingiram a capital do Quênia nesta sexta-feira (16) matando dez e ferindo mais de 70 no mais recente de uma série de ataques terroristas cada vez mais frequentes no país.

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AP
Médicos e pessoal médico ajudar um homem ferido por uma das duas explosões no centro de Nairóbi, Quênia


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As explosões ocorreram na mesma semana em que os Estados Unidos e o Reino Unido emitiram novas advertências sobre possíveis ataques terroristas no Quênia, o que resultou em uma crítica do presidente queniano nesta sexta, dizendo que os alertas fortaleceram os atos terroristas.

O chefe de polícia de Nairobi, Benson Kibue, que anunciou os números de vítimas, explicou que dois dispositivos improvisados foram ​​detonados em uma área de mercado perto do centro de Nairobi. Uma delas atingiu uma mini-van usada para o transporte público.

Em comunicado, os EUA dizem que a própria embaixada estuda medidas para aumentar a segurança "devido à ameaça de informações recentes sobre a comunidade internacional no Quênia". A instituição sofreu um ataque com bomba em 1998 onde mais de 200 morreram.

O governo da Grã-Bretanha também alertou seus cidadãos a evitarem a cidade costeira de Mombasa e pproximidades, o que levou empresa de viagens a encurtar as férias de centenas de cidadãos britânicos e levá-los de volta para a casa.

As preocupações com a segurança têm crescido no Quênia por causa de sua proximidade com a Somália e com o grupo terrorista al- Qaeda. Em setembro, quatro homens armados atacaram um centro comercial de luxo em Nairobi, matando pelo menos 67 pessoas. 

De acordo com a embaixada americana, mais de 100 pessoas foram mortas em tiroteios, ataques com granadas e pequenas bombas no Quênia nos últimos 18 meses. Autoridades quenianas, com a ajuda do FBI, também descobriram um enorme carro-bomba que poderia ter causado grandes danos recentemente.

“Sabemos, por nossa experiência no Iêmen, onde embaixadas foram atacadas em Benghazi, que qualquer símbolo estrangeiro é um alvo em potencial", afirmou Scott Gration, ex- embaixador dos EUA no Quênia.

Gration, general aposentado da Força Aérea dos EUA e atual dirigente de consultoria de tecnologia e investimento em Nairobi, afirmou que as embaixadas "tendem a ser um ímã para pessoas que têm intenções ideológicas."

O presidente Uhuru Kenyatta, que começou coletiva previamente planejada poucos minutos depois das explosões em Nairobi, prestou suas condolências aos familiares das vítimas, mas criticou os avisos emitidos pelos Estados Unidos e Reino Unido, dizendo que o terrorismo é um problema mundial inclusive em Nova York e Boston.

"Eu não quero me referir a ninguém em particular. Mas esse tipo de anúncio só reforça a vontade de terroristas ao invés de nos ajudar a vencer essa guerra", disse Kenyatta.

O Quênia vê uma grande queda em suas atividades turísticas - uma das mais lucrativas para o país - sempre que esses alertas são emitidos. Kenyatta informou que vai instalar 2 mil câmeras de segurança em Nairobi e Mombasa para ajudar a combater o terrorismo.

A TUI Travel, dona das companhias de turismo britânicas Thomson e First Choice, cancelou todos os voos para Mombasa até outubro por causa do alerta de segurança. A empresa também retirou clientes no Quênia por meio de voos, entre quinta e esta sexta.

"Minha opinião é que em todos os lugares existem problemas e todos nós precisamos ser prudentes", disse Gration. "Então, eu não viajar à noite, vou evitar grandes multidões e trancar minhas portas. Todos nós podemos ser vítimas da violência ou crimes terroristas em qualquer lugar do mundo, seja em Newark, New Jersey ou Nairobi, Quénia."

*Com AP

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