Lee Joon-seok pode enfrentar a pena de morte, se condenado; 284 corpos foram recuperados e 20 continuam desaparecidos

A promotoria acusou formalmente o capitão e três membros da tripulação da balsa que naufragou na Coreia do Sul por homicídio nesta quinta-feira (14), alegando que eles foram negligentes e não protegeram as mais de 300 pessoas a bordo. Outros 11 tripulantes sofreram acusações mais brandas.

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Lee Joon-seok, centro, capitão da balsa que naufragou na costa sul-coreana chega para prestar depoimento em Mokpo, ao sul de Seul
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Lee Joon-seok, centro, capitão da balsa que naufragou na costa sul-coreana chega para prestar depoimento em Mokpo, ao sul de Seul


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O capitão Lee Joon-seok e os demais acusados ​​de homicídio - incluindo um engenheiro-chefe - podem enfrentar a pena de morte se forem condenados, de acordo com a Suprema Corte, embora ninguém tenha sido executado na Coreia do Sul desde 1997.

Segundo a promotoria, outros 11 foram indiciados por negligência e abandono de passageiros em necessidade quando o navio afundou, no dia 16 de abril. Membros da tripulação têm passado por investigação criminal após alegadamente terem escapado da embarcação antes de muitos passageiros.

“O capitão, um primeiro oficial e um segundo oficial e o chefe de máquinas escaparam antes dos passageiros, levando a graves consequências”, disse o promotor Ahn Sang-don, que lidera a investigação, em coletiva.

Ahn explicou que o navio Sewol estava severamente comprometido em sua capacidade de manter a estabilidade após uma reforma realizada para aumentar sua capacidade e mesmo assim saiu para navegar com grande excesso de peso, além de água insuficiente nos tanques de lastros utilizados para mantê-lo estável.

As fortes correntes no Mar Amarelo onde aconteceu o desastre tornaram a embarcação menos obediente à navegação e levaram os membros da tripulação a fazer uma curva mais inclinada do que o aconselhável, o que levou a balsa a virar e, posteriormente, afundar.

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“O capitão deveria estar no comando da navegação, mas deixou isso para um terceiro oficial, e isso é negligência grosseira”, disse Ahn, acrescentando que havia provas suficientes sobre a acusação de negligência consciente da parte do capitão e de três outros oficiais.

A acusação formal foi apresentada no Tribunal Distrital Gwangju e uma data para o julgamento será decidida em poucos dias, de acordo com um funcionário que pediu anonimato devido regras de departamentos. O funcionário disse que todos os 15 réus deverão ser julgados juntos.

Inicialmente, Lee pediu que os passageiros permanecessem em suas cabines e levou cerca de meia hora para emitir ordem para a retirada das pessoas a bordo, mas não se sabe se a sua mensagem foi transmitida aos passageiros. Em um vídeo feito pela guarda costeira, ele foi visto fugindo da balsa de cueca em um barco de resgate, enquanto muitos passageiros ainda estavam no navio.

Durante sua prisão no mês passado, Lee explicou que manteve a ordem de permanência no navio porque as equipes de resgate ainda não haviam chegado e ele temia pela segurança dos passageiros na água fria e revolta. O dono da balsa e outros quatro funcionários da empresa Chonghaejin Marine Co. Ltd. também foram presos. 

Cerca de um mês após o naufrágio, 284 corpos foram recuperados e 20 continuam desaparecidos. Apenas 172 pessoas, incluindo 22 dos 29 membros da tripulação, sobreviveram ao desastre. A maioria das 476 pessoas na balsa eram estudantes de uma única escola secundária perto de Seul, que estavam viajando para a ilha turística de Jeju.

*Com Reuters e AP

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