Para Laurence Golborne, profundidade da mina turca por si só já dificulta mais as buscas; acidente no Chile ocorreu em 2010

BBC

O ex-ministro de Obras Públicas, de Minas e de Energia do Chile, Laurence Golborne - que liderou o resgate dos 33 mineiros soterrados em uma mina acidentada em 2010 no país - disse que o resgate na Turquia pode ser ainda mais complicado que o do Chile.

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Resgate de mineiros na Turquia seria operação mais complicada que ação no Chile em 2010
AFP
Resgate de mineiros na Turquia seria operação mais complicada que ação no Chile em 2010


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Em entrevista à BBC Brasil por telefone, ele listou alguns dos fatores que em tese tornam mais difícil o socorro a mineiros sobreviventes.

"A profundidade da mina aqui no Chile era de 700 metros e na Turquia é de dois mil metros", afirmou Golborne, que é engenheiro. A mina chilena era dedicada à exploração de cobre e a turca extrai carvão.

O ex-ministro chileno também ressaltou a diferença no número provável de mineiros presos nas minas. Enquanto no Chile 33 homens ficaram retidos, autoridades turcas estimaram que mais de 100 mineiros ainda estariam desaparecidos – possivelmente boa parte deles ainda estaria presa nos túneis.

Para piorar a situação, uma explosão dispersou gases tóxicos no interior da mina turca, o que vem obrigando as equipes de resgate a tentar bombear oxigênio para seu interior. O ex-ministro disse que o acidente na Turquia, por toda essa conjuntura dos fatos, gera "maior incerteza". Mas afirmou também que ainda é possível resgatar mineiros com vida.

Expectativas

"Aqui no Chile passamos vários dias trabalhando sem notícias (da existência de sobreviventes), mas com esperança de encontrá-los vivos. Por isso acho que na Turquia, apesar da situação ser diferente, dependendo da topografia poderia ser possível o resgate de sobreviventes", afirmou.

O caso chileno provocou comoção no país na época. "A nossa preocupação era também não gerar expectativas demais na população e ao mesmo tempo tentar fazer com que não perdessem as esperanças. No trabalho de resgate, que foi muito longo, não sabíamos qual seria o desfecho que, felizmente, acabou bem", afirmou.

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Os mineiros chilenos ficaram 70 dias presos na mina San José. Somente 17 dias após o acidente, uma equipe de resgate encontrou um papel onde eles diziam que estavam vivos.

No total, recordou o ministro, foram 53 dias de trabalhos de resgate. As equipes de socorro utilizaram uma cápsula especial desenhada com a ajuda da NASA (agência espacial americana) para a retirada de cada um dos mineiros.

"Eles estavam com problemas como desnutrição, mas estavam todos vivos", disse.

Debate

Logo após o acidente com os "33 mineiros", como eles ficaram conhecidos no Chile, as autoridades locais iniciaram um debate para a maior segurança nas minas. Também foram discutidas penalidades que incluíam prisão para os donos de empresas responsáveis, em caso de acidentes.

"A fiscalização aumentou e os acidentes diminuíram, mas a lei, por questões de política interna aqui no Chile, não saiu do papel. Era esse projeto de lei que previa até prisão para os donos das minas", disse.

A tragédia na Turquia esteve entre os principais assuntos do dia nas emissoras de rádio e de televisão do Chile. Mas, poucos lembraram que o episódio era similar ao vivido há apenas quatro anos no país, como contaram jornalistas da imprensa local.

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