Ataque a acampamento de ativistas mata dois e fere 22 na Tailândia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Granadas e tiros de metralhadora atingiram grupo que dormia; as manifestações pelo país já deixaram 27 mortos e 800 feridos

Explosões e um ataque a tiros durante a noite mataram pelo menos duas pessoas e deixaram dezenas de feridos nesta quinta-feira (15) em Bangcoc, capital da Tailândia. O ato violento é o mais recente desde que manifestantes foram às ruas pela derrubada do governo, há seis meses.

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AP
Voluntários inspecionam local onde ficava acampamento dos ativistas atacado a tiros durante a noite em Bangcoc, Tailândia


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Pelo menos 22 pessoas ficaram feridas nos ataques que aconteceram antes do amanhecer desta quinta perto de Monumento da Democracia da cidade, onde alguns manifestantes estão acampados, diz o Centro Médico Erawan, que rastreia vítimas.

De acordo com o coronel da polícia Krailert Buakaew, ao menos três granadas foram detonadas e metralhadoras foram disparadas contra os manifestantes no pequeno acampamento. Ele disse que entre os mortos estão um ativista, atingido enquanto dormia, e um guarda voluntário.

A autoridade afirma que investigadores estão averiguando quem pode ter cometido o crime, mas até agora só encontrou poças de sangue no local do crime. O ataque aumenta para 27 mortos e 800 feridos o número de vítimas em todo o país desde que o início dos protestos, em novembro do ano passado.

Oyjai Suangchaiyaphum, manifestante de 55 anos, estava dormindo na base do Monumento à Democracia quando ouviu os disparos de uma arma automática e ao menos duas granadas sendo lançadas na direção ao acampamento. Oyjai foi levemente ferido na perna por estilhaços e os médicos o tratavam no local.

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A crise política da Tailândia se aprofundou na semana passada após Tribunal Constitucional destituir a primeira-ministra Yingluck Shinawatra por nepotismo, juntamente com nove membros de seu gabinete em um caso que muitos viram como motivação política.

Para os manifestantes, porém, a retirada de Yingluck não é o bastante. Ela foi substituída pelo premiê interino Niwattumrong Boonsongpaisan, do mesmo partido que está no poder atualmente no país.

Os manifestantes estão pressionando o Senado e tribunais a intervirem na crise e escolherem um primeiro-ministro "neutro", mas o governo diz que essa é uma ameaça ao sistema democrático do país e seria o equivalente a um golpe de Estado judicial.

Ativistas pedem ainda reforma política antes das eleições nacionais, onde pretendem criar um "conselho do povo" não eleito para implementar mudanças ainda indefinidas e remover completamente a influência da família de Yingluck da política antes de quaisquer eleições, já que o partido do governo atual provavelmente possa ganhar novamente, por causa de um amplo apoio entre os pobres das zonas rurais tailandesas.

A crise política na Tailândia começou em 2006, quando o irmão de Yingluck, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, foi derrubado por um golpe militar após ser acusado de corrupção, abuso de poder e desrespeito com o rei Bhumibol Adulyadej.

Thaksin, um ex-bilionário das telecomunicações, continua a ser muito popular entre os pobres do norte e nordeste da Tailândia e os partidos controlados por ele venceram todas as eleições nacionais desde 2001. Os manifestantes anti-governo, alinhados com o Partido Democrata da oposição, dizem que querem remover todos os vestígios de sua máquina política do Governo.

*Com AP

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