Premiê deve presidir mesa redonda sobre a descentralização do poder, mas sem ativistas, contrariando o plano de paz da OSCE

O governo da Ucrânia concordou, mesmo relutante, em iniciar conversações sobre a possível descentralização do poder, nesta quarta-feira (14), como parte de um plano de paz europeu. Mas sem a participação dos rebeldes pró-russos que declararam a independência de duas regiões no leste do país.

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Pró-Rússia armado verifica carro em meio as barricadas em uma estrada que conduz a Slovyansk, leste da Ucrânia (13/05)
AP
Pró-Rússia armado verifica carro em meio as barricadas em uma estrada que conduz a Slovyansk, leste da Ucrânia (13/05)


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O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, deve presidir a primeira de uma série de mesas redondas definidas para incluir legisladores nacionais, figuras do governo e autoridades regionais como parte do plano de paz elaborado pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, OSCE, grupo de segurança e de direitos que inclui a Rússia e os Estados Unidos.

Mas Yatsenyuk não deu nenhum sinal de que gostaria de convidar seus inimigos nesse processo, como pede o plano da OSCE. Até mesmo quando agradeceu a Organização por seus esforços, ele afirmou que a Ucrânia tinha seu próprio método para acabar com a crise. Em um discurso em Bruxelas na terça, porém, Yatsenyuk não deu detalhes sobre esse plano.

O presidente interino ucraniano Olexandr Turchynov disse que as conversas envolveriam apenas "elites regionais". Também são esperados ex-presidentes da Ucrânia, funcionários e legisladores. Mas Turchynov afirmou que "o governo vai agir contra aqueles que estão aterrorizando a região com armas na mão, de acordo com a lei, dando continuidade a operação antiterrorista."

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"O governo de Kiev não quer ouvir as pessoas de Donetsk", disse Denis Patkovski, um membro da milícia pró-russos em Slovyansk, onde tem ocorrido alguns dos combates mais intensos das últimas semanas. "Eles só vêm aqui com armas."

Por meio de seu plano, a OSCE exorta todas as partes a abrirem mão da violência e fala sobre descentralização e status da língua russa. Ele prevê uma rápida organização de mesas redondas de alto nível em todo o país, reunindo parlamentares, representantes do governo central e das regiões ucranianas. Já o ministro do Exterior Yevhen Perebiynis lamentou que o plano não obrigue a Rússia a tomar alguma providência sobre as ações na Ucrânia.

Mesmo assim, funcionários europeus aplaudiram o início das negociações. Comissário de ampliação da UE, Stefan Fule, saudou a proposta de mesa redonda em sua conta no Twitter, expressando a esperança de que a próxima reunião possa acontecer no leste.

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A Rússia tem apoiado fortemente o roteiro da OSCE. Os Estados Unidos, ao dizer que vale a pena a tentativa, vê com ceticismo as perspectivas de sucesso do plano.

Violência

Ucrânia e o Ocidente acusam Moscou de fomentar a violência no leste da Ucrânia, onde os insurgentes tomaram prédios administrativos, lutaram contra forças do governo e declararam independência às regiões de Donetsk e Luhansk após uma votação improvisada no último fim de semana que a Ucrânia e as potências ocidentais chamaram de farsa.

Forças ucranianas montaram uma ofensiva de dispersão contra os insurgentes e dezenas morreram nos combates em todo o leste. Na terça-feira, o ministério da Defesa disse que seis soldados foram mortos por rebeldes que atacaram um comboio perto da cidade de Kramatorsk na região de Donetsk - o ataque mais mortífero dos militares ucranianos desde o início do mês passado.

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O porta-voz do ministério da Defesa, Bohdan Senyk, disse que cerca de 30 homens armados se posicionaram em ambos os lados da estrada e usaram lança-granadas para derrubar os veículos militares durante batalha que durou cerca de uma hora. Ele disse que nove soldados ficaram feridos.

Nesta quarta, jornalistas da AP viram cadáveres carbonizados em um veículo blindado ucraniano e um caminhão no local do confronto.

O ministro da Defesa, Mykhailo Koval, afirmou que os insurgentes estão sendo auxiliados por militares russos: "A Rússia tem travado uma guerra não declarada contra a nova geração da Ucrânia. O país vizinho desencadeou uma guerra usando unidades de terroristas e sabotadores."

Ele acrescentou ainda que alguns dos homens haviam sitiado uma base militar no leste ucraniano abertamente e se apresentaram como agentes russos. A Rússia negou veementemente seu envolvimento.

Também nesta quarta cerca de 15 homens armados com pistolas automáticas chegaram a uma base militar na cidade de Donetsk e exigiram que os soldados jurassem lealdade à República autoproclamada de Donetsk, de acordo com Viktoria Kushnir, porta-voz da Guarda Nacional da Ucrânia.

Os homens bloquearam o portão da base com um caminhão por meia hora, mas depois de uma longa conversa com os militares eles deixaram os homens armados saírem, disse Viktoria.

*Com AP

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