Síria aceita a renúncia de mediador da ONU para o país

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Lakhdar Brahimi irá entregar o cargo no dia 31 de maio e culpa o impasse internacional para pôr fim à guerra civil de três anos

Uma autoridade síria aceitou a renúncia de Lakhdar Brahimi nesta quarta-feira (14) da conjunta Nações Unidas-Liga Árabe para a Síria e aproveitou para pedir a nomeação de um mediador "mais objetivo" para substituir Brahimi.

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Lakhdar Brahimi, enviado especial da ONU e Liga Árabe na Síria, durante coletiva após reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU (13/05)


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Fayez Sayegh, membro do parlamento e do Partido Baath, do presidente Bashar Assad, descreveu Brahimi como um homem preconceituoso que interferiu nos assuntos internos da Síria.

Sayegh fez os comentários por meio de entrevista por telefone a Associated Press nesta quarta em Damasco, capital da Síria. Foi a primeira reação de Damasco após a renúncia de Brahimi, anunciada um dia antes pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Brahimi, um veterano diplomata argelino de 80 anos conhecido por ser paciente tentou, sem sucesso por quase dois anos, mediar o fim da guerra civil na Síria. Sua renúncia marca um segundo fracasso da ONU e da Liga Árabe em acabar com o conflito sírio e destaca as profundas divisões entre os partidos da Síria e dos países-chave que tentam restaurar a paz na região.

O ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, demitiu-se do mesmo trabalho em agosto de 2012 depois de não conseguir negociar um cessar-fogo. O país entrou em guerra civil. Ki-moon disse nesta quarta que recebeu a renúncia de Brahimi com relutância.

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"Estou muito preocupado com a violência contínua e sem qualquer perspectiva de solução política neste momento. Nós não podemos continuar assim", disse ele a repórteres em uma coletiva em Estocolmo. Brahimi entregará o cargo no dia 31 de maio.

Chefe da Liga Árabe, Nabil Elaraby disse nesta quarta que "lamenta profundamente" a renúncia de Brahimi e que a decisão reflete o fracasso da comunidade internacional - representada pelo Conselho de Segurança da ONU - em assumir a responsabilidade de dar fim aos combates na Síria.

Brahimi criticou recentemente a intenção de Assad em realizar eleições presidenciais em meio à guerra, dizendo que isso prejudicaria as perspectivas da solução política que o país precisa com tanta urgência. Seus comentários irritaram o governo sírio, que tem a intenção de realizar a votação no dia 3 de junho.

Falando da ONU nesta quarta, Ki-moon disse que vai nomear um sucessor para Brahimi, mas que levaria tempo para encontrar "a pessoa certa". Sayegh, oficial sírio, afirmou que Brahimi tinha o hábito de interferir nos assuntos internos da Síria.

"Quando um mediador internacional como Brahimi intervém em um caso que é motivo de preocupação para o povo sírio, isso significa que ele está do lado oposto", disse. "Brahimi foi tendencioso desde o início", afirmou, pedindo que a ONU nomeie "um outro mediador que deva ser mais objetivo."

O conflito da Síria começou com protestos em grande parte do país pedindo reformas e transformado o movimento em levante armado que levou a guerra civil depois de uma feroz repressão militar contra os manifestantes. Mais de 150 mil pessoas morreram desde março de 2011 e outras centenas de milhares foram feridas.

Nesta quarta, um grupo de vigilância da oposição síria disse que quase 850 pessoas morreram nas prisões do governo e centros de detenções este ano, muitas delas após tortura. O Observatório Sírio-Grã-Bretanha para os Direitos Humanos disse que esse número inclui 15 crianças e seis mulheres.

A entidade afirmou que ao menos 18 mil detidos pelo governo nos últimos três anos haviam desaparecidos e muitos podem ter morrido. O grupo conta com uma ampla rede de ativistas em toda a Síria para documentar o conflito. As informações não puderam ser confirmadas de forma independente.

Também nesta quarta o grupo de defesa norte-americana Médicos pelos Direitos Humanos informou por meio de um relatório que as forças sírias estavam atacando sistematicamente o sistema de saúde em áreas mantidas pela oposição, o que resultou na morte de mais de 460 profissionais de saúde e na destruição generalizada de hospitais e clínicas.

*Com AP

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