As 72 organizações que aderiram ao acordo terão de detalhar os motivos pelo qual usarão animais em pesquisas científicas

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Mais de 70 instituições da área médica com atuação na Grã-Bretanha assinaram o Acordo sobre Transparência em Pesquisa Animal, que foi publicado nesta quarta-feira (14) após longas negociações entre cientistas, universidades, ONGs médicas, companhias farmacêuticas, jornalistas e o público geral. 

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Entre as 72 organizações britânicas e internacionais que assinaram o acordo estão as farmacêuticas Pfizer PFE.N, GlaxoSmithKline GSK.L e AstraZeneca AZN.L. Os grupos assinaram compromisso para serem mais abertos sobre o uso de animais em experimentos científicos. O acordo cobre atividades apenas na Grã-Bretanha.

“Este amplo apoio por abertura demonstra a mudança de atitude que temos visto no setor de ciências da vida nos últimos anos”, disse Geoff Watts, que presidiu o grupo coordenador que esboçou o acordo. Os britânicos de modo geral apoiam amplamente o uso de animais em experimentos, mas com condições estritas e apenas quando não há alternativa.

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Uma pesquisa Ipsos MORI conduzida em 2012 descobriu que cerca de 80% das pessoas questionadas sobre “condições de aceitação” para o uso de animais em pesquisas científicas aprovaram a prática para propósitos médicos, sob boas condições.

Mas cerca de 20% dos britânicos estavam insatisfeitos com o uso de animais em pesquisas. Muitos disseram que gostariam de saber mais sobre o que acontece em laboratórios onde os experimentos são conduzidos.

Cerca de 4 milhões de experimentos foram realizados em animais na Grã-Bretanha em 2012, a vasta maioria (74%) em ratos. O acordo obriga os signatários a “serem mais claros sobre quando, como e por quê” animais são usados, e melhorar as comunicações com a imprensa e o público sobre tais trabalhos.

Há também o compromisso de serem “proativos no fornecimento de oportunidades para o público tomar conhecimento sobre pesquisas que utilizam animais”, e relatarem a cada ano o progresso e as experiências.

A lei da Grã-Bretanha obriga os novos tratamentos médicos a serem testados em animais antes de seguirem para testes em humanos.

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