Pais das vítimas e até amigos conseguem reconhecer algumas das jovens sequestradas; EUA realizam voo de reconhecimento

Parentes e amigos das estudantes nigerianas raptadas identificaram algumas delas a partir de um vídeo divulgado por militantes islâmicos do Boko Haram na segunda (12), anunciaram eles nesta terça-feira (13).

Assista: Boko Haram mostra sequestradas 'convertidas' ao islã

Mulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05)
AP
Mulher grita durante manifestação incitando o Governo a agilizar o resgate das meninas sequestradas, em Abuja, Nigéria (11/05)


Sábado: Exército nigeriano coloca duas divisões para busca de meninas sequestradas

A filmagem mostra cerca de 130 das mais de 200 meninas sequestrados há um mês em um colégio interno no estado de Borno recitando versos do Alcorão. O líder do Boko Haram afirmou que as jovens se converteram ao islã e está pronto para trocá-las por seus combatentes presos.

Enquanto isso, os EUA sobrevoaram o país a oeste da África em uma missão de vigilância em esforço para reconhecer a área e ajudar nas buscas pelas alunas desaparecidas. Uma equipe de cerca de 30 especialistas dos Estados Unidos - membros do FBI e departamentos de Defesa de Estado - estão na Nigéria para ajudar no possível resgate.

A Casa Branca disse na segunda que a equipe dos EUA deslocada para ajudar o governo da Nigéria é composta de cerca de 30 pessoas, incluindo dez planejadores do Departamento de Defesa que já estavam na Nigéria e foram redirecionadas para auxiliar nas buscas.

O Reino Unido, a França e a China também têm equipes no terreno. Especialistas israelenses de combate ao terrorismo também estão a caminho.

'Opções válidas'

O governo nigeriano parece ter mudado de ideia nesta terça e disse que "todas as opções são válidas" nos esforços para resgatar as alunas raptadas. Inicialmente, a Nigéria sugeriu que não haveria negociações com o Boko Haram.

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Mike Omeri, diretor da agência de informações do governo, a Agência Orientação Nacional, afirmou que o país vai "usar qualquer tipo de ação" para libertar as meninas. Ele também advertiu que uma operação militar, com a ajuda estrangeira, não está descartada.

"No momento, estamos interagindo com especialistas, militares e com a inteligência de várias partes do mundo porque todas as possibilidades estão abertas", disse ele na segunda-feira.

O Boko Haram, que visa impor a lei islâmica na Nigéria, já matou mais de 1.500 pessoas este ano em uma campanha de atentados e massacres, apesar de três regiões nigerianas terem declarado estado de emergência. Nesses casos, as forças de segurança receberam munição especial.

Direitos humanos

Segundo a Anistia Internacional, militares da Nigéria receberam aviso prévio de um possível ataque do Boko Haram antes dos sequestros do dia 15 de abril em Chibok, no estado de Borno, mas não reagiu por medo de enfrentar os extremistas.

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Os terroristas levaram mais de 200 meninas para floresta na fronteira com o Camarões, como acredita os investigadores, a cerca de 30 quilômetros de Chibok. O líder do Boko Haram ameaçou 'vender' as meninas como escravas.

Os sequestros em massa e fracasso do governo e militar da Nigéria em resgatar as meninas têm despertado indignação no país e no exterior.

*Com BBC e AP

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