Carros-bomba contra prováveis alvos xiitas matam 24 em Bagdá

Por iG São Paulo |

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As explosões foram aparentemente coordenadas e não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelo ataque mortal

Vários carros-bomba explodiram em Bagdá na hora do rush nesta terça-feira (13), matando ao menos 24 no mais mortal ataque desde as eleições realizadas no mês passado, cujos votos ainda estão sendo contados.

Violência: Carros-bomba matam ao menos 34 em cidades do Iraque, incluindo capital

Reuters
Mulher passa por local onde carro bomba explodiu no distrito de Sadr, em Bagdá, Iraque


Abril: Iraque vai às urnas sob forte ameaça de ataques terroristas

As explosões aparentemente coordenadas tiveram como alvo principalmente distritos xiitas da capital.

“Eu estava tentando pegar um passageiro quando uma bola de fogo e uma grande explosão chacoalharam meu carro”, disse Kadhim Ali, que escapou por pouco de uma das três explosões nas favelas de Sadr City. “Eu vi pessoas com as roupas manchadas de sangue gritando por ajuda”.

Os resultados preliminares da eleição parlamentar de 30 de abril devem sair nos próximos dias. O primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita, está buscando um terceiro mandado apesar do agravamento da violência, atribuída por críticos a suas políticas direcionadas à minoria sunita.

Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pelos atentados, mas insurgentes islâmicos sunitas vêm retomando territórios no Iraque no último ano e são conhecidos por buscarem alvos xiitas.

Houve explosões em outros bairros, e três soldados foram mortos por uma bomba colocada na estrada enquanto patrulhavam o distrito de Doura, segundo forças de segurança.

No ano passado houve um retorno de violência a níveis observados nos piores dias da ocupação militar dos Estados Unidos sob o mandato do então presidente George W. Bush, com centenas de civis mortos todos os meses.

Eleições

Iraquianos desafiaram a ameaça de ataques com bombas e foram às urnas no dia 30 de abril em eleições-chave para definir um novo Parlamento e em meio a uma grande operação de segurança no país. Centenas de milhares de soldados e policiais se espalharam para proteger centros de votação na primeira eleição nacional desde a retirada das tropas americanas, em 2011. 

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que está no poder há oito anos, enfrenta crescentes críticas sobre corrupção governamental e derramamento de sangue persistente enquanto as tensões sectárias ameaçam empurrar o Iraque de volta à beira da guerra civil.

Al-Maliki subiu de uma relativa obscuridade para o cargo atual em 2006, quando o derramamento de sangue sectário no Iraque começou a ficar fora de controle, com militantes sunitas e milícias xiitas massacrando comunidades uns dos outros.

Ao longo dos anos que se seguiram, tribos sunitas apoiadas pelos norte-americanos se levantaram para lutar contra militantes ligados da Al-Qaeda, enquanto al-Maliki mostrou prontidão para conter milicianos xiitas - e em 2008, a violência diminuiu.

Mas os ataques entre sunitas e xiitas voltou a crescer, em parte por causa dos movimentos contra al-Maliki no ano passado, visando esmagar protestos feitos por sunitas que se queixam de discriminação do governo. Os militantes tomaram a cidade de Fallujah, na província sunita de Anbar, e partes da capital da província de Ramadi.

No ano passado, o número de mortos no Iraque subiu para seu nível mais alto desde a pior onda de violência sectária, entre 2006 e 2007. A ONU diz que 8.868 pessoas foram mortas em 2013, e cerca de 2 mil morreram nos três primeiros meses deste ano .

*Com Reuters e AP

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