Venezuela tem novos protestos após prisão de 243 ativistas; um policial morre

Por Reuters |

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Confrontos se seguiram após polícia desmontar acampamento de ativistas; centenas de pessoas montaram barricadas nas ruas

Reuters

Policiais militares venezuelanos prenderam na quinta (8) centenas de jovens ativistas e desmontaram acampamentos de protesto contra o presidente Nicolás Maduro, e um policial foi morto a tiros nas manifestações e confrontos que se seguiram em torno de Caracas.

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AP
Homem usa uma faixa com as cores da bandeira da Venezuela sobre a boca em protesto contra o governo de Maduro em Caracas (8/05)


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A incursão da Guarda Nacional Bolivariana começou na madrugada e desmontou quatro acampamentos mantidos por ativistas estudantis na capital do país durante três meses de protestos.

Depois da operação, centenas de manifestantes e moradores tomaram as ruas e montaram barricadas, uma tática comum ao longo dos meses de agitação popular. Os protestos haviam diminuído nas últimas semanas, mesmo se confrontos esporádicos continuavam.

Jovens mascarados atiraram pedras e coquetéis molotov, enquanto a polícia usou gás lacrimogêneo na sofisticada região leste de Caracas. Um policial morreu de ferimentos de bala, disseram autoridades. Testemunhas contaram que os tiros foram disparados dos edifícios em direção às ruas.

"Um atirador matou o policial enquanto ele estava limpando os detritos deixados por estes manifestantes assassinos e violentos", disse um Maduro sombrio, durante discurso à nação. "Ele foi miseravelmente assassinado."

Veja fotos das manifestações na Venezuela

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

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Tropas liberaram a região, onde estudantes de todo o país moraram temporariamente em tendas, cantando e tocando violão e exibindo cartazes com slogans contra o governo, tais como "Maduro, assassino".

"Estas detenções são irresponsáveis , porque este é um protesto pacífico e não estamos tentando derrubar o governo", disse José Manuel Perez, de 22 anos, um líder estudantil. "Senhor presidente, pense no que está fazendo. Exigimos respeito aos alunos".

O governo afirmou que os soldados prenderam 243 pessoas em acampamentos que seriam as bases dos protestos violentos. Funcionários exibiram itens apreendidos nos locais, incluindo morteiros e coquetéis molotov.

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Entre os detidos estavam uma mulher grávida e "aparentemente" um estrangeiro, disseram autoridades.

Os números oficiais mostram que durante os protestos de fevereiro e março 42 pessoas foram mortas e cerca de 800 ficaram feridas. Cerca de 3.000 pessoas foram presas desde fevereiro. Com as detenções desta quinta-feira, cerca de 450 pessoas ainda estão atrás das grades.

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