Putin faz primeira visita à Crimeia após anexação para celebrar o Dia da Vitória

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Russos celebram vitória sobre a Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial (1939 - 1945) enquanto Mariupol tem novo dia violento

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Criméia nesta sexta-feira (9) para participar das celebrações do 69º aniversário do Dia da Vitória, quando a União Soviética derrotou a Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), segundo a agência estatal RIA Novosti, sobre sua primeira visita ao território desde a anexação. 

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Reuters
Vladimir Putin, à esq., se reúne com militares durante celebrações que marcam o Dia da Vitória na Praça Vermelha de Moscou, Rússia


Ontem: Pró-russos no leste da Ucrânia manterão referendo apesar de apelo de Putin

Os desfiles militares, realizados todos os anos, acontecem em meio a crescente tensão no leste da Ucrânia, onde os separatistas pró-russos estão planejando um referendo sobre a autonomia da região para este domingo (11).

Uma grande multidão se aglomerou na cidade de Sevastopol para assistir aos desfiles militares, números provavelmente impulsionado pelos rumores de que Putin poderia participar da celebração deste ano. A grande atração do dia está prevista para a tarde, e envolve navios de guerra russos no Mar Negro - Sevastopol hospeda base naval russa.

Mais cedo, multidões aplaudiam e agitavam bandeiras russas nas ruas de Moscou, onde a exibição anual de fervor nacionalista foi realizada. Tanques, lançadores de foguetes e mísseis balísticos intercontinentais foram vistos pela Praça Vermelha em uma exibição do poderio militar no melhor estilo soviético.

Transição caótica

A grande maioria da população em Sevastopol, bem como em toda a península da Criméia, votou a favor da secessão da Ucrânia para ser anexada à Rússia em um controverso referendo realizado em março. O território fazia parte da Rússia até 1954 e tem população de etnia majoritariamente russa. Residentes de Sevastopol disseram à CNN que estavam orgulhosos e felizes por fazerem parte do território russo novamente.

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O entusiasmo vem em meio a um confuso, às vezes caótico, processo de transição e a contínua presença de unidades locais de "auto-defesa", ou milícias, pelas ruas, mais conhecidoa como os "homens de verde".

Mas nem todos estão encantados com a anexação da Criméia à Rússia. A população tártara, que compõe minoria étnica, se opôs ao movimento. Um líder tártaro local, Abduraman Egiz, disse à CNN que foi espancado por um grupo de "homens de verde" depois que pediu para ver seus documentos de identificação.

"Nós, como comunidade, não podemos garantir a segurança de nosso povo", disse ele.

Autoridades interinas da Ucrânia disseram mais cedo que a celebração da vitória soviética sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial seria marcada por uma cerimônia discreta. Eles temem que ativistas pró-russos tentem atiçar ataques violentos, caso haja celebrações de maior visibilidade.

Em Kiev, os eventos serão limitados à colocação de flores pelo primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk e pelo presidente interino Oleksandr Turchynov. Em Odessa e Kharkiv, grandes eventos públicos foram cancelados, enquanto em Luhansk o governo local pediu para seus habitantes evitarem o centro da cidade.

Donetsk, no entanto, avança com sua grade de eventos oficiais, enquanto uma marcha e comício não oficiais foram planejados para acontecer nesta sexta.

Veja fotos das homenagens pelo Dia da Vitória

Putin, 2º da dir. à esq., assiste às homenagens pelo Dia da Vitória em Moscou, Rússia . Foto: ReutersVladimir Putin se reúne com militares durante as celebrações que marcam o Dia da Vitória na Praça Vermelha de Moscou, Rússia . Foto: ReutersAviões militares russos voam acima do Kremlin, no desfile do Dia da Vitória na Praça Vermelha de Moscou, Rússia. Foto: ReutersMulher beija veterano próximo do monumento Defensores de Donbass nas celebrações do Dia da Vitória em Donetsk, Ucrânia. Foto: ReutersMulher dá flores a pró-russo fardado que participa dos desfiles pelo Dia da Vitória na Ucrânia. Foto: ReutersMulher beija um pró-Rússia armado em veículo blindado nas ruas de Slaviansk, Ucrânia. Foto: ReutersCriança vestida com uniforme militar perto de um pró-russo em Lugansk, Ucrânia. Foto: ReutersMulher chora próximo do monumento dos Defensores de Donbass durante celebrações que marcam o Dia da Vitória em Donetsk, Ucrânia. Foto: ReutersMulher homenageia veterano de guerra com uma flor durante as celebrações pelo Dia da Vitória em Sevastopol, Crimeia. Foto: APUm veterano da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) em desfile pelo Dia da Vitória em Sevastopol, Crimeia. Foto: APVeteranos da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) se emocionam em homenagem pelo Dia da Vitória em Sevastopol, Crimeia. Foto: APCriança usa fita que simboliza a vitória soviética na 2ª Guerra Mundial (1939-1945) com retratos de parentes que serviram no exército soviético, na Crimeia. Foto: AP

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Referendo

Insurgentes pró-russos no leste da Ucrânia decidiram na quinta (8) ir em frente com a realização do referendo pela autonomia da região, a ser realizado neste domingo (11), contrariando pedido do presidente russo Vladimir Putin para adiar a votação.

Os votos pela realização do referendo foram unânimes, disse um líder da autodeclarada República Popular de Donetsk. "Nós acabamos de votar no Conselho do Povo. A data do referendo foi endossada por 100 por cento (dos votantes). O referendo será realizado em 11 de maio", afirmou o líder rebelde Denis Pushilin aos repórteres.

Também na quarta, Putin declarou que a Rússia retirou suas tropas da fronteira com a Ucrânia, embora a Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, e Washington disseram não terem visto nenhum sinal da movimentação dos soldados na região.

"Vejo com bons olhos a declaração da Rússia, mas até agora não vimos qualquer indicação de recuo das tropas", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, por meio de um post no Twitter.

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Violência

Enquanto isso, vídeo da cidade ucraniana de Mariupol, no sudeste do país, mostra a tensão dos habitantes em meio a tiros e fumaça negra nas ruas. Ativistas pró-russos informaram que as tropas do governo estavam entrando em confronto com separatistas na região.

De acordo com assessoria de imprensa do ministério do Interior, as forças armadas não estão lutando em Mariupol, mas a guarda nacional entrou na cidade. À CNN, eles disseram que não estão mais fornecendo todas as informações sobre seus passos na área porque a "situação muda a cada minuto.”

O parlamentar Oleg Lyashko postou em seu Facebook que separatistas ocuparam o interior de uma delegacia de polícia cercada por forças ucranianas. Três "baixas" foram relatadas entre os separatistas, e alguns oficiais ucranianos ficaram feridos, segundo relato de Lyashko.

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Irina Voropaeva, que é uma das líderes dos pró-russos em Mariupol, informou à CNN que não estava claro o que estava acontecendo, mas, segundo ela, militares ucranianos estão no centro da cidade e ela foi avisada de que o prédio da prefeitura está em chamas. Ela acrescentou que podia ver fumaça e ouvir explosões.

Mariupol tornou-se um ponto de inflamação no impasse entre as forças ucranianas e os separatistas. Cinco ativistas pró-russos foram mortos durante a noite de quarta, quando as forças ucranianas atacaram barricadas nos arredores da cidade, segundo porta-voz do campo pró-russo.

*Com CNN e AP

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