Rebeldes no leste da Ucrânia decidem manter referendo apesar de apelo de Putin

Por iG São Paulo |

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Pró-russos agradeceram esforços e 'preocupação' de Putin em contornar crise; cédulas para votação estão prontas, afirmam

Insurgentes pró-russos no leste da Ucrânia decidiram nesta quinta-feira (8) ir em frente com a realização do referendo pela autonomia da região, a ser realizado neste domingo (11), contrariando pedido do presidente russo Vladimir Putin para adiar a votação.

Segundo Putin: Rússia retira suas tropas da fronteira com a Ucrânia

Reuters
Homem da comissão eleitoral da auto-proclamada república Donetsk organiza cédulas para referendo dentro da sede da Comissão, em Donetsk, Ucrânia


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Os votos pela realização do referendo foram unânimes, disse um líder da autodeclarada República Popular de Donetsk. "Nós acabamos de votar no Conselho do Povo. A data do referendo foi endossada por 100 por cento (dos votantes). O referendo será realizado em 11 de maio", afirmou o líder rebelde Denis Pushilin aos repórteres.

Enquanto o chamado de Putin pelo adiamento da votação na quarta (7) foi visto como parte do esforço do país em acabar com os confrontos e negociar acordo com o Ocidente, ele também pode ter alimentado as tensões nesta quinta por supervisionar exercícios militares que, de acordo com as agências de notícias russas, simularam maciço ataque nuclear de retaliação em resposta a um ataque inimigo.

De acordo com Putin, porém, o exercício que envolve as forças nucleares russas havia sido planejado desde novembro, mas foram realizadas enquanto as relações entre a Rússia e o Ocidente caíram para seu nível mais baixo desde a Guerra Fria.

Também na quarta, Putin declarou que a Rússia retirou suas tropas da fronteira com a Ucrânia, embora a Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte, e Washington disseram não terem visto nenhum sinal da movimentação dos soldados na região.

"Vejo com bons olhos a declaração da Rússia, mas até agora não vimos qualquer indicação de recuo das tropas", disse o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, por meio de um post no Twitter.

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O vice-ministro da Defesa russo Anatoly Antonov acusou a Aliança e o Pentágono de deturparem deliberadamente a situação na fronteira e pediu para que eles "parar cinicamente de enganar a comunidade internacional", informou a agência de notícias Interfax.

Putin também falou de forma mais positiva sobre o plano do governo interino da Ucrânia em realizar uma eleição presidencial no dia 25 de maio, chamando-o de "um passo na direção certa", mas reiterou a contenção da Rússia de que a legitimidade do voto dependia do fim das "operações punitivas" da Ucrânia no leste e instruiu-os a iniciar um diálogo para garantir a população de língua russa que seus direitos sejam garantidos.

Referendo

No terreno na Ucrânia, muitos temem que o referendo poderá ser um ponto de inflamação para mais violência entre as tropas ucranianas e os militantes pró-Rússia que tomaram prédios do governo em dezenas de cidades do leste.

Veja fotos da ocupação russa na Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Segundo Pushilin, milhares de cédulas de voto já foram preparadas para a votação. Ele disse ainda que a sugestão de adiar o referendo "veio de uma pessoa que sem dúvida se preocupa com a população do sudeste" da Ucrânia e agradeceu Putin por seus esforços para encontrar uma saída para a situação.

"Mas nós somos apenas um megafone para as pessoas". "Nós acabamos de expressar o que as pessoas querem e demonstrar através de suas ações". A pergunta na cédula é: "Você apóia o ato de proclamação de soberania independente às pessoas da República de Donetsk?"

Uma pesquisa divulgada nesta quinta mostra que uma grande maioria dos ucranianos quer que seu país continue a ser um Estado único. O levantamento realizado no mês passado pelo Centro de Pesquisa Pew, sediado em Washington, descobriu que 77% do país quer Ucrânia mantenha suas fronteiras atuais. No leste, quase o mesmo número, 70%, compartilhou a preferência. Apenas entre os falantes de russo é que o percentual cai significativamente, mas ainda é mais da metade: 58%.

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A Rússia, porém, é vista com grande suspeita, com três vezes mais entrevistados dizendo que o país provoca uma má influência sobre a Ucrânia contra aqueles que afirmam sentir impacto positivo de Moscou sobre a Ucrânia.

Na Criméia, região anexada à Rússia em março na sequência de referendo, 93% das pessoas entrevistadas expressaram confiança em Putin e disseram que a Rússia exercia papel positivo sobre a península. Sua confiança no presidente dos EUA, Barack Obama, por outro lado, foi gravado em um sombrio 4%.

Em uma pesquisa realizada pela Pew paralelamente na Rússia no mês passado, 61% concordaram que há partes de países vizinhos que pertencem ao território russo. A dissolução da União Soviética em 1991 deixou muitas pessoas de etnia russa em outros países, incluindo uma faixa da Ucrânia oriental e meridional que Putin havia descrito como território historicamente russo. Em um outro eco de Putin, 55% dos entrevistados consideram o colapso da União Soviética como uma grande tragédia.

A pesquisa foi realizada na Ucrânia de 5 a 23 de abril com 1.659 adultos. Na Rússia, foi realizada entre 4 e 20 de abril com 1 mil adultos. Ambos têm uma margem de erro de cerca de 3,5 pontos percentuais.

*Com Reuters, BBC e AP

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