Partido governista lidera apuração nas eleições da África do Sul

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Eleições são as primeiras da geração 'nascida livre' no país; uma morte por tiros está sendo investigada na região natal de Zuma

Reuters

O partido governista da África do Sul, o Congresso Nacional Africano (CNA), assumiu uma clara liderança nesta quinta-feira (8) durante as primeiras eleições da geração "nascida livre" do país, que inclui eleitores sem recordações do período de governo da minoria branca terminado em 1994.

Ontem: África do Sul realiza a primeira eleição da geração nascida após apartheid

Reuters
Autoridades eleitorais separam cédulas nacionais e provinciais enquanto contagem começa em um posto de votação em Embo, oeste de Durban, África do Sul (7/05)


2013: Soweto reflete avanço da África do Sul quase 20 anos após eleição de Mandela

Autoridades eleitorais disseram estar investigando uma morte por tiros na zona rural de KwaZulu-Natal, região natal do atual presidente Jacob Zuma. O incidente foi um caso isolado e a votação transcorre pacificamente.

O CNA, movimento de liberação que assumiu o poder há duas décadas sob a liderança de Nelson Mandela, estava com 59,7% dos votos, com dois terços das urnas apuradas, de acordo com a Comissão Eleitoral Independente.

O rival mais próximo, a Aliança Democrática, tinha 26,7%, confirmando previsões de que o partido melhoraria seu resultado de cinco anos atrás, quando conquistou 16,7% dos votos, gradualmente se distanciando de sua imagem de base política de brancos privilegiados.

Os Combatentes pela Liberdade Econômica, grupo de extrema esquerda liderado por Julius Malema, um político populista expulso do CNA, estava em terceiro lugar, com 4,3%. As pesquisas de intenção de voto indicavam que o CNA obteria 65% dos votos, um pouco abaixo dos 65,9% que conquistou na eleição de 2009, que levou Zuma ao poder.

Eleições sem Mandela

A África do Sul realizou na quarta-feira (7) a primeira eleição com a participação da geração nascida após o apartheid, e as pesquisas já indicavam prestígio do partido governista.

O apoio ao CNA surpreendeu os analistas, que um ano atrás diziam que o partido poderia penar nas urnas, já que o seu passado glorioso virou história e os eleitores se concentraram no lento crescimento econômico e na série de escândalos que caracterizaram o primeiro mandato de Zuma.

A economia mais sofisticada da África enfrentou dificuldades para se recuperar da recessão de 2009 - a sua primeira desde o fim do apartheid em 1994 - e os esforços do CNA para estimular o crescimento e lidar com os 25% de desemprego foram prejudicados por poderosos sindicatos.

O principal organismo anticorrupção do país acusou Zuma neste ano de "se beneficiar irregularmente" de uma reforma paga pelo Estado em sua casa particular em Nkandla no valor de 23 milhões de dólares, cerca de 51 milhões de reais, que incluiu uma piscina e um galinheiro.

A taxa de aprovação pessoal de Zuma caiu desde as revelações. Mas, em uma entrevista coletiva nesta semana para concluir a campanha do CNA, o líder de 72 anos minimizou as insinuações de que o imbróglio esteja prejudicando o partido.

"Não estou preocupado com (a casa em) Nkandla", disse Zuma. "O povo não está preocupado com isso. Acho que as pessoas que estão preocupadas com isso são vocês, a mídia, e a oposição".

Leia tudo sobre: eleicoes na africa do sulmandelacnaapuracaournaszuma

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas