Guarda avançou sobre reduto dos ativistas na madrugada desta quinta (8). Ministro classificou acampamentos como 'violentos'

Reuters

A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela avançou na madrugada desta quinta-feira (8) sobre os últimos redutos dos protestos antigoverno, onde estudantes estavam acampados, e deteve 243 jovens, numa ação que visa sufocar a pior onda de manifestações no país em mais de década.

Violência: ONG denuncia violação dos direitos humanos na Venezuela

Mulher chora no acampamento de ativistas que foi desmantelado pela Guarda Nacional da Venezuela, na Praça Bolívar, em Caracas
Reuters
Mulher chora no acampamento de ativistas que foi desmantelado pela Guarda Nacional da Venezuela, na Praça Bolívar, em Caracas


Manifestações: Venezuela diz que 58 estrangeiros foram presos durante protestos

Desde as 3h, horário local, centenas de policiais da GNB fortemente armados tomaram quatro acampamentos onde os opositores mantinham uma "resistência pacífica" havia algumas semanas, como alternativa aos violentos protestos que custaram a vida de 41 pessoas desde que começaram, em fevereiro.

"Havia evidência de que destes locais estavam saindo grupos mais violentos para cometer atos terroristas: incendiar cabines de metrô, incendiar viaturas da polícia", afirmou o ministro do Interior e Justiça, Miguel Rodríguez, à televisão estatal.

Veja fotos da violência na Venezuela

Leia também: Ex-chefe de Inteligência é morto na Venezuela

O ministro, que classificou os acampamentos como "violentos", assegurou que os direitos dos detidos foram respeitados, já que organizações não governamentais (ONGs), como a Human Rights Watch, relataram recentemente que o Estado venezuelano violou sistematicamente as garantias dos manifestantes durante os protestos.

Rodríguez declarou que nos acampamentos foram encontradas armas, drogas e explosivos. Entretanto, uma das pessoas detidas negou a versão oficial em uma mensagem de texto à Reuters.

"Fomos brutalmente reprimidos. Agora apresentam desculpas como drogas e armas. Faço um pedido de auxílio ao mundo para que observe esta ditadura", disse Francia Cacique, de 24 anos, coordenadora de um dos acampamentos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.