Local era chave para o levante contra as forças do governo de Bashar al Assad; saída aconteceu por meio de acordo da ONU

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Caiu a cidade de Homs – um dos principais bastiões rebeldes na Síria. Ela havia sido chave para o levante contra as forças do governo Bashar al Assad.

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Tomada de Homs ajuda a consolidar domínio do governo sobre oeste e centro da Síria
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Tomada de Homs ajuda a consolidar domínio do governo sobre oeste e centro da Síria


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Na quarta-feira (7), os combatentes rebeldes se retiraram do centro histórico da cidade, onde mantinham seu último foco de resistência. A saída foi possibilitada graças a um acordo firmado por meio de negociação da ONU com o governo e os rebeldes.

A retirada marca o fim de três anos de resistência e fortes combates nessa cidade de grande importância política e estratégica. Ela era controlada pela oposição desde o início da guerra civil. Mas qual será o impacto da queda da cidade na campanha Síria?

Por que Homs é importante?

Homs é a terceira maior cidade da Síria. Foi lá que milhares de pessoas se reuniram para participar de manifestações de grandes proporções no início da crise em 2011 – quando houve intensa repressão por parte das forças de segurança.

Desde então grande parte de Homs foi caindo nas mãos das forças da oposição. Mas durante os últimos dois anos o Exército sírio foi recuperando a maioria dos distritos usando bombardeios, combates e impedindo a chegada de ajuda para os rebeldes.

No fim, os rebeldes só tinham o controle do centro histórico e do bairro de Al Wair. Para o governo de Bashar al Assad, entretanto, a importância de Homs vai além.

"Homs está localizada quase na metade do caminho entre Damasco e Alepo e perto do Líbano", afirmou Feras Killani, jornalista do serviço árabe da BBC. "É a principal via de comunicação entre a capital e o oeste do país. Por isso Assad foi implacável em sua luta para recuperar o controle da cidade". "Essa é uma grande vitória para Assad".

Como aconteceu a saída dos rebeldes?

A retirada dos rebeldes foi realizada por meio de um acordo propiciado pelas Nações Unidas após meses de negociações entre representantes da oposição e do governo. O acordo envolveu transportar em ônibus os combatentes armados da cidade para o norte, escoltados por veículos da ONU.

No início do ano havia sido negociado outro acordo para retirar 1.400 civis do centro histórico, também sob a supervisão das Nações Unidas e do Crescente Vermelho.

Mas a retirada desta quarta-feira, de mais 2.000 pessoas, incluiu somente militares e suas famílias. Cada um recebeu permissão para viajar com um fuzil e uma mala com seus pertences.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute, Paul Wood, muitos rebeldes e suas famílias resistiram até o último momento em Homs, mas finalmente tiveram que ceder depois de dois anos sitiados em uma tática que os oficiais do Exército sírio chamavam de "render-se ou morrer de fome".

A terceira parte do acordo será a retirada das tropas rebeldes do distrito de Al Waer, no noroeste de Homs, segundo Feras Killani. "Mas o trato estabelece que toda a cidade de Homs seja esvaziada".

Para onde os rebeldes estão sendo transportados?

"Agora restaram as zonas de Alepo sob controle rebelde, por isso é provável que nos próximos dias os combates do governo se concentrem nessa cidade", disse Killani.

O primeiro grupo de combatentes foi transportado para as cidades de Talbisah e Ar Rastan, a cerca de 20 quilômetros ao norte de Homs. Ambas as localidades são controladas pelos rebeldes.

"A ideia de Assad é concentrar todos os rebeldes nessas localidades e empurra-los gradualmente para o norte do país", disse Killani. Dessa forma, o governo atingiria seu objetivo atual de controlar o ocidente da Síria.

Segundo o acordo, em troca da saída de rebeldes de Homs o acordo prevê a entrada de ajuda humanitária em duas cidades de maioria xiita no norte do país que são leais a Assad: Nubul e Zahraa – e que estão sitiadas pelos rebeldes. O trato incluía ainda que os rebeldes libertassem reféns que vinham sendo mantidos em Alepo.

Este é o fim da resistência síria?

Não. Como explica Feras Kiralli, "uma das facções da oposição, a Frente Nusra – que estaria filiada à al-Qaeda – tentou repetidas vezes impedir o processo de retirada e evitar o acordo. Para isso realizou vários ataques suicidas nos últimos dias". Além disso, os rebeldes ainda mantém sob seu poder a região de Alepo.

Qual será o impacto no governo de Bashar Assad?

O governo de Bashar Assad está consolidando gradualmente seu controle nos arredores da capital Damasco, no oeste e na região central do país. A tomada de Homs é um grande passo nessa direção. Porém os extremistas supostamente ligados à al-Qaeda estão consolidando posições no norte do país.

"O certo é que essa é uma vitória enorme para Assad que ocorre dias antes das eleições presidenciais da Síria. Na minha opinião ele permanecerá no poder pelos próximos cinco anos", disse Feras Killani.

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