Rússia retira suas tropas da fronteira com a Ucrânia, segundo Putin

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Militares dos EUA, porém, negam movimentação dos soldados; ativistas reafirmam intenção de realizar referendo no domingo

A Rússia retirou suas tropas da fronteira com a Ucrânia, declarou Vladimir Putin a diplomatas nesta quarta-feira (7). Além disso, o presidente russo pediu que insurgentes no sudeste ucraniano adiem referendo planejado para domingo (11).

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AP
O presidente russo Vladimir Putin, à dir., se encontra com o presidente suíço Didier Burkhalter no Kremlin em Moscou, Rússia


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Os militares dos EUA, porém, disseram não terem visto nenhum sinal da retirada das tropas russas.

"Não vimos nenhuma mudança na postura das forças russas ao longo da fronteira com a Ucrânia", afirmou porta-voz do Pentágono, o coronel do Exército dos EUA Steve Warren. Sem comentar sobre a forma como os EUA está monitorando a atividade ao longo da fronteira, Warren disse que "nós saberíamos" se as tropas estivessem em movimento.

Em uma reunião realizada em Moscou com o presidente suíço Didier Burkhalter, Putin disse que as tropas russas foram retiradas de seus campos de treinamento e locais para "exercícios regulares". Mas um porta-voz do ministério da Defesa se ​​recusou a dizer onde as tropas estavam posicionadas.

Putin também pediu aos militares da Ucrânia para suspenderem todas as operações contra ativistas pró-Rússia que tomaram prédios do governo e delegacias de polícia em dezenas de cidade ao leste do país.

A Ucrânia lançou uma ofensiva do governo na semana passada para retomar o controle desses prédios em cidades controladas pelos insurgentes. Ao menos 35 pessoas, incluindo muitos rebeldes, morreram na ofensiva, de acordo com o governo. Muitos temiam que a votação de domingo por mais autonomia na região pudesse se transformar em uma série de atos violentos entre rebeldes e tropas ucranianas.

"Acreditamos que o mais importante é criar o diálogo direto de pleno direito entre as autoridades de Kiev e os representantes do sudeste da Ucrânia", disse Putin. "Por isso, pedimos que os representantes da Ucrânia ao leste adiem o referendo do dia 11 de maio, a fim de criar as condições necessárias para esse diálogo."

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. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Sábado: Rebeldes derrubam helicóptero militar ucraniano

Apesar dos comentários do presidente da Rússia, os militantes pró-russos que, autodenominam a região como República Popular Donetsk, disseram que o referendo ainda será realizado no domingo.

Putin também descreveu a eleição presidencial programada para o dia 25 de maio como um movimento "na direção certa", e disse que sua conversa com Burkhalter, que é o presidente em exercício da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, encorajou-o, dizendo que "as nossas abordagens (para a Ucrânia) coincidem. "

O líder russo ainda repetiu que as reformas constitucionais devem preceder qualquer sistema eleitoral na Ucrânia. Em Berlim, um candidato à presidência ucraniana afirmou estar preparado para negociar a descentralização do poder enquanto insurgentes pró-Rússia no leste exigissem. Mas Petro Poroshenko, magnata bilionário dos chocolates, acrescentou que alguns insurgentes na região leste entendem apenas "a linguagem da força."

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As nações americanas e europeias têm aumentado esforços diplomáticos antes da eleição presidencial enquanto a insurgência torna o leste do país cada vez mais perigoso para jornalistas e observadores internacionais.

Sete observadores militares internacionais com uma missão da OSCE foram feitos reféns por rebeldes separatistas na cidade oriental de Slovyansk em 25 de abril e liberada apenas no último sábado (3). Tanto a Rússia quanto o Ocidente manifestaram serem favoráveis para que a OSCE desempenhasse um papel maior no desarme das tensões na Ucrânia.

Em Kiev, a capital ucraniana, Jeffrey Feltman, subsecretário-geral da ONU para assuntos políticos, se reuniu com o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, nesta quarta, depois de visitar Moscou um dia antes. O secretário das relações Exteriores britânico, William Hague, também chegou a falar com ambos os líderes.

Em um sinal de compromisso das autoridades em Kiev, Pavel Gubarev, o auto-proclamado "prefeito do povo" que foi detido pelas autoridades ucranianas em março foi libertado nesta quarta e visto em Slovyansk.

*Com AP

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