Justiça da Tailândia destitui primeira-ministra

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Tribunal considerou Yingluck Shinawatra culpada por abuso de poder ao transferir o cargo de um alto funcionário do governo

A primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, foi destituída de seu cargo após decisão da justiça nesta quarta-feira (7). A decisão teve gosto de vitória para os manifestantes anti-governo que realizaram protestos por seis meses nas ruas, mas ainda é pouco para resolver a crise política do país.

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AP
Yingluck Shinawatra cumprimenta seus partidários em Bangcoc, Tailândia


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O Tribunal Constitucional considerou Yingluck culpada por abuso de poder ao transferir o cargo de um alto funcionário do governo para outra posição, em 2011. A justiça decidiu que a transferência foi realizada para beneficiar sua família politicamente poderosa e, portanto, violou a Constituição - acusação que ela nega.

Com a decisão, nove membros do gabinete também perderam seus cargos. Outras dezenas de ministros, porém, foram mantidos em suas funções, incluindo o vice-premiê Niwattumrong Boonsongpaisan, que foi rapidamente nomeado líder interino.

"A transferência de funcionários do governo deve ser feita de acordo com o princípio moral", disse o tribunal em sua decisão, lida em voz alta ao vivo na televisão por quase 90 minutos. "Transferir por meio de uma agenda oculta não é aceitável."

Sorrindo e com um olhar relaxado, Yingluck apareceu ao vivo na televisão nacional, duas horas após o veredito, para agradecer seus partidários, enfatizar que ela era uma líder eleita e reafirmar a sua inocência.

"Nós nos mantivemos fiéis aos princípios de honestidade na gestão do país, e nunca agimos de forma corrupta, como fomos acusados​​", disse Yingluck, 46 anos, que chegou ao poder há quase três anos.

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O julgamento marca a última reviravolta dramática na longa crise política da Tailândia. Foi uma vitória para os opositores de Yingluck, a maioria da elite urbana e do sul, que tem se empenhado em protestos de rua, às vezes violentos, exigindo que ela abrisse mão do cargo e desse lugar a um líder interino.

No entanto, a decisão deixa o país no limbo político e entregue a violência. Desde novembro, mais de 20 pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas em esporádicas batalhas armadas, tiroteios e ataques com granadas. Além disso, a decisão do tribunal põe em dúvida se as novas eleições previstas para Julho realmente acontecerão.

"O veredito de hoje é apenas um impacto na estrada da democracia, mas ainda vamos continuar caminhando”, disse Jatuporn Prompan, líder do movimento pró-Yingluck. "Nossa posição tem sido clara. Se houver um golpe de Estado, vamos lutar."

Também não ficou claro se os adversários da premiê deposta serão capazes de alcançar outras demandas importantes, incluindo a criação de um conselho de reforma supervisionado por um líder de sua escolha que irá realizar várias etapas para livrar o país da corrupção.

Yingluck e seu partido Pheu Thai continuam populares entre a maioria pobre do país, especialmente no norte e nordeste. Mas ela é desprezada pela classe média e alta de Bangcoc, onde é tida como um fantoche de seu irmão, Thaksin Shinawatra, ex-primeiro-ministro e figura polarizadora.

A agitação política da Tailândia começou em 2006, quando Thaksin foi deposto por meio de golpe militar após protestos que o acusaram de corrupção, abuso de poder e desrespeito pela constituição nacional. Analistas consideram a decisão da justiça prejudicial à Tailândia.

"A credibilidade do sistema de justiça tem vaporizado", disse Thongchai Winichakul, professor de História do Sudeste Asiático na Universidade de Wisconsin. "Os conservadores monarquistas podem celebrar este golpe judicial. Mas o mundo vai lamentar a morte de outra democracia."

Em 2007, o Tribunal Constitucional fez uma decisão histórica dissolvendo o partido original Thai Rak Thai de Thaksin por fraude nas eleições de 2006 e proibindo seus executivos de se candidatarem por cinco anos. Thaksin foi para o exílio auto-imposto em 2008 para escapar de uma sentença de prisão de dois anos por conflito de interesses.

*Com AP

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