Segundo a porta-voz dos separatistas no leste, Irina Voropaeva, forças armadas atacaram barricadas nos arredores da cidade

Cinco ativistas pró-russos foram mortos na noite de terça (6), quando forças armadas ucranianas atacaram barricadas nos arredores da cidade de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, a porta-voz dos pró-Rússia, Irina Voropaeva, informou nesta quarta-feira (7).

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Familiares em velório de três combatentes e um civil que morreram em confrontos entre as forças ucranianas e separatistas pró-russos na segunda, em Slovyansk, Ucrânia
Reuters
Familiares em velório de três combatentes e um civil que morreram em confrontos entre as forças ucranianas e separatistas pró-russos na segunda, em Slovyansk, Ucrânia


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Outros 15 manifestantes foram detidos pelas forças da Ucrânia, afirmou a porta-voz. A violência ocorre em meio a uma escalada de tensões enquanto forças armadas ucranianas procuram recuperar o controle de alguns dos edifícios administrativos ocupados por separatistas no sul e leste do país.

Mais tarde, nesta quarta, testemunhas disseram à CNN que homens das forças ucranianas vestidos de preto haviam disparado nos separatistas que haviam ido a delegacia de Mariupol para exigir a libertação de 15 ativistas detidos.

Essas testemunhas disseram que várias pessoas foram levadas feridas em ambulâncias. Em outras partes da região de Donetsk, impasse continua entre os militares ucranianos e separatistas. Ambos os lados se enfrentaram no reduto rebelde de Slovyansk na segunda. Segundo o serviço de segurança da Ucrânia, 30 militantes "fortemente armados" haviam sido mortos nos últimos dias, como parte da operação "anti-terrorista".

Referendo

À medida que as tensões aumentam, crescem também as incertezas. As regiões orientais de Donetsk e Luhansk afirmam que realizarão um referendo sobre a autonomia das áreas neste domingo (11), mas não há preparações visíveis para a votação.

Enquanto isso, o governo interino em Kiev planeja realizar eleições presidenciais em 25 de maio -mas reconhece que perdeu o controle de parte do país.

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O chanceler russo, Sergey Lavrov, disse na terça que seria "incomum" realizar uma eleição presidencial no país, quando o exército estava sendo implantado contra sua própria população. Lavrov, que falou com jornalistas após uma reunião do Conselho de ministros das Relações Exteriores europeus na Áustria, também descartou um segundo encontro internacional para tentar resolver a crise na Ucrânia, dizendo que as disposições de um primeiro pacto internacional assinado em Genebra, na Suíça, no mês passado ainda não haviam sido postas em vigor.

Nesta quarta, o ministério de Relações Exteriores da Rússia fez um apelo, por meio de comunicado, ao governo ucraniano para que interrompa imediatamente "o uso da força contra seu próprio povo".

"A autoridade ilegítima em Kiev está cruelmente pisando em direitos amplamente reconhecidos, com a conivência de seus patronos ocidentais", afirmou.

Rússia e EUA

Nesta quarta, Moscou informou que companhias dos Estados Unidos estão sofrendo pressão para não participar de um fórum econômico anual sediado pelo presidente Vladimir Putin e que é uma resposta do país ao Fórum Econômico Mundial em Davos.

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O Fórum Econômico de São Petersburgo, a ser realizado de 22 a 24 de maio, é geralmente frequentado por presidentes-executivos de grandes empresas dos EUA, assim como chefes de outras companhias internacionais, mas o governo dos EUA disse que não é apropriado para eles marcarem presença neste ano por conta da crise na Ucrânia.

"Como sabemos, muitas companhias dos EUA enfrentaram pressão direta sem precedentes… elas estão decidindo se vão ou não ao fórum, mas não estão decidindo sozinhas", afirmou o secretário de imprensa de Putin, Dmitry Peskov, à agência de notícias RIA.

Ele disse que Putin não alterou sua agenda para o fórum, cuja intenção é cortejar investidores. Putin deve fazer o discurso principal no fórum.

Já o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse na semana passada que representantes do governo dos Estados Unidos estavam discutindo o fórum com líderes empresariais, e deixaram claro que ir ao evento não seria apropriado dadas as "flagrantes violações à integridade do território nacional".

Algumas companhias e pessoas da Rússia foram alvo de sanções por causa dos eventos na Ucrânia. Moscou nega estar por trás dos eventos nas regiões orientais do país.

Ameaça

A União Europeia fez um apelo à Rússia que evite agravar a crise na Ucrânia, do contrário será alvo de mais sanções. A UE também disse que quer continuar as negociações sobre um acordo de livre comércio com o Japão, que as autoridades consideram crucial para o crescimento econômico.

"Nós pedimos à Rússia que evite adotar novas medidas para desestabilizar ainda mais a Ucrânia, em vez de se engajar em uma solução diplomática da crise", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy em uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro japonês.

"Novas ações para desestabilizar a Ucrânia vão requerer sanções adicionais", disse Van Rompuy.

*Com CNN e Reuters

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