Voos internacionais foram suspensos enquanto o governo de Kiev luta para expulsar as forças anti-governo de cidade-chave

Em Donetsk, cidade a 120 km ao sul de Slovyansk que se tornou o principal ponto de resistência dos rebeldes pró-russos no leste da Ucrânia, os voos internacionais foram suspensos pelo governo ucraniano nesta terça-feira (6). 

Ativista pró-russos armado vigia barricada em uma estrada que conduz a Slovyansk, no leste da Ucrânia (5/05)
AP
Ativista pró-russos armado vigia barricada em uma estrada que conduz a Slovyansk, no leste da Ucrânia (5/05)


Nesta terça, o ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, informou, por meio de seu Facebook, que 30 insurgentes pró-Rússia e quatro soldados do governo de Kiev foram mortos durante as operações para expulsar as forças anti-governamentais na cidade oriental chave da Ucrânia.

No sudoeste do país, autoridades de Kiev também tentaram retomar o controle sobre Odessa, região chave do Mar Negro, nomeando novo governador. Avakov acrescentou ainda que 20 soldados do governo também ficaram feridos durante os combates em Slovyansk, cidade de 125 mil habitantes. Não ficou claro, porém, quando as mortes ocorreram.

O governo central do país também tentou restabelecer o controle sobre a região onde predomina a língua russa e 46 pessoas morreram na última sexta durante manifestações. Na confusão, um edifício foi incendiado e muitos morreram carbonizados.

Em um comunicado publicado no site do presidente, as autoridades de Kiev anunciaram que substituiriam o governador da cidade por um membro do parlamento Palytsya. No sábado, o chefe da polícia de Odessa foi demitido.

Operação antiterrorista

Tiroteios ao redor da cidade de Slovyansk na segunda foram o esforço mais ambicioso do governo interino de Kiev até o momento para acabar com semanas de violência no leste da Ucrânia, onde grande parte da população é formada por falantes da língua russa.

Na manhã desta terça, as forças ucranianas haviam tomado conta de um posto de controle chave no norte da cidade, o que representa um revés para as linhas insurgentes. O posto havia sido repetidamente atacado desde que a ofensiva começou.

A Ucrânia está enfrentando sua pior crise em décadas enquanto a nação polarizada de 46 milhões está dividia entre se voltar para a Europa, como suas regiões ocidentais querem fazer, ou melhorar as relações com a Rússia, que é a preferência das regiões de falantes de russo do país.

Veja fotos da ocupação russa na Ucrânia


Dezenas de escritórios do governo e delegacias de polícia no leste da Ucrânia foram ocupados por insurgentes armados e multidões anti-governamentais ao longo das últimas semanas.

Negociação com a Rússia

A Ucrânia está disposta a apoiar uma rodada de negociações em Genebra com o propósito de reduzir a crise política com a Rússia, com a condição de que Moscou apoie as eleições presidenciais marcadas para 25 de maio, disse o chanceler em exercício da Ucrânia, Andriy Deshchytsia, nesta terça.

"Se a Rússia estiver pronta para se comprometer em apoiar essas eleições, eliminar essa ameaça e eliminar o apoio a elementos extremistas na Ucrânia, nós estamos prontos para uma rodada de reuniões", afirmou Deshchytsia em uma coletiva após encontro do Conselho da Europa em Viena para discutir a crise na Ucrânia.

Deshchytsia informou que o governo poderia apoiar outra rodada de negociações em Genebra se todos as partes concordarem em implementar todos os documentos eventualmente acordados em tais reuniões. "Mas a prioridade para a Ucrânia é conduzir as eleições presidenciais."

O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse mais cedo em Viena que seria "incomum" conduzir uma eleição presidencial na Ucrânia enquanto o governo mobiliza o Exército contra partes de sua própria população. Lavrov explicou que os grupos de oposição na Ucrânia teriam que participar de qualquer rodada de negociações.

*Com Reuters e AP

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