Regras para mercado legal de maconha entram em vigor no Uruguai

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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País é o primeiro do mundo a legalizar a produção e a venda do produto; decreto entrou em vigor no país nesta terça-feira (6)

Agência Brasil

A partir desta terça-feira (6), a maconha poderá ser produzida e comercializada no Uruguai e o país terá um mercado regulamentado para o produto.

Sábado: Uruguai fixa compra de maconha para consumidor em 10 gramas por semana

AP
O presidente do Uruguai, José Mujica, faz uma pausa durante uma entrevista em sua casa, na periferia de Montevidéu, Uruguai (2/05)

Reflexo: Liberação da maconha no Uruguai reacende debate sobre drogas no Brasil

Na segunda, o presidente uruguaio, José Mujica, e o Conselho de Ministros do governo assinaram decreto que regulamenta a Lei 19.172– aprovada em dezembro do ano passado.

O consumo já era descriminalizado no Uruguai, mas o país é o primeiro do mundo a legalizar a produção e a venda do produto. O decreto estabeleceu as regras de produção, consumo, comercialização e as quantidades que poderão ser compradas por usuário – máximo de dez gramas por semana.

O preço máximo de cada grama deverá ser inferior a US$ 1 - cerca de R$ 2,20, e o gasto mensal não poderá ultrapassar US$ 35, aproximadamente R$ 78. Também foram estabelecidas quantidades para o cultivo em residências (seis plantas por domicílio) e a criação de associações que serão chamadas de clubes. O produto também poderá ser vendido em farmácias autorizadas pelo governo.

Os cultivadores autônomos deverão ser maiores de 18 anos e cadastrados para o plantio. Eles terão permissão para cultivar qualquer variedade de maconha, mas deverão registrar os cultivos no Instituto de Regulação e Controle da Canabis (Irca). O próprio governo plantará cinco variedades da planta, que serão comercializadas nas farmácias credenciadas.

A expectativa da Junta Nacional de Drogas do país é que até novembro a maconha possa ser vendida nas farmácias. Para regular a quantidade comprada, cada usuário deverá ser registrado por meio da impressão digital, medida adotada para proteger a identidade.

Confira fotos de ativistas uruguaios em marcha pela legalização da maconha 

Uruguaio fuma maconha durante marcha a favor da legalização (10/12). Foto: ReutersGrupo realizou marcha chamada ´Última demonstração com a maconha ilegal' nesta terça-feira (10/12). Foto: ReutersPessoas se dirigiram até o Congresso para esperar o anúncio da legalização da maconha (10/12). Foto: ReutersProjeto foi aprovado após 11 horas de discussão no Senado, após ter passado pela Câmara (10/12). Foto: ReutersMultidão aguardando decisão sobre a legalização da maconha (10/12). Foto: ReutersDurante marcha a favor da legalização da maconha, uruguaios mostravam símbolo da cannabis sativa (10/12). Foto: Reuters

O órgão estima que o mercado regulado deverá atender a 25% do mercado consumidor. No último sábado (3), o presidente Mujica deu detalhes sobre a regulamentação da lei, durante um pronunciamento, e voltou a relacionar o novo modelo estabelecido com a necessidade de combater o narcotráfico.

“Queremos dar um golpe no narcotráfico, tirando dele parte do mercado. Nenhum vício é bom, o único que sugiro aos jovens é o amor", disse Mujica, em pronunciamento publicado no site da Presidência do Uruguai.

O governo planeja abrir um concurso público na próxima quinzena para a concessão de licenças para a produção de maconha e a venda nas farmácias.

Com relação às regras de consumo, a lei proíbe fumar maconha em espaços fechados, ambientes de trabalho ou educativos, em áreas de saúde, no transporte público, em ambulâncias ou no transporte escolar.

Também não é permitido dirigir sob efeito da droga - em caso de suspeita, será feito teste de saliva. Além disso, não serão permitidos eventos que façam apologia ao uso da maconha ou que incentivem o consumo.

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