Grupos pró-russos e tropas ucranianas trocaram disparos nesta segunda (5); violência provocou incêndio e dezenas de mortes

Tropas ucranianas trocaram pesados disparos contra rebeldes pró-Rússia que ocupam prédio em uma cidade oriental do país nesta segunda-feira (5) em aparente esforço para trazer a região de volta ao controle do governo de Kiev. Enquanto isso, premiê acusa a Rússia de querer 'eliminar o nosso país'.

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Manifestantes pró-Rússia fazem guarda na entrada do prédio do conselho distrital em Donetsk, leste da Ucrânia (4/05)
Reuters
Manifestantes pró-Rússia fazem guarda na entrada do prédio do conselho distrital em Donetsk, leste da Ucrânia (4/05)


Violência: Mais de 40 morrem em incêndio e confrontos no sul da Ucrânia

"Este é o sinal de alerta para a reconciliação do país. Precisamos perceber que os russos pretendem eliminar o nosso país", disse o primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, em uma tentativa de reafirmar sua autoridade em Odessa, no leste, apelando pela unidade.

Enquanto isso, em Slaviansk, ao menos dois veículos blindados de transporte de pessoal e vários rebeldes fugiram nesta segunda de um duro confronto na periferia controlada por separatistas pró-russos. Disparos eram ouvidos quase continuamente e pareciam vir de mais perto do centro de Slaviansk, cidade do leste da Ucrânia, do que no dia anterior, disse um correspondente da Reuters.

Repórter da Associated Press também informou ter ouvido tiros e explosões nos arredores da cidade de 125 mil habitantes e que se tornou o foco da insurgência armada contra o novo governo interino de Kiev.

O ministro do Interior Arsen Avakov declarou, por meio do site de sua agência, que as forças pró-Rússia implantaram armas de grosso calibre e morteiros na região. As tropas do governo estavam enfrentando cerca de 800 insurgentes, disse ele.

Já o porta-voz dos militantes pró-Rússia em Slovyansk disse que um número não especificado de pessoas tem sido mortas nos confrontos, incluindo uma mulher na casa dos 20 anos vítima de uma bala perdida. Ambos os lados indicavam que a luta estava ocorrendo em vários locais ao redor da cidade.

Equipes da Associated Press viram pelo menos quatro ambulâncias correndo com os feridos para um hospital da cidade. Pelo menos um miliciano foi visto sendo transportado para ser tratado.

Manifestantes invadem sede da polícia em Odessa

A multidão ficou na chuva gritando, pedindo liberdade aos simpatizantes pró-russos detidos no interior da delegacia de polícia no domingo (4). Logo portas e janelas foram quebradas - e alguns dos manifestantes seguiram até o pátio no interior do edifício.

A polícia que estava no local não tentou detê-los. Ao invés disso, ofereceram um acordo: os detidos seriam liberados se todos fossem para suas respectivas casas. Os 77 supostos inimigos do Estado da Ucrânia, então, caminharam livre pelo portão da saída. Outra vitória para uma multidão violenta no leste ucraniano. Outra humilhação para as autoridades estaduais.

A 'tempestade' que ocorreu domingo na delegacia de Odessa - apenas dois dias depois que mais de 40 pessoas foram mortas em uma batalha de rua na cidade portuária do Mar Negro - foi mais um exemplo de como os novos líderes da Ucrânia estão em apuros, lutando para manter a lei e a ordem no sul e leste do país.

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E levanta ainda questões sobre a capacidade do exército e da polícia ucraniana para enfrentar uma revolta que Kiev diz estar sendo apoiada por Moscou - acusação que o Kremlin nega.

Os homens liberados no domingo haviam sido detidos no fim de semana depois de confrontos sangrentos entre apoiadores e opositores da Rússia em Odessa na sexta, que terminou em um incêndio mortal: 46 pessoas foram mortas durante a onda de violência, a mais sangrenta onda de ataques desde a destituição do presidente pró-russos Viktor Yanukovych, em fevereiro.

Vídeo postado no YouTube mostra partidários do governo de Kiev jogando coquetéis molotov no prédio onde separatistas pró-russos ocupam. As imagens, que a CNN não pôde confirmar de forma independente, mostraram pessoas sentadas em bordas tentando escapar do fogo e uma fumaça espessa no local.

Crise 

A Ucrânia está enfrentando sua pior crise em décadas enquanto a nação polarizada de 46 milhões de pessoas está dividida entre olhar para a Europa, como suas regiões ocidentais querem fazer, ou melhorar as relações com a Rússia, opção favorecida por muitos falantes russo no leste.

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Nas últimas semanas, forças anti-governamentais invadiram e tomaram prédios do governo e delegacias de polícia em dezenas de cidades do leste da Ucrânia. As autoridades de Kiev - que culpam a Rússia por apoiar os insurgentes - têm até agora sido em grande parte impotente para reagir.

A Rússia mantém dezenas de milhares de soldados ao longo da fronteira leste da Ucrânia - e anexou península chave no Mar Negro, a Crimeia, no mês passado - o governo central da Ucrânia teme Rússia poderia tentar invadir e conquistar mais território.

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Desde que o governo começou a tentar tomar de volta os edifícios final da semana passada, Slovyansk tem estado sob um cordão de segurança apertado. Movimento dentro e fora da cidade tem terreno quase a uma parada, provocando a escassez de suprimentos básicos. Linhas de ter sido visto em supermercados.

*Com AP, Reuters e CNN

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