ONG denuncia violação dos direitos humanos na Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Human Rights Watch (HRW) diz que ativistas foram sujeitos a abusos físicos e psicológicos graves durante onda de protestos

Os juízes e procuradores na Venezuela têm ignorado repetidamente as evidências de abusos sistemáticos dos direitos humanos por parte das forças de segurança do governo, disse grupo proeminente de direitos humanos nesta segunda-feira (5).

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AP
Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em uma motocicleta enquanto forças de segurança dispersam ativistas anti-governo em Caracas, Venezuela (fev/2014)


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Em seu relatório, a ONG Human Rights Watch (HRW) afirma que dezenas de manifestantes desarmados foram sujeitos a abusos físicos e psicológicos graves durante os protestos que assolaram o país e deixaram pelo menos 41 mortos desde fevereiro. Os abusos incluem ossos quebrados, negação de tratamento médico e ameaças de estupro ou morte.

A organização de Nova York comunica que ao menos dez casos são graves o suficiente para serem considerados tortura. O relatório é baseado em visitas a Caracas, capital do país, e aos estados venezuelanos de Carabobo, Lara e Miranda em março.

O governo da Venezuela acusa os manifestantes de serem autores da maior parte da violência e abusos e diz que 15 funcionários estão sendo investigados por supostas violações de direitos humanos. A Human Rights Watch observou que o governo diz que cerca de 200 membros das forças de segurança e funcionários também foram feridos e pelo menos 20 foram mortos.

Veja galeria de fotos sobre a onda de violência na Venezuela

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

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Mas que ainda assim "a escala de violações de direitos que encontramos na Venezuela e com a colaboração das forças de segurança e oficiais de justiça em cometê-los mostra estes não são incidentes isolados ou excessos de atos desonestos", de acordo com José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW. "Ao invés disso, eles fazem parte de um padrão alarmante de abuso que é o pior que já vi na Venezuela nos últimos anos."

Ele disse que a Venezuela deve acabar com os abusos contra os direitos humanos, investigar os que já ocorreram e levar os responsáveis à justiça. Os atos de violência e abusos cometidos por manifestantes também devem ser investigados e devidamente levados punidos, sugeriu Vivanco.

O diretor também pediu à comunidade internacional, especialmente à União das Nações da América do Sul, a Unasul, que fale com o governo venezuelano para 'condenar energicamente' os abusos.

Nicolás Maduro disse considerar os protestos em curso parte de um plano a ser realizado por grupos de extrema direita com o objetivo de provocar a derrubada de seu governo.

*Com AP

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