Human Rights Watch (HRW) diz que ativistas foram sujeitos a abusos físicos e psicológicos graves durante onda de protestos

Os juízes e procuradores na Venezuela têm ignorado repetidamente as evidências de abusos sistemáticos dos direitos humanos por parte das forças de segurança do governo, disse grupo proeminente de direitos humanos nesta segunda-feira (5).

Manifestações: Venezuela diz que 58 estrangeiros foram presos durante protestos

Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em uma motocicleta enquanto forças de segurança dispersam ativistas anti-governo em Caracas, Venezuela (fev/2014)
AP
Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em uma motocicleta enquanto forças de segurança dispersam ativistas anti-governo em Caracas, Venezuela (fev/2014)


Leia também: Ex-chefe de Inteligência é morto na Venezuela

Em seu relatório, a ONG Human Rights Watch (HRW) afirma que dezenas de manifestantes desarmados foram sujeitos a abusos físicos e psicológicos graves durante os protestos que assolaram o país e deixaram pelo menos 41 mortos desde fevereiro. Os abusos incluem ossos quebrados, negação de tratamento médico e ameaças de estupro ou morte.

A organização de Nova York comunica que ao menos dez casos são graves o suficiente para serem considerados tortura. O relatório é baseado em visitas a Caracas, capital do país, e aos estados venezuelanos de Carabobo, Lara e Miranda em março.

O governo da Venezuela acusa os manifestantes de serem autores da maior parte da violência e abusos e diz que 15 funcionários estão sendo investigados por supostas violações de direitos humanos. A Human Rights Watch observou que o governo diz que cerca de 200 membros das forças de segurança e funcionários também foram feridos e pelo menos 20 foram mortos.

Veja galeria de fotos sobre a onda de violência na Venezuela

Solução: Fragilidades do governo e da oposição emperram diálogo na Venezuela

Mas que ainda assim "a escala de violações de direitos que encontramos na Venezuela e com a colaboração das forças de segurança e oficiais de justiça em cometê-los mostra estes não são incidentes isolados ou excessos de atos desonestos", de acordo com José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW. "Ao invés disso, eles fazem parte de um padrão alarmante de abuso que é o pior que já vi na Venezuela nos últimos anos."

Ele disse que a Venezuela deve acabar com os abusos contra os direitos humanos, investigar os que já ocorreram e levar os responsáveis à justiça. Os atos de violência e abusos cometidos por manifestantes também devem ser investigados e devidamente levados punidos, sugeriu Vivanco.

O diretor também pediu à comunidade internacional, especialmente à União das Nações da América do Sul, a Unasul, que fale com o governo venezuelano para 'condenar energicamente' os abusos.

Nicolás Maduro disse considerar os protestos em curso parte de um plano a ser realizado por grupos de extrema direita com o objetivo de provocar a derrubada de seu governo.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.