Líder do Boko Haram ameaça 'vender' jovens raptadas na Nigéria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Em vídeo, homem se intitula Abubakar Shekau e diz ter ouvido pedido de Alá para comercializar as alunas, raptadas em abril

Um homem que se intitula líder do Boko Haram, grupo islâmico que supostamente raptou alunas de uma escola secundária na Nigéria, diz que vai vender as mais de 200 meninas para um grupo militante islâmico, em vídeo divulgado nesta segunda-feira (5).

Desespero: Pais de alunas raptadas protestam contra demora nas negociações

Reuters
Mulher participa de um protesto exigindo a libertação de meninas da escola secundária que foram raptadas da aldeia de Chibok, Nigéria


Abril: Pais se desesperam com falta de notícias sobre as filhas sequestradas na Nigéria

"Eu raptei suas meninas. Vou vendê-las no mercado, por Alá", afirmou homem que diz ser Abubakar Shekau, de acordo com tradução da CNN. "Há um mercado para a venda de seres humanos. Alá diz que eu deveria vender. Ele me mandou vendê-las."

O vídeo de quase uma hora de duração, obtido pela agência de notícias France Press, parece ser a primeira confirmação pública de que o Boko Haram raptou as jovens no último dia 14 de abril, no nordeste da Nigéria.

De acordo com relatos, membros armados do Boko Haram oprimiram os seguranças da escola de meninas em Chibok, as conduziu para fora de seus quartos e obrigaram-nas a subir em caminhões. O comboio, em seguida, desapareceu na densa floresta na fronteira com Camarões.

Sequestro: Paradeiro de alunas sequestradas de escola na Nigéria ainda é mistério

Na sexta, as autoridades nigerianas atualizaram o número de meninas sequestradas para 276. Pelo menos 53 das meninas fugiram, deixando 223 nas mãos de seus algozes, segundo a polícia.

Manifestações

Líder de uma manifestação pelas 276 estudantes desaparecidas afirmou que a primeira-dama da Nigéria ordenou a prisão dela e de outra líder de movimentos populares, nesta segunda, expressando suas dúvidas sobre a oridem do suposto sequestro e acusando o governo de pertencer ao grupo islâmico acusado pelo crime. O escritório da Primeira-dama desmentiu qualquer ordem de prisão.

Saratu Angus Ndirpaya, da cidade de Chibok, disse que agentes do Serviço de Segurança do Estado a levou e conduziu a outra líder dos protestos, Naomi Mutah Nyadar, para delegacia de polícia após reunião que durou toda a noite de domingo (4) na casa de campo presidencial em Abuja.

Ela disse que a polícia imediatamente a soltou, mas que Naomi permanece detida. O Superintendente Adjunto Daniel Altine, porta-voz da polícia em Abuja, disse que não tinha informações sobre o ocorrido, mas que iria investigar.

Ayo Adewuyi, porta-voz da Primeira-dama Patience Jonathan, disse que realmente houve uma reunião, mas que não tinha conhecimento de quaisquer detenções. "A primeira-dama não ordenou a prisão de ninguém, tenho certeza disso", afirmou à AP.

Mas Ndirpaya afirmou que Patience a acusou de forjar os sequestros. "Ela disse tantas mentiras, que nós só gostaríamos de denegrir o governo da Nigéria, que não queremos apoiar o governo de seu marido", disse ela em uma entrevista por telefone com a Associated Press.

Ela disse que outras mulheres na reunião aplaudiram e gritaram "sim, sim", quando Patience acusou Saratu e Naomi de pertencer a Boko Haram.

"Eles disseram que nós somos do Boko Haram, e que a Nyadar é membro de Boko Haram." Ela afirmou não ter nenhuma filha no grupo de raptadas, mas que apoia as mães das alunas que desapareceram.

Em uma matéria sobre a reunião, o jornal Daily Trust informou que a primeira-dama deu ordem para acabar com as manifestações e ameaçou o grupo, sugerindo que "se alguma coisa acontecer com eles durante os protestos, eles devem culpar a si mesmos." Ainda não está claro se Patience realmente deu essas ordens.

Os manifestantes também disseram estar preocupados com duas outras pessoas que também teriam participado da reunião: a diretora da escola onde as meninas foram sequestradas, Asabe Kwambura, e o presidente do governo local da cidade, Bana Lawal.

"Eles deveriam ter se encontrado conosco nesta manhã, mas foram vistos pela última vez no villa (presidencial), e nós suspeitamos que eles podem estar sendo mantidos lá para serem impedidos de falar", disse Tsambido Oséias Abana, presidente da comunidade Chibok em Abuja, que tem uma irmã e três sobrinhas entre as meninas desaparecidas.

Alguns nigerianos acusaram o governo de insensibilidade para a situação das meninas e não fazer o suficiente para resgatá-los.

*Com AP e CNN

Leia tudo sobre: sequestro na nigeriaboko haramalaalunaschibok

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas