Chuvas e falta de dinheiro ameaçam prédios medievais italianos

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Obras sofrem danos consideráveis em várias partes do país. Ala do Castelo de Frinco em Asti, norte do país, caiu em fevereiro

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Vários lugares históricos da Itália, inclusive fortes e castelos medievais, estão ameaçados pela falta de recursos para mantê-los e também por chuvas constantes que desgastam os edifícios centenários.

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Marcelo Crescenti
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Obras que já sofreram danos consideráveis podem ser encontradas em toda a Itália: desde o Castelo de Frinco em Asti, no norte do país, aonde uma ala do edifício veio abaixo em fevereiro passado, até as escavações de Pompeia, no sul, que sofrem com desabamentos constantes.

Entre as edificações danificadas estão também muros da cidade renascentista de Palmanova, perto de Udine, e o mercado antigo de Palermo, chamado de Vucciria. Em Stigliano, no extremo sul da Itália, as ruínas de um castelo histórico que já tinha sofrido grandes danos com um terremoto acabaram sendo destruídas de vez no começo de fevereiro por uma queda de barreira.

Em Valterra, perto de Pisa, o muro medieval da cidade desmoronou em uma extensão de 30 metros. Desde o começo deste mês a queda de uma barreira ameaça também uma acrópole etrusca, construída no local no século oito antes de Cristo.

Em muitos lugares as tempestades do começo do ano foram as principais responsáveis pelos desabamentos. A grande quantidade de água, muito maior do que o normal segundo os meteorologistas, causou quedas de barreira na Liguria, aluviões na Emilia Romagna e alagamentos em Veneza, na Toscana e na região de Roma.

As chuvas causam erosão e acabam comprometendo as fundações dos edifícios históricos. Mas há quem critique o governo italiano por não cuidar dos bens culturais. Em meio à crise econômica faltam recursos para a manutenção da grande quantidade de obras de valor histórico.

Na cidade histórica de Palmanova, construída como uma fortaleza em forma de estrela no século 16, o prefeito Francesco Martines fez um mutirão e recrutou voluntários e bombeiros locais para evitar novos danos. Mas ele exige um envolvimento maior do governo.

"Nós precisamos de um plano de salvaguarda que também inclua o Estado italiano", disse Martines. A cidade é candidata ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), mas só o receberá se provar que tem um plano de conservação.
Pompeia em perigo

O lugar histórico que mais sofre com desabamentos são as escavações de Pompeia, cidade soterrada por uma erupção vulcânica no ano de 79 d.C. e que é hoje uma grande atração turística. No começo deste mês um muro da necrópole de Porta Nocera caiu - um incidente a mais em uma longa lista que inclui, entre outros, um desabamento na famosa Escola de Gladiadores.

Em 2011 o Ministério italiano de Bens Culturais aprovou uma verba de 105 milhões de euros (mais de R$ 322 milhões) para diversos projetos de restauração em Pompeia. Nesta semana o jornal italiano Corriere della Sera revelou que, devido a empecilhos burocráticos, só 588 mil euros foram gastos até hoje, ou 0,56% do total.

Agora um novo projeto que inclui a iniciativa privada tenta evitar mais danos a um dos sítios arqueológicos mais famoso do mundo. O "Projeto de Preservação Sustentável de Pompeia", fundado em 2013, quer arrecadar 10 milhões de euros (quase R$ 31 milhões) para educar novos restauradores e encontrar novos métodos para proteger o patrimônio.

A iniciativa tem o apoio do governo da Itália, mas não foi fundada no país - e sim por instituições alemãs de pesquisa, como a sociedade Fraunhofer e a Universidade Técnica de Munique.

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