Dois tripulantes morreram. A Rússia acusou Kiev de acabar com a última esperança de paz após 'operação punitiva' contra civis

Rebeldes pró-Rússia abateram nesta sexta-feira (2) dois helicópteros ucranianos, matando dois tripulantes, enquanto soldados reforçaram o cerco à cidade de Sloviansk, dominada por separatistas, e Moscou acusou Kiev de lançar um ataque "criminoso" que acabou com a esperança de paz.

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Civis conversam com homens das tropas ucranianas em um posto de controle perto da cidade de Sloviansk, leste da Ucrânia
Reuters
Civis conversam com homens das tropas ucranianas em um posto de controle perto da cidade de Sloviansk, leste da Ucrânia


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Segundo nota do Ministério da Defesa ucraniano, os dois helicópteros de combate Mi-24 foram derrubados por mísseis terra-ar lançados por bazucas, enquanto realizavam uma patrulha noturna na região de Slovyansk, cidade a 160 quilômetros da fronteira com a Rússia.

Além da morte dos tripulantes, outros também ficaram feridos após o ataque. Funcionários ucranianos e um líder separatista em Sloviansk disseram que um aviador foi preso. Um terceiro helicóptero, modelo Mi-8, também teria sido atingido por disparos.

O serviço de segurança da Ucrânia acrescentou ainda que a cidade estava simplesmente sob o controle de moradores armados. A agência informou que suas forças estavam lutando contra "militares estrangeiros altamente qualificados" em Slovyansk.

Jornalistas da Reuters no mais fortificado reduto dos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia ouviram disparos e viram um helicóptero abrindo fogo, ainda de madrugada. Dez horas depois, a cidade estava bastante calma, com lojas fechadas e separatistas armados controlando as ruas.

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Rússia

Um porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, disse que a ofensiva "efetivamente destruiu a última esperança para a implementação dos acordos de Genebra", que visam atenuar a crise. Ele acusou o governo ucraniano de fazer bombardeios aéreos contra civis, numa "operação punitiva".

Um dia antes, Putin advertiu a Ucrânia para não se mover contra os insurgentes e disse que deveria retirar os seus militares de regiões leste e sul do país. Embora as forças ucranianas pareçam estar realizando uma das suas operações mais coordenadas até agora, seu avanço no terreno foi limitado. 

A Rússia diz estar "extremamente preocupada" com o destino dos russos na cidade, incluindo um enviado que tinha a missão de libertar reféns estrangeiros, segundo o Kremlin. O governo russo tem dezenas de milhares de soldados concentrados na fronteira com a Ucrânia, e se diz no direito de invadir o país vizinho para proteger a população russófona da Ucrânia.

Blindados ucranianos assumiram posições mais perto da periferia de Sloviansk, mas os rebeldes ainda controlam a maior parte da cidade, de 130 mil habitantes. Os separatistas também fizeram avanços na quinta-feira, capturando um centro de controle ferroviário na região de Donetsk, segundo um autoridade do setor.

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Crise ao leste

Eles praticamente paralisaram o tráfego de trens ao interromper a energia. Kiev disse que o uso de mísseis para abater seus helicópteros é uma prova de que forças russas estão presentes na cidade. Moscou nega que seus soldados tenham entrado na Ucrânia.

A Ucrânia, nação de 46 milhões de habitantes, está profundamente dividida entre a população do oeste, que favorece a aproximação com a Europa, e os falantes de língua russa ao leste, que se voltaram para Moscou.

O país tem acusado a Rússia de apoiar os rebeldes que tomaram prédios do governo em dez cidades e anunciou seu receio de que Moscou esteja apenas buscando um pretexto para invadir o território ucraniano. A Rússia posicionou milhares de tropas em áreas próximas à fronteira com a Ucrânia.

No início desta semana, o presidente em exercício da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, admitiu que o governo central havia perdido o controle do leste do país, e afirmou que alguns soldados e policiais do governo haviam "quer ajudar ou cooperar com organizações terroristas." Ele disse que os esforços devem concentrar-se para prevenir que a instabilidade se espalhe para outras partes do país.

Ocupação de prédios do governo

Separatistas pró-Moscou ocuparam órgãos do governo central em mais cidades da Ucrânia na quarta (30), em novo sinal de que as autoridades de Kiev estão perdendo o controle do coração industrial no leste do país, na fronteira com a Rússia.

Homens armados que apareceram ao amanhecer assumiram o controle de edifícios oficiais em Horlivka, cidade de quase 300 mil habitantes, disse um fotógrafo da Reuters. Eles se recusaram a ser fotografados.

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Eles usavam uniformes militares sem insígnia, como outros não identificados, chamados de "homens verdes", que se juntaram a manifestantes pró-Rússia com bastões e correntes ao tomarem o controle de cidades do cinturão do aço e do carvão do Donets.

Cerca de 30 separatistas pró-Rússia também se apoderaram de um edifício do conselho municipal em Alchevsk, mais a leste, na região de Luhansk, de acordo com a agência de notícias Interfax-Ucrânia. Eles retiraram a bandeira ucraniana e colocaram uma faixa na cidade e depois permitiram que os funcionários saíssem.

*Com Reuters e AP

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