Pais de alunas raptadas na Nigéria protestam contra a demora nas negociações

Por iG São Paulo |

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Cerca de 230 alunas foram sequestradas de escola na cidade de Chibok. Elas estão sendo forçadas a casar, afirma organização

Nigerianos foram às ruas nesta quinta-feira (1) para exigir que o governo se empenhe mais no resgate das cerca de 230 meninas raptadas por militantes há mais de duas semanas na cidade de Chibok.

Abril: Pais se desesperam com falta de notícias sobre as filhas sequestradas na Nigéria

AP
Uma mãe não identificada chora durante manifestação com outros pais cujas filhas foram sequestradas em escola de Chibok, Nigéria (29/04)


Sequestro: Paradeiro de alunas sequestradas de escola na Nigéria ainda é mistério

O grupo de nigerianos tem se reunido há dias para criticar a condução das investigações e do resgate pelo governo. Centenas choraram e gritaram "tragam de volta as nossas meninas" durante protestos na capital Abuja, na quarta (30). Um dia depois, os manifestantes se reuniram em Lagos.

Militantes raptaram cerca de 230 meninas na calada da noite em uma escola no extremo nordeste do país, onde fica dormitório para crianças do grupo islamita Boko Haram.

Homens armados conduziram as meninas para fora da cama e as obrigaram a subir em caminhões no dia 16 de abril. O comboio de caminhões, em seguida, desapareceu na densa floresta da fronteira com Camarões. Cerca de 200 meninas ainda estão desaparecidas, embora as autoridades e pais tenham divergências sobre o número.

Casamentos forçados

Dezenas das meninas e jovens sequestradas na Nigéria estão sendo forçadas a se casar com seus sequestradores extremistas islâmicos, de acordo com uma organização cívica.

Enquanto isso, a rede terrorista Boko Haram está negociando o destino das alunas e exigindo um resgate não especificado para a libertação, um líder da comunidade do estado de Borno disse à Associated Press. Segundo essa fonte, mensagem divulgada pelo grupo na quarta-feira afirma que duas meninas morreram após serem picadas por cobras.

A mensagem foi enviada a um membro de uma comissão presidencial que no ano passado determinou medida para um cessar-fogo com os extremistas islâmicos, disse o líder cívico, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar sobre as negociações.

Essas informações chegam enquanto os pais dizem que as meninas estão sendo vendidas para casamento com militantes do Boko Haram. Alunas recem 2 mil nairas (cerca de 26 reais) para se casar com os soldados, disse Halita Aliyu, do Fórum Popular Borno-Yobe à Associated Press. Ela afirmou que as notícias sobre os casamentos em massa vêm de aldeões da Flores Sambisa, na fronteira entre da Nigéria com Camarões, onde Boko Haram possui esconderijos.

Buscas

Logo após os sequestros, os moradores de Chibok entraram na floresta em motos para procurar as meninas. Durante a jornada que durou nove horas, não houve um único sinal dos soldados ou das jovens, de acordo com Enoch Mark, cuja filha e duas sobrinhas estão entre os sequestrados.

"Um total de 230 pais registraram os nomes de suas filhas que desapareceram no dia do sequestro", afirmou Asabe Kwambura, diretor da Escola Secundária de Meninas do Governo. "Desde os meus registros, 43 meninas, até agora escaparam por conta própria dos sequestradores. Ainda temos 187 desaparecidas."

Em Chibok, pais irritados acusaram as autoridades de colocarem a política à frente da vida de suas filhas. Testemunhas afirmam terem visto militantes indo para a fronteira com o Camarões em dezenas de veículos, segundo Ayuba Alamson, cujas duas sobrinhas estavam entre os sequestrados.

'Situação delicada'

O comissário educação do estado de Borno, Musa Inuwa Kubo, disse que o governo e os militares estão fazendo de tudo para garantir a libertação das sequestradas.

"Esta é uma situação delicada que requer um tratamento cuidadoso", disse Kubo. "Quando você tem homens fortemente armados fazendo cerca de 200 meninas reféns, você tem que ser muito cuidadoso com a abordagem de modo a não arriscar a segurança dessas meninas que você deseja salvar.”

*Com AP e CNN

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