Denúncias de agressão sexual no meio militar dos EUA aumentam 50% em 2013

Por Reuters |

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Denúncias de agressão sexual no meio militar dos EUA aumentam 50% em 2013

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As denúncias de agressões sexuais reportadas nas Forças Armadas dos EUA aumentaram 50T no ano passado, revelou o Pentágono nesta quinta-feira (1º). As autoridades interpretaram essa alta como um sinal de que a repressão em alto nível tem tornado as vítimas mais confiantes de que seus agressores serão processados.

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Mulheres no Exército americano geralmente não reportam casos de assédio por temerem represálias

O secretário de Defesa, Chuck Hagel, disse que esse salto nos números foi de 3.374 em 2012 para 5.061 no ano passado: "Não tem precedentes".

Ele anunciou seis novas diretrizes para expandir a luta, incluindo a revisão da política de álcool e o esforço para incentivar a denúncia por parte das vítimas do sexo masculino. Acredita-se que os homens perfaçam metade das vítimas de agressão sexual, mas eles constituem apenas 14% das denúncias.

"Acreditamos que as vítimas estejam cada vez mais confiantes no nosso sistema", afirmou Hagel em entrevista à imprensa no Pentágono. "Como esses crimes são subnotificados, demos passos para melhorar a comunicação, e isso é o que estamos vendo ."

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Apesar do aumento do foco sobre a questão no último ano, as Forças Armadas continuaram a enfrentar incidentes constrangedores em que militares foram acusados de tolerar má conduta sexual e até mesmo incentivá-la, ao invés de combater o problema.

Críticos disseram que os números do Pentágono demonstram pouca melhora na proporção de queixas que vão a julgamento ou na percentagem de condenações. No ano fiscal de 2013, que terminou em 30 de setembro, 484 casos foram a julgamento e 370 pessoas foram condenadas, diz o relatório. No ano anterior foram 302 casos e 238 condenações. "Você não pode me dizer que apenas um em cada dez casos são dignos de ir a julgamento. Isso é como dizer que 90% das pessoas que fazem as denúncias estão mentindo", disse o deputado Jackie Speier, democrata da Califórnia, em entrevista à Reuters.

Speier e a senadora Kirsten Gillibrand, democrata de Nova York, se empenharam para remover a acusação de crimes sexuais da cadeia de comando militar e passá-la para as mãos de promotores especializados. O esforço foi derrotado por estreita margem no início do ano, mas o relatório desta quinta-feira reavivou os apelos para que isso seja reconsiderado.

Reportagem: David Alexander and Patricia Zengerle

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