Sete são mantidos reféns; Rússia chama de 'cínica' a proposta ucraniana para fomentar pesquisa sobre unidade territorial

Nesta quinta-feira (1), a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, chamou novamente o presidente russo, Vladimir Putin, para lhe ajudar a interceder pela soltura dos sete observadores da OSCE, Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, mantidos reféns por separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.

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A chanceler alemã Angela Merkel durante coletiva com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em Berlin, Alemanha
Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel durante coletiva com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em Berlin, Alemanha


Crise: Manifestantes invadem prédios do governo regional no leste da Ucrânia

Em comunicado, a porta-voz Christiane Wirtz afirmou que Angela "apelou ao presidente para usar sua influência" e ajudar a resolver a situação. Ela também lembrou Putin da responsabilidade da Rússia no caso por sua associação com a OSCE. Oito observadores foram feitos reféns no início de abril e um foi libertado. Entre os sete que ainda estão sob o poder dos rebeldes estão três oficiais alemães e um intérprete de alemão.

Segundo o Kremlin, Putin ressalta que a Ucrânia deve retirar suas tropas do sudeste do país, acabar com a violência na região e iniciar rapidamente diálogo nacional sobre a reforma da constituição do país para acabar com a crise.

'Cínicos'

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia chamou de farsa a proposta do primeiro ministro ucraniano de realizar pesquisa sobre a integridade da unidade territorial na Ucrânia. Segundo o governo russo, a medida irá ampliar a crise no país.

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Na véspera, o primeiro ministro da Ucrânia, Arseny Yatseniuk, disse que o governo iria enviar ao parlamento uma lei para conduzir uma pesquisa nacional sobre unidade ucraniana e integridade territorial em 25 de maio, quando o país também irá fazer uma eleição presidencial.

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse em um comunicado que os planos são "cínicos".

Crise no leste ucraniano

Separatistas pró-Moscou ocuparam órgãos do governo central em mais cidades da Ucrânia na quarta (30), em novo sinal de que as autoridades de Kiev estão perdendo o controle do coração industrial no leste do país, na fronteira com a Rússia.

Homens armados que apareceram ao amanhecer assumiram o controle de edifícios oficiais em Horlivka, cidade de quase 300 mil habitantes, disse um fotógrafo da Reuters. Eles se recusaram a ser fotografados.

Os homens fortemente armados usavam os mesmos uniformes militares sem insígnia, como outros não identificados, chamados de "homens verdes", que se juntaram a manifestantes pró-Rússia com bastões e correntes ao tomarem o controle de cidades do cinturão do aço e do carvão do Donets.

Cerca de 30 separatistas pró-Rússia também se apoderaram de um edifício do conselho municipal em Alchevsk, mais a leste, na região de Luhansk, de acordo com a agência de notícias Interfax-Ucrânia. Eles retiraram a bandeira ucraniana e colocaram uma faixa na cidade e depois permitiram que os funcionários saíssem.

As tentativas de conter a insurgência por parte do governo em Kiev se mostraram muito mal-sucedidas, já que as forças de segurança foram repetidamente sobrepujadas por separatistas. O Ocidente e o novo governo da Ucrânia acusam a Rússia de estar por trás da agitação, o que os russos negam.

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Daniel Baer, embaixador norte-americano para a OSCE, entidade do setor de segurança europeia que tem monitores na região, disse a jornalistas em Viena: "Acho que está muito claro que o que está ocorrendo não estaria acontecendo sem a participação da Rússia."

Um oficial da polícia em Donetsk, a capital provincial, onde os separatistas declararam a "República Popular de Donetsk", disse que os separatistas também estão no controle da delegacia em Horlivka, depois de terem se apoderado da sede da polícia regional no início de abril.

O assassinato de um vereador de oposição em Horlivka pelos separatistas foi apontado pelo governo em Kiev, na semana passada, como um dos motivos para deslanchar novos esforços para recuperar o controle da região.

As ocupações de quarta se seguiram à tomada dos principais prédios do governo na terça (29) mais a leste, em Luhansk, capital da província mais oriental da Ucrânia, o que demonstrou o quanto o governo central vem perdendo o controle sobre a região densamente povoada.

"Eles se apoderaram da administração do governo e da polícia", disse o oficial da polícia de Horlivka.

A cidade fica ao norte de Donetsk, capital não oficial de toda a região do Donets, onde separatistas principalmente de língua russa marcaram um referendo sobre a secessão para 11 de maio.

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Muitos esperam seguir o exemplo da região ucraniana da Crimeia, que após um referendo foi anexada em março pela Rússia, depois da derrubada em fevereiro do presidente Viktor Yanukovych, apoiado por Moscou, em meio a uma disputa entre o Ocidente e a Rússia sobre a direção estratégica da antiga república soviética. A região do Donets abriga gigantescas fundições de aço e indústrias pesadas que produzem mais de um terço da produção industrial da Ucrânia.

No início de abril teve início um levante nessa parte do país, mas o governo em Kiev quase não conseguiu reagir por medo de provocar uma invasão de dezenas de milhares de tropas russas concentradas na fronteira.

*Com Reuters e AP

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