Eleições são as primeiras desde que tropas dos EUA deixaram o país, em 2011. Surto de violência matou 2 mil este ano, diz ONU

Iraquianos desafiaram a ameaça de ataques com bombas e foram às urnas nesta quarta-feira (30) em eleições-chave para definir um novo Parlamento e em meio a uma grande operação de segurança no país.

2013: Dois candidatos são mortos durante campanha eleitoral no Iraque

Iraquiana coloca seu voto dentro de urna em assembleia eleitoral de Bagdá, Iraque
AP
Iraquiana coloca seu voto dentro de urna em assembleia eleitoral de Bagdá, Iraque


Violência: Carros-bomba matam ao menos 34 em cidades do Iraque, incluindo capital

Centenas de milhares de soldados e policiais se espalharam para proteger centros de votação na primeira eleição nacional desde a retirada das tropas americanas, em 2011. Ataques dispersos ainda ocorreram ao norte de Bagdá, matando pelo menos três e ferindo 16.

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que está no poder há oito anos, enfrenta crescentes críticas sobre corrupção governamental e derramamento de sangue persistente enquanto as tensões sectárias ameaçam empurrar o Iraque de volta à beira da guerra civil.

Mesmo alguns de seus partidários xiitas denunciaram al-Maliki como um aspirante a ditador. O líder também conta com o apoio do vizinho Irã, cujos assessores disseram que usarão seu peso para empurrar as facções xiitas descontentes em apoiá-lo por mais um mandato. Enquetes sugerem que 22 milhões de eleitores forma às urnas escolherem entre cerca de 9 mil candidatos.

No centro de Bagdá, a polícia e o exército observaram área a menos de 500 metros de distância enquanto picapes com metralhadoras percorriam as ruas. Grande parte da cidade parecia deserta, sem o congestionamento do tráfego habitual. A maioria das lojas estava fechada.

Os eleitores estão sendo submetidos a várias perguntas antes de entrarem nos centros de votação. Ruas circundantes foram bloqueadas por caminhões da polícia e arame farpado.

"Eu decidi votar cedo, enquanto é seguro. Multidões atraem ataques", disse Azhar Mohammed, enquanto ela e seu marido se aproximavam de uma mesa de votação Karradah , bairro xiita de Bagdá. A mulher de 37 anos disse que seu irmão - um soldado - foi morto na semana passada na cidade de Mosul.

"Tem havido uma grande falha na forma como o país tem sido gerido e eu acho que é hora de eleger novas pessoas", disse ela, envolta em preto.

Não muito longe dali, Essam Shukr, 72 anos, rompeu em lágrimas ao lembrar-se de um filho morto em um atentado suicida em Karradah no mês passado. "Espero que esta eleição nos leve à segurança", disse ele. "Queremos uma vida melhor para os nossos filhos e netos, que não podem nem mesmo ir para playgrounds ou parques de diversões, devido à situação da má segurança. Queremos uma vida melhor para todos os iraquianos."

No distrito de Sadr City, bairro de maioria xiita em Bagdá, alvo frequente de atentados atribuídos a insurgentes sunitas durante anos, as forças de elite de combate ao terrorismo foram mobilizados e helicópteros pairavam sobre uma vasta região. Ônibus de dois andares transportava eleitores aos centros de votação.

As autoridades também fecharam o espaço aéreo do Iraque para as eleições e proibiram veículos nas ruas para reduzir a ameaça de carros-bomba. Soldados e policiais votaram na segunda para que pudessem proporcionar segurança para o restante dos eleitores nesta quarta. Os iraquianos que vivem em cerca de 20 outros países votaram entre domingo e segunda-feira.

Os resultados iniciais e parciais da votação desta quarta são esperados para serem divulgados na próxima semana, mas não ficou claro quando o resultado final será anunciado.

Violência

Al-Maliki subiu de uma relativa obscuridade para o cargo atual em 2006, quando o derramamento de sangue sectário no Iraque começou a ficar fora de controle, com militantes sunitas e milícias xiitas massacrando comunidades uns dos outros.

Ao longo dos anos que se seguiram, tribos sunitas apoiadas pelos norte-americanos se levantaram para lutar contra militantes ligados da Al-Qaeda, enquanto al-Maliki mostrou prontidão para conter milicianos xiitas - e em 2008, a violência diminuiu.

Mas os ataques entre sunitas e xiitas voltou a crescer, em parte por causa dos movimentos contra al-Maliki no ano passado, visando esmagar protestos feitos por sunitas que se queixam de discriminação do governo. Os militantes tomaram a cidade de Fallujah, na província sunita de Anbar, e partes da capital da província de Ramadi.

No ano passado, o número de mortos no Iraque subiu para seu nível mais alto desde a pior onda de violência sectária, entre 2006 e 2007. A ONU diz que 8.868 pessoas foram mortas em 2013, e cerca de 2 mil morreram nos três primeiros meses deste ano .

*Com AP

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