Presidente interino ucraniano alerta para perigo real de ataque militar da Rússia; ele diz que segurança na Ucrânia é 'impotente'

As Forças Armadas da Ucrânia estão em alerta militar máximo em caso de uma invasão russa, disse o presidente interino do país nesta quarta-feira (30), reiterando sua preocupação sobre a grande presença de tropas russas perto da fronteira.

Ontem: Manifestantes invadem prédios do governo regional no leste da Ucrânia

Militantes russos armados e mascarados montam barricadas perto de Slovyansk, leste da Ucrânia
AP
Militantes russos armados e mascarados montam barricadas perto de Slovyansk, leste da Ucrânia


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"Eu mais uma vez retorno ao perigo real de a Federação Russa iniciar uma guerra terrestre contra a Ucrânia", disse Oleksander Turchinov em uma reunião de governadores em Kiev, segundo a agência de notícias Interfax-Ucrânia. "Nossas Forças Armadas foram postas em prontidão militar total", acrescentou.

A Rússia afirma que não tem planos de invadir o leste da Ucrânia após anexação da península da Crimeia em março, mas as declarações de Turchinov deixam claro que o governo pró-Ocidente de Kiev não vê razão para diminuir o alerta de suas forças. Kiev acusa Moscou de orquestrar uma revolta armada de separatistas que falam russo no leste da Ucrânia.

Segurança 'impotente'

Forças policiais e de segurança da Ucrânia são "impotentes" diante para conter a onda de violência em duas regiões ao leste do país que fazem fronteira com a Rússia e, em alguns casos, acabam cooperando com homens armados pró-russos que tomaram dezenas de edifícios governamentais e fizeram reféns, afirmou o presidente interino do país, Oleksandr Turchynov, nesta quarta.

De acordo com ele, o grande objetivo agora é evitar que essa agitação se espalhe para outros territórios ucranianos.

"Vou ser franco: hoje, as forças de segurança são incapazes de controlar rapidamente os problemas nas regiões Donetsk e Luhansk", disse Turchynov em uma reunião com os governadores regionais.

"Os órgãos de segurança não são capazes de cumprir seus deveres de proteger os cidadãos. Eles são impotentes nesse quesito. Além disso, algumas dessas unidades são ou ajudam a cooperar com organizações terroristas."

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Turchynov instruiu os governadores a tentarem impedir a ameaça dos rebeldes em ocupar regiões centrais e ao sul do país.

"Unidades especiais que atuam em território ucraniano foram incumbidos de atacar as regiões e é por isso que estou insistindo: nossa tarefa é a de conter a propagação da ameaça terrorista, em primeiro lugar, nas regiões de Kharkiv e Odessa,", teria dito Turchynov à agência de notícias Interfax.

O presidente interino falou sobre a violência horas depois que homens armados pró-russos tomaram mais edifícios administrativos no leste da Ucrânia. Insurgentes armados com armas automáticas assumiram o controle e içaram uma bandeira rebelde no topo do prédio do conselho da cidade de Horlivka, na região de Donetsk, ontem pela manhã. Eles também assumiram o controle de uma delegacia de polícia na cidade, somando-se a outro prédio da polícia que eles haviam controlado por várias semanas.

Um repórter da Associated Press viu homens armados montando guarda do lado de fora do prédio e verificando dos documentos de quem entrava. Um dos homens disse que jornalistas estrangeiros não são permitidos no local e ameaçou prender aqueles que não obedecessem suas ordens. Guardas semelhantes também foram vistos fora da delegacia de polícia da cidade.

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Os rebeldes controlam edifícios em dezenas de cidades no leste da Ucrânia, exigindo direitos regionais mais amplos, bem como maiores laços ou anexação pura e simples à Rússia. Os milicianos estão mantendo alguns ativistas e jornalistas reféns, incluindo um grupo de observadores de uma organização europeia de segurança.

Em Luhansk, uma das maiores cidades da Ucrânia oriental, homens armados em uniformes camuflados mantiveram o controle de vários escritórios do governo eles apreendidos na terça (29).

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O leste do país, que tem uma ampla população falante do russo, foi o centro de apoio do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, que foi destituído em fevereiro após meses de protestos de manifestantes que exigiam maior aproximação com a União Europeia (UE) e não com Moscou.

Acusações

Kiev e governos ocidentais acusam Moscou de orquestrar os protestos no leste da Ucrânia. Os Estados Unidos e a União Europeia lançaram novo conjunto de sanções econômicas contra a Rússia nesta semana, mas Moscou manteve-se inflexível, negando o seu papel na agitação e dizendo que as ações na Ucrânia eram culpa de Kiev.

Na terça, a Rússia criticou as novas sanções impostas pelos EUA e pela UE contra autoridades russas por causa do papel de Moscou na crise ucraniana, dizendo que a UE se encontrava sob a liderança de Washington e deveria se envergonhar.

"Em vez de forçar o grupo de Kiev a sentar à mesa com a parte sudeste da Ucrânia para negociar a estrutura futura do país, nossos parceiros estão fazendo o desejo de Washington, com novos gestos hostis tendo a Rússia como alvo", disse o Ministério das Relações Exteriores russo.

Na nota, o ministério também afirmou que as ações da UE mostram "uma completa incompreensão sobre a situação política" na Ucrânia e as classificou como "um convite aberto para neonazistas locais continuarem criando caos e execuções sumárias contra a população do sudeste".

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Na segunda, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, congelou ativos e proibiu a obtenção de vistos para sete cidadãos russos do círculo próximo ao presidente Vladimir Putin nesta e também impôs sanções a 17 empresas ligadas a ele em represália pelas ações de Moscou na Ucrânia.

Os EUA também revogaram licenças para alguns itens de alta tecnologia que poderiam ser usados pelo Exército russo. Segundo o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, os EUA "essencialmente montaram uma 'Cortina de Ferro'" ao ter como alvo o setor de alta tecnologia russo.

Ao justificar as sanções, Obama afirmou que as medidas têm o objetivo de impedir Putin de fomentar a rebelião no leste da Ucrânia. O presidente americano acrescentou que está guardando medidas mais amplas contra a economia da Rússia. Entre os sancionados de segunda-feira estão Igor Sechin, chefe da empresa de energia estatal Rosneft e o vice-primeiro-ministro, Dmitry Kozak.

*Com Reuters e AP

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