Ativistas pró-Rússia reivindicam referendo que conceda mais autonomia para regiões. Rússia critica sanções do Ocidente

Uma grande multidão de manifestantes que reivindicam mais poder para as regiões da Ucrânia invadiu o prédio da administração regional em Luhansk, uma das maiores cidades no tumultuado leste do país. Alguns deles, armados com barras de metal, quebraram janelas e portas para forçar sua entrada no prédio. Além do prédio governamental, os ativistas pró-Rússia também invadiram o escritório da promotoria e a sede da força policial do Ministério do Interior portando rifles automáticos.

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Ativistas pró-Rússia atacam prédio da administração regional em Luhansk, leste da Ucrânia
Reuters
Ativistas pró-Rússia atacam prédio da administração regional em Luhansk, leste da Ucrânia

Punição: Novas sanções dos EUA miram círculo próximo a Putin e companhias da Rússia

A ação desta terça-feira aumenta ainda mais as tensões na região oriental ucraniana, onde insurgentes tomaram controle de delegaciais e outros edifícios governamentais em ao menos dez cidades e vilas.

Os manifestantes que invadiram o prédio em Luhansk, assim como em outros lugares no leste, buscam um referendo que conceda maior autoridades para as regiões ucranianas. Em Luhansk, ativistas que gritaram "Referende a Rússia" mais tarde colocam uma bandeira russa no prédio.

O leste do país, que tem uma ampla população falante do russo, foi o centro de apoio do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, que foi destituído em fevereiro após meses de protestos de manifestantes que exigiam maior aproximação com a União Europeia (UE) e não com Moscou.

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Mais cedo nesta terça-feira, a Rússia criticou as novas sanções impostas pelos EUA e pela UE contra autoridades russas por causa do papel de Moscou na crise ucraniana, dizendo que a UE se encontrava sob a liderança de Washington e deveria se envergonhar.

"Em vez de forçar o grupo de Kiev a sentar à mesa com a parte sudeste da Ucrânia para negociar a estrutura futura do país, nossos parceiros estão fazendo o desejo de Washington, com novos gestos hostis tendo a Rússia como alvo", disse o Ministério das Relações Exteriores russo.

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Na nota, o ministério também afirmou que as ações da UE mostram "uma completa incompreensão sobre a situação política" na Ucrânia e as classificou como "um convite aberto para neonazistas locais continuarem criando caos e execuções sumárias contra a população do sudeste".

Na segunda, o governo do presidente dos EUA, Barack Obama, congelou ativos e proibiu a obtenção de vistos para sete cidadãos russos do círculo próximo ao presidente Vladimir Putin nesta e também impôs sanções a 17 empresas ligadas a ele em represália pelas ações de Moscou na Ucrânia.

Os EUA também revogaram licenças para alguns itens de alta tecnologia que poderiam ser usados pelo Exército russo. Segundo o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, os EUA "essencialmente montaram uma 'Cortina de Ferro'" ao ter como alvo o setor de alta tecnologia russo.

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Além dos EUA, os embaixadores dos 28 países-membros da UE concordaram em acrescentar mais 15 autoridades à lista de pessoas proibidas de viajar ao bloco e com bens congelados na UE. Segundo dois diplomatas consultados pela Associated Press, os embaixadores se reunirão novamente na quarta e poderão acrescentar mais nomes à lista. A decisão europeia eleva para 48 o total de russos ou pró-russos na Ucrânia que sofrem sanções do bloco.

Nesta quinta, a UE divulgou a atualização da lista, incluindo os nomes do general Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior Conjunto da Rússia e primeiro-vice-ministro da Defesa, e o general Igor Sergun, identificado como chefe do GRU (agência de inteligência militar russa).

Ao justificar as sanções, Obama afirmou que as medidas têm o objetivo de impedir Putin de fomentar a rebelião no leste da Ucrânia. O presidente americano acrescentou que está guardando medidas mais amplas contra a economia da Rússia. Entre os sancionados de segunda-feira estão Igor Sechin, chefe da empresa de energia estatal Rosneft e o vice-primeiro-ministro, Dmitry Kozak.

As sanções iniciais dos EUA e a UE foram impostas logo após a anexação da estratégia Península da Crimeia, em março. Mas agora Washington e o bloco europeu acusam a Rússia de desestabilizar o leste ucraniano. Segundo a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Rússia tem 40 mil soldados ao longo da fronteira e poderia invadir a Ucrânia em dias se quisesse.

A UE é o maior parceiro comercial da Rússia, tendo maior influência econômica sobre Moscou do que os EUA. Entretanto, o bloco europeu tem mais cuidado em impor suas punições já que a Rússia é também um de seus maiores fornecedores de petróleo e gás — e o bloco aparentemente evitou ter como alvo companhias russas específicas.

As sanções impostas até agora ainda não conseguiram deter Putin, que vem ignorando as punições. Moscou insiste que uma rebelião entre russófonos do leste é uma resposta interna a um golpe e nega manter forças russas no território.

*Com AP e Reuters

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