Ataques atingem as duas maiores cidades da Síria, deixando ao menos 54 mortos

Por iG São Paulo |

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Carros-bomba explodem em bairro pró-governo em Homs, matando 40, e morteiros matam 14 em área xiita da capital

Dois carros-bomba explodiram nesta terça-feira em um bairro pró-governo em Homs, no centro da Síria, deixando ao menos 40 mortos poucas horas antes de ataques de morteiro atingirem o centro da capital, Damasco, matando 14, disseram funcionários e a mídia estatal.

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AP
Sírios se reúnem em local de explosão de um carro-bomba no distrito pró-governo de Zahra, em Homs

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Os ataques aconteceram um dia depois de o presidente Bashar al-Assad ter anunciado sua candidatura para as eleições presidenciais de 3 de junho, disputa que ele provavelmente vencerá em meio a uma guerra civil que inicialmente começou como um levante contra seu regime. Tais ataques são comuns em Homs e Damasco, e não houve uma indicação imediata nesta terça de que a violência estava relacionada ao anúnico de Assad.

A agência de notícias estatal Sana disse que o ataque em Homs atingiu o bairro de Abbasiyeh — uma área predominantemente cristã e alauíta (um braço do xiismo). Além dos 40 mortos, o atentado deixou 116 feridos. De acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cuja base fica no Reino Unido, o número de mortos pela explosão dupla de carros-bomba seria 37, incluindo cinco crianças, e haveria 80 feridos. Tais discrepâncias no número de vítimas são comuns na Síria imediatamente após os ataques.

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Homs tem sido um reduto opositor desde o início do levante contra Assad, que começou em março de 2011. A cidade, a terceira maior da Síria, tem sido palco de alguns dos combates mais duras na guerra civil que se seguiu a uma revolta inicialmente pacífica. Um devastador cerco do governo espremeu os rebeldes no último posto avançado na Cidade Velha, e os combatentes remanescentes no local passaram a revidar com carros-bomba nas áreas pró-Assad.

Veja imagens do conflito na Síria no ano passado:

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Em Damasco, os morteiros atingiram o bairro predominantemente xiita de Shaghour, deixando 14 mortos e 86 feridos, segundo a Sana. O Observatório colocou o número de mortos em 17. Esse foi um dos ataques mais mortíferos com morteiros no centro de Damasco desde o início do conflito. Nenhum grupo reivindicou responsabilidade pelos atentados desta terça-feira.

Análise de suposto ataque químico

Também nesta terça, a agência global de armas químicas que supervisiona a destruição dos arsenais tóxicos da Síria anunciou que vai enviar uma missão de investigação ao país para esclarecer as alegações de rebeldes e ativistas sobre ataques com gás cloro.

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A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), com sede em Haia, disse em comunicado que o governo sírio havia concordado em receber a missão e prometido fornecer segurança nas áreas sob seu controle.

Rebeldes que lutam contra Assad disseram que o governo sírio tem usado gás cloro em ataques durante a guerra civil.

*Com AP e Reuters

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