Kerry alerta que Israel pode se tornar 'Estado do apartheid' sem acordo de paz

Por iG São Paulo |

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'Um único Estado acaba sendo do apartheid com cidadãos de 2ª classe ou um que destrói a capacidade de Israel de ser judeu'

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, alertou que Israel arrisca se tornar um "Estado do apartheid" (de segregação) se uma solução de dois Estado para o conflito com os palestinos não surgir rapidamente. Os comentários foram capturados pelo Daily Beast em uma gravação de um encontro a portas fechadas com autoridades de alta hierarquia dos EUA, Europa e Japão da chamada Comissão Trilateral.

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AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em foto de 4 de abril

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“Uma solução de dois Estado será claramente destacada como a única alternativa real. Porque um único Estado acaba sendo tanto um Estado do apartheid com cidadãos de segunda classe — ou um que destrói a capacidade de Israel de ser um Estado judeu", disse Kerry ao grupo de graduadas autoridades e especialistas. “Assim que você põe na sua cabeça essa realidade, que é cabal, você entende quão imperativo é chegar à solução de dois Estado, com a qual ambos os líderes (...) dizem estar profundamente comprometidos."

A atual rodada de negociações diretas de paz entre israelenses e palestinos parecem estar em um impasse. Mas o presidente Barack Obama disse que os EUA não abandonarão os esforços de paz.

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O líder americano previamente rejeitou o uso do termo "apartheid" na discussão do processo de paz do Oriente Médio, classificando-o de impreciso e inútil.

No encontro, há informações de que Kerry também sugeriu que era mais provável chegar a um acordo de paz com uma mudança na liderança israelense e palestina, criticando fortemente a construção dos assentamentos israelense em território ocupado

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Em uma declaração à BBC, o Departamento de Estado dos EUA pontuou que os líderes israelenses já usaram anteriormente o termo "Estado do apartheid" para alertar sobre as consequências do fracasso do processo de paz.

"O secretário Kerry, como a ministra da Justiça [Tzipi] Livni e os ex-premiês [Ehud] Olmert e [Ehud] Barak, reiterava por que não há algo como uma solução de um Estado se você acredita, como ele, no princípio de um Estado judeu", disse a porta-voz Jen Psaki.

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"Ele falava sobre o tipo de futuro que Israel quer e o tipo de futuro que ambos israelenses e palestinos querem aspirar. A única forma de ter duas nações e dois povos vivendo lado a lado em paz e segurança é por meio da solução de dois Estados. E, sem ela, o nível de prosperidade e de segurança que as populações palestina e israelense merecem não é possível."

Na semana passada, Israel suspendeu as atuais rodadas de de nogociações de paz mediadas pelos EUA, que foram retomadas em julho depois de um hiato de três anos, reivindicando a anulação de um acordo de reconciliação entre as duas principais facções palestinas.

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O Fatah, que é liderado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o Hamas, que governa Gaza, disseram que planejam formar um governo de unidade nas próximas semanas. Hamas rejeita o direito de existência de Israel e é considerado como um grupo terroristas pelos EUA, União Europeia, Israel e outros países. 

À BBC, Netanyahu afirmou que Abbas poderia "ter a paz com Israel ou um pacto com o Hamas - ele não pode ter os dois".

*Com BBC

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