Resultados preliminares mostram que ex-ministro das Relações Exteriores e ex-economista do Banco Mundial irão ao 2º turno

As eleições no Afeganistão terão segundo turno, numa disputa entre o ex-ministro das Relações Exteriores Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani, ex-economista do Banco Mundial, depois de nenhum dos candidatos obter a maioria absoluta dos votos, conforme resultados preliminares divulgados neste sábado (26).

Abril: Candidatos à presidência do Afeganistão apontam fraudes em processo eleitoral

O candidato presidencial afegão Abdullah Abdullah durante uma entrevista em Cabul, Afeganistão (24/04)
Reuters
O candidato presidencial afegão Abdullah Abdullah durante uma entrevista em Cabul, Afeganistão (24/04)


Violência: Bomba mata dois funcionários eleitorais e destrói cédulas no Afeganistão

Abdullah terminou em primeiro com 44,9 por cento dos votos, seguido por Ghani, com 31,5 por cento, afirmou a Comissão Eleitoral Independente. Zalmay Rassoul ficou em um distante terceiro lugar, com 11,5 por cento dos votos. Os resultados finais devem sair em 14 de maio e um segundo turno acontecerá no final de maio.

Irregularidades

No início deste mês, os três principais candidatos à presidência do Afeganistão denunciaram "problemas", "irregularidades" e "fraudes" durante o processo de votação realizado ono último sábado (5), para escolher, além do futuro presidente, governadores das 34 províncias ou estados afegãos. 

“Foi um grande dia para a democracia no Afeganistão, mas houve problemas em determinados locais”, afirmou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Zalmai Rassoul, um dos candidatos a suceder o atual presidente afegão, Hamid Karzai. Primeiro presidente do país eleito após a queda dos taliban, em 2001, Karzai comandou primeiro o governo interino, sendo eleito em 2004 e reeleito em 2009, em meio a denúncias de fraudes no processo eleitoral.

Segundo Rassoul, várias denúncias relativas a suspeita de fraudes foram comunicadas à comissão eleitoral responsável por fiscalizar o pleito e deverão ser apuradas “para que não haja votos falsos”.

Já o ex-ministro das Finanças e também candidato à presidência, Ashraf Ghani, reforçou, por meio de sua conta no Twitter, que "há relatos de fraudes graves em vários locais".

O terceiro candidato a questionar o processo eleitoral é Abdulhah Abdullah, líder da oposição e candidato à presidência derrotado em 2009. Embora tenha classificado o grande número de eleitores que compareceram às seções como um sinal “de grande sucesso”, Abdullah destacou que a eleição não ocorreu "livre de irregularidades".

Além dos ataques de grupos extremistas e terroristas contrários à realização da votação, em alguns dos mais de 6 mil colégios eleitorais, foram registrados problemas como a falta de cédulas – o que as autoridades locais festejaram como um indício de que a participação popular superou a expectativa inicial. A estimativa era de que ao menos 12 mil afegãos estivessem aptos a votar, mas temia-se que as ameaças de ataques desencorajassem muitos deles a irem votar – o que, aparentemente, não aconteceu, mesmo com as fortes chuvas registradas em algumas regiões do país.

Em nota divulgada pela Missão de Assistência das Nações Unidas para o Afeganistão (Unama), os membros do Conselho de Segurança reiteraram a importância das eleições para o processo de transição do poder e para o desenvolvimento da democracia afegã. Os conselheiros também elogiaram a participação e a coragem da população e estimularam o governo afegão a, com a ajuda da comunidade internacional, continuar enfrentando as ameaças à segurança e à estabilidade nacional.

*Com Reuters e Agência Brasil

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