Para Arseniy Yatsenyuk, tentativa de Moscou em iniciar conflito armado na Ucrânia pode provocar um embate militar na Europa

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, acusou nesta sexta-feira (25) a Rússia de querer ocupar 'militar e politicamente' o país e ainda afirmou que Moscou busca a terceira guerra mundial.

Ontem: Rússia anuncia novo exercício militar após ação da Ucrânia contra separatistas

O primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, centro, fala durante encontro com líderes regionais em Donetsk, Ucrânia (11/04)
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O primeiro-ministro da Ucrânia Arseniy Yatsenyuk, centro, fala durante encontro com líderes regionais em Donetsk, Ucrânia (11/04)


Quarta: Rússia promete retaliar se seus interesses forem ameaçados na Ucrânia

De acordo com Yatsenyuk, as tentativas russas para iniciar um conflito na Ucrânia vão levar a um embate militar na Europa. O discurso forte do premiê foi divulgado em meio a uma crescente escalada de tensões na região ucraniana.

Na quinta (24), o chefe de Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, ordenou novos exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia oriental depois que as forças ucranianas anunciaram a morte de cinco militantes pró-russos em uma operação para a retirada dos bloqueios em estradas perto da cidade de Slavyansk, leste do país.

Os confrontos foram os primeiros desde que o presidente em exercício Oleksandr Turchynov ordenou na terça-feira a retomada das operações militares no leste ucraniano , onde manifestantes pró-Rússia e homens armados mascarados tomaram o controle de prédios do governo em ao menos dez cidades e montaram bloqueios de rua.

"Temos de reagir a esses acontecimentos de alguma forma", disse Shoigu em comentários televisionados.

A Rússia já tem dezenas de milhares de soldados posicionados em regiões ao longo de sua fronteira com a Ucrânia. Os mais recentes exercícios militares russos envolverão tropas terrestres no sul e ocidente e forças aéreas patrulhando a fronteira, disse Shoigu.

Entenda: Saiba quais são as cidades afetadas pelo movimento separatista na Ucrânia

Ele também citou fontes não especificadas dizendo que Kiev enviou mais de 11 mil soldados e 160 tanques contra os insurgentes pró-Rússia, que ele contabilizou como tendo menos de 2 mil integrantes. Não como verificar esses números de forma independente.

Enquanto isso, autoridades dos Estados Unidos - incluindo o presidente Barack Obama - prometeram ações internacionais mais punitivas que visam atingir a economia da Rússia se Moscou, na opinião deles, continua a agravar a situação.

Durante coletiva na Coreia do Sul nesta sexta, Obama afirmou que falaria com outros líderes europeus sobre impor mais sanções contra a Rússia por causa de suas ações na crise da Ucrânia. Haverá sanções específicas que estão "prontas para serem impostas”, disse ele, ecoando comentários que fez um dia antes, no Japão.

"É importante para nós anteciparmos que as sanções específicas que estamos aplicando agora não necessariamente vão resolver o problema", disse ele. "O que estamos tentando fazer é elevar continuamente os custos para a Rússia de suas ações ao mesmo tempo em que damos a possibilidade de eles se moverem em uma direção diferente."

Obama também elogiou a unidade dos outros países na condenação russa por sua "intromissão" na Ucrânia.

Novas sanções

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sugeriu na quinta que os Estados Unidos estão próximos de impor mais sanções à Rússia, afirmando que o tempo estava se esgotando para os russos mudarem o curso de suas políticas na Ucrânia.

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Dia 16: Otan reforça proteção terrestre, marítima e aérea no leste da Europa

Em uma rara manifestação contundente, Kerry acusou a Rússia de usar propaganda para esconder o que, segundo ele, realmente está tentando fazer no leste da Ucrânia: desestabilizar a região e minar as eleições ucranianas planejadas para maio.

"A janela para mudar o curso está se fechando", disse ele a jornalistas em uma aparição organizada às pressas na sala de imprensa do Departamento de Estado, repetindo as ameaças dos EUA de impor novas sanções se o presidente russo, Vladimir Putin, não mudar a sua política em relação à Ucrânia.

"Se a Rússia escolher o caminho de diminuir a tensão, todos nós vamos comemorar. Mas, se a Rússia não o fizer, o mundo vai se certificar de que os custos para a Rússia só vão aumentar", ameaçou. "Será um erro que custará muito caro."

Dia 17: EUA, Rússia e União Europeia alcançam acordo sobre crise na Ucrânia

Apenas uma semana se passou desde que ministros das Relações Exteriores da Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e da União Europeia chegaram a um acordo em Genebra, Suíça, para aliviar a crise.

Foi decidido que grupos armados ilegais deveriam depor suas armas e recuar. Mas esse pacto - que apelou para todos os lados para acabar com a violência - parece vacilar, se ainda não falhou definitivamente. Militantes pró-Rússia continuam escondidos em prédios do governo em torno de dezenas de cidades no leste da Ucrânia.

O presidente dos EUA, Barack Obama, responsabilizou a Rússia por não cumprir o acordo de Genebra e disse que estava pronto para impor novas sanções. "Como o presidente Obama reiterou hoje cedo (quinta-feira), estamos prontos para agir", disse Kerry.

A Rússia, por sua vez, acusa os norte-americanos de "comandando o show" na Ucrânia e diz que o governo interino deve desmantelar grupos ultranacionalistas de direita. O presidente Vladimir Putin disse à mídia estatal russa que "se o regime de Kiev começou a usar força militar contra sua própria população, esse é um crime muito grave." 

Segunda: Rússia acusa Ucrânia de violar acordo de Genebra

Isso, segundo ele, teria consequências para os líderes interinos da Ucrânia e para as relações entre os dois países.

*Com CNN, AP e Reuters

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