Rússia anuncia novo exercício militar após ação da Ucrânia contra separatistas

Por iG São Paulo |

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Ministro da Defesa diz ser necessário reagir a recentes tumultos no país vizinho e a manobras da ocidental Otan na Polônia

O ministro de Defesa da Rússia anunciou nesta quinta-feira novos exercícios militares ao longo da fronteira da Ucrânia poucas horas depois de soldados ucranianos terem matado ao menos cinco insurgentes pró-Rússia no leste do país.

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AP
Militante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk

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Os confrontos foram os primeiros desde que o presidente em exercício Oleksandr Turchynov ordenou na terça-feira a retomada das operações militares no leste ucraniano, onde manifestantes pró-Rússia e homens armados mascarados tomaram o controle de prédios do governo em ao menos dez cidades e montaram bloqueios de rua.

Em São Petersburgo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recriminou o que colassificou de "operação punitiva" da Ucrânia e ameaçou Kiev com consequências não especificadas. "Se o governo em Kiev está usando o Exército contra o seu próprio povo, isso claramente é um crime grave."

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Mais tarde, o ministro russo da Defesa, Sergei Shoigu, anunciou novos exercícios militares no sul e leste da Rússia em reação ao crescente tumulto no oriente da Ucrânia e a manobras da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Polônia. "Temos de reagir a esses acontecimentos de alguma forma", disse em comentários televisionados.

A Rússia já tem dezenas de milhares de soldados posicionados em regiões ao longo de sua fronteira com a Ucrânia. Os mais recentes exercícios militares russos envolverão tropas terrestres no sul e ocidente e forças aéreas patrulhando a fronteira, disse Shoigu.

Veja imagens da presença russa e de militantes pró-Rússia na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Ele também citou fontes não especificadas dizendo que Kiev enviou mais de 11 mil soldados e 160 tanques contra os insurgentes pró-Rússia, que ele contabilizou como tendo menos de 2 mil integrantes. Não como verificar esses números de forma independente.

O governo ucraniano e o Ocidente acusam a Rússia de dirigir e apoiar os insurgentes e se preocupam que Putin gostaria de um pretexto para uma intervenção militar no leste ucraniano. Putin nega que qualquer agente russo esteja operando na Ucrânia, mas insiste que tem o direito de intervir para proteger a população de etnia russa que compõe uma minoria considerável no leste da Ucrânia.

Dia 17: EUA, Rússia e União Europeia alcançam acordo sobre crise na Ucrânia

Mais cedo em Tóquio, o presidente dos EUA, Barack Obama, acusou Moscou de fracassar em cumprir "o espírito das palavras" de um acordo alcançado na semana passada para amenizar as tensões no leste ucraniano. Se isso continuar, disse Obama, "haverá mais consequências e aumentaremos as sanções".

Segunda: Rússia acusa Ucrânia de violar acordo de Genebra

Com nenhum apetite nos EUA para uma resposta militar, Obama aposta amplamente que Putin cederá sobre o peso de uma cascada de sanções econômicas que tenham como alvo seus colegas mais próximos. Mas o sucesso dessa estratégia também depende de as nações europeias com vínculos financeiros mais próximos com Moscou tomarem uma ação similar, apesar de sua preocupação de um efeito bumerangue sobre suas próprias economias.

"Compreendo que sanções adicionais podem não mudar o cálculo de Putin", disse Obama durante sua visita a Tóquio. "O quanto elas mudarão seu cálculo depende em parte não apenas de nossas sanções, mas também da cooperação de outros países."

A Ucrânia passa por sua maior crise política desde o colapso da União Soviética, desatada por meses de manifestações antigoverno que levaram o presidente Viktor Yanukovych a fugir para a Rússia em fevereiro.

Dia 2: Presidente deposto da Ucrânia diz que errou ao convidar tropas russas à Crimeia

A queda de Yanukovych desencadeou uma ampla raiva em sua base de apoio no oriente da Ucrânia. Os insurgentes, que alega que o governo do país pós-Yanukovych consiste de nacionalistas que reprimirão o leste, reivindicam autonomia regional ou mesmo anexação pela Rússia.

A Ucrânia e a Rússia alcançaram um acordo em Genebra na semana passada para atenuar a crise, mas insurgentes pró-Rússia no leste — e militantes de direita em Kiev — desafiaram os pedidos para se desarmar e deixar os prédios que estão ocupando.

*Com AP

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