Ataque foi o primeiro desde que o país retomou as operações militares no leste ucraniano; Rússia condenou a 'ação punitiva'

Forças ucranianas mataram ao menos cinco militantes durante as operações para derrubar bloqueios erguidos por rebeldes pró-Rússia em estradas do leste do país nesta quinta-feira (24), de acordo com o ministério do Interior da Ucrânia. 

Ontem: Rússia promete retaliar se seus interesses forem ameaçados na Ucrânia

Oficial da força de segurança ucraniana chega a posto que pegou fogo após confronto com separatistas pró-Rússia perto de Slaviansk, Ucrânia
Reuters
Oficial da força de segurança ucraniana chega a posto que pegou fogo após confronto com separatistas pró-Rússia perto de Slaviansk, Ucrânia


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Ataque a um posto de controle improvisado na região de Donetske, onde manifestantes pró-russos tentaram declarar independência da Ucrânia,  tirou a vida de um miliciano pró-Rússia e feriu outro, disse Stella Horosheva, porta-voz do prefeito auto-nomeado de Slavyansk, Vyacheslav Ponomaryov. O presidente russo, Vladimir Putin condenou o que descreveu como "operação punitiva."

O ataque foi o primeiro desde que o presidente interino, Oleksandr Turchynov, retomou, na última terça-feira (22), as operações militares antiterroristas após manifestantes pró-Rússia e atiradores mascarados tomarem prédios do governo e criarem postos de controle ao longo das estradas.

Putin ameaçou Kiev com consequências não específicas. "Se o governo de Kiev está usando o exército contra o seu próprio povo este é claramente um crime grave", acusou ele. 

O governo ucraniano e muitos países do Ocidente temem que a Rússia esteja buscando um pretexto para uma intervenção militar no leste da Ucrânia. Putin insiste que tem o direito de intervir para proteger os russos étnicos, que compõem uma minoria considerável no leste ucraniano. A Rússia tem dezenas de milhares de soldados dispostos ao longo de seu lado da fronteira leste da Ucrânia.

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Mais cedo, em Tóquio, o presidente dos EUA, Barack Obama, acusou Moscou de não viver de acordo com "o espírito e a letra" de um acordo firmado na semana passada para aliviar as tensões. Se isso continuar, afirmou Obama, "haverá maiores consequências e vamos acrescentar mais sanções."

Ataques

O governo em Kiev confirmou as operações para destruir três postos de controle, e disse que suas forças mataram cinco militantes pró-Rússia. Um policial também ficou ferido, segundo o ministério do Interior.

Enquanto isso, foram distribuídos pelo governo ucraniano folhetos "que exortou às pessoas a manterem a paz, não deixar suas residências, manter as crianças dentro de casa, a não reagir às provocações e não obedecer ordens ilegais emitidas por autoridades ilegais auto-proclamadas". Kiev acusou Ponomaryov de ameaçar matar qualquer um que possua essas instruções.

Apesar de acordo: Insurgentes pró-Rússia mantêm ocupação no leste da Ucrânia

Um soldado ucraniano ficou ferido na cidade de Artemivsk, informou o ministério da Defesa da Ucrânia nesta quinta. Em sua página no Facebook, o ministro do Interior, Arsen Avakov, ainda acusou grupo de cerca de 70 pessoas de tentar tirar as armas da unidade.

Reivindicações cruzados em Mariupol

Tanto o governo ucraniano quanto os rebeldes pró-Rússia alegaram vitória na cidade oriental de Mariupol nesta quinta. Turchinov abriu uma reunião do parlamento com o anúncio de que o prédio da prefeitura, até então ocupado por manifestantes, havia sido liberada. O ministro do Interior Arsen Avakov disse em sua página no Facebook que não houve vítimas na operação e que o ministério do Interior estava preparando as premissas para que funcionários voltasse ao trabalho.

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Segunda: Rússia acusa Ucrânia de violar acordo de Genebra

Mas a manifestante pró-russos Irina Voropayeva, que está em Mariupol, contradisse Avakov. O assalto à prefeitura não conseguiu desalojar os manifestantes, de acordo com ela. Alguns dos ocupantes ficaram feridos enquanto lutavam contra o grupo, a quem Irina descreveu como ucranianos de extremamente-direita.

O ministério do Interior acabou revisando sua versão dos fatos e publicou novo texto em seu site. No novo comunicado, ele afirmou que grupo de 30 pessoas armadas com bastões de beisebol entrou na prefeitura nesta quinta e exigiu que os ocupantes saíssem. Como os dois grupos entraram em confronto, a polícia tentou separá-los e cinco pessoas ficaram feridas.

Deterioração da diplomacia

Semana passada, Estados Unidos, Rússia, União Europeia e a Ucrânia elaboraram acordo para acabar com a violência no país, durante reunião em Genebra. Mas ao que tudo indica, o acordo foi aparentemente ignorado, fazendo crescer o abismo entre as partes envolvidas e levando a Rússia e o ocidente a se acusarem mutuamente de frustrarem o acordo.

Nesta quinta, os líderes norte-americano e russo trocaram novas farpas. De acordo com o chanceler da Rússia Sergey Lavrov, o governo interino em Kiev deve agir para desarmar ultranacionalistas de direita responsáveis ​​pela violência na Ucrânia.

"Não temos dúvidas de que o primeiro passo deve ser dado pelas autoridades de Kiev", disse Lavrov. Ele acusou o Ocidente de tratar líderes em Kiev como "anjos" que não fizeram nada de errado enquanto culpam a Rússia pela instabilidade no leste da Ucrânia. Ele ainda acusou a União Europeia e os Estados Unidos de apoiarem golpe inconstitucional na Ucrânia.

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Lavrov acusou ainda o Ocidente de abandonar o espírito de parceria que tinha desenvolvido com Moscou, de acordo com a agência de notícias RIA Novosti. O premiê afirmou também que o declínio começou muito antes da crise na Ucrânia, e era evidente que o Ocidente tentou "manchar os Jogos Olímpicos de Sochi."

Já a ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton censurou o presidente Vladimir Putin sobre a Ucrânia em discurso na Universidade de Connecticut, na quarta (23). Ela o acusou de "tentar colocar o relógio de volta à época da União Soviética."

"Eu acho que a Rússia vai pagar um preço alto por isso", afirmou ela.

*Com AP e CNN

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