Menina e menino sul-coreanos ataram coletes antes da morte na Coreia do Sul

Por iG São Paulo |

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Ambos devem ter tentado chegar juntos à superfície. Escola que organizou excursão reabre nesta quinta (24) com homenagens

Mais dois corpos, o de um menino e o de uma menina, foram encontrados nesta quinta-feira (24) após naufrágio da semana passada na Coreia do Sul. Eles usavam coletes salva-vidas atados entre si, provavelmente para não se distanciarem uma vez que chegassem à superfície.

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Reuters
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Ao resgatar os corpos, o mergulhador precisou separá-los, já que não conseguiria levá-los juntos até a superfície.

"Comecei a chorar ao pensar que eles não queriam se separar", disse o mergulhador ao jornal Kyunghyang Shinmun, na ilha de Jindo, perto do local onde a balsa superlotada adernou e afundou no último dia 16, após fazer uma curva brusca.

A voz trêmula dos pais do menino reclamou o corpo do filho pelas roupas, embora a identificação ainda não tenha sido oficializada, segundo a guarda costeira sul-coreana. Mais de 300 pessoas, a maioria alunos e professores de uma excursão de colégio, morreram ou estão desaparecidas após o naufrágio. Há 171 mortos já confirmados. 

Promotores anunciaram ações de busca na Associação Coreana da Navegação e no Registro Coreano da Navegação. Segundo a agência de notícias Yonhap, a intenção é averiguar se os certificados de segurança da balsa estavam em dia.

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"O objetivo era investigar más práticas e corrupção em toda a indústria naval", disse o promotor Song In-taek, na cidade de Incheon, de onde a balsa partiu com destino à turística ilha de Jindo.

Na escola onde estudavam os alunos mortos no naufrágio, as aulas foram retomadas nesta quinta, com uma homenagem com flores e fotos das vítimas, uniformizadas. Abatidos, outros alunos deixavam crisântemos brancos no local ao chegar para as aulas. Fitas amarelas com nomes e mensagens para os mortos foram amarradas na cerca do local.

Veja o desespero das famílias dos desaparecidos

Parente de uma das vítimas, segurando retrato envolto em lençol branco, chora após tributo em Ansan, Coreia do Sul (23/4). Foto: ReutersMergulhadores buscam sobreviventes de naufrágio de balsa na Coreia do Sul (22/4). Foto: BBCParente de passageiro que estava a bordo de balsa naufragada em Seul chora enquanto aguarda informações em porto de Jindo (19/4). Foto: APBoias são rebocadas por um barco da marinha sul-coreana para ser instalada na balsa afundada na Coreia do Sul (18/4). Foto: ReutersCriança é resgatada por policiais marítimos sul-coreanos ao sair do navio 'Sewol', que naufragou em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersCorpo de um dos passageiros da balsa que afundou na região costeira da Coreia do Sul é levado para hospital em Jindo (16/04). Foto: APAdolescentes resgatadas após naufrágio na Coreia do Sul choram em academia para onde foram levadas (16/04). Foto: ReutersMulher se emociona ao ver o nome do filho em lista de sobreviventes na academia para onde eles foram levados, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersUma mãe se emociona ao ver o filho entre os resgatados após naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersHomem é socorrido no porto após ser resgatado de balsa que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEquipes de resgate auxiliam sobrevivente de naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersParente espera por notícias sobre os desaparecidos sozinho, em uma área do porto em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APGrupo de familiares espera por notícias dos desaparecidos após naufrágio, em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APEquipes da guarda costeira resgatam as vítimas de um navio que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: APPassageiros resgatados após naufrágio de balsa na Coreia do Sul são escoltados por equipes de resgate em sua chegada ao porto de Jindo, em Seul (16/04). Foto: APParentes a espera de notícias acompanham as buscas por desaparecidos na Coreia do Sul (16/04). Foto: APFamiliares choram enquanto aguardam por notícias de passageiros desaparecidos após naufrágio, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APOficiais da guarda costeira sul-coreana tentam resgatar passageiros de naufrágio (16/04). Foto: APHelicópteros de resgate sobrevoam balsa de passageiros sul-coreanos que afundou com mais de 450 pessoas, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APBalsa com tripulantes acabou afundando na Coreia do Sul. Maior parte das pessoas a bordo eram estudantes (16/04). Foto: APOficiais marítimos (de preto) tentam resgatar passageiros (com coletes salva-vidas) a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol' (16/04). Foto: ReutersOficial marítimo (de preto) resgata passageiros a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol', que naufragou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEmbarcação estava cheia de estudantes e acabou naufragando na Coreia do Sul. Autoridades marítimas buscam por desaparecidos (16/04). Foto: ReutersBalsa sul-coreana 'Sewol' é vista afundando no mar ao longo de Jindo, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersFamiliares choram enquanto esperam por passageiros desaparecidos de uma balsa que naufragou, no porto Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APDurante as buscas noturnas, autoridades iluminaram região para fazer os primeiros resgates, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersBusca da polícia marítima por passageiros desaparecidos com sinalizadores, após naufrágio da embarcação 'Sewol', na Coreia do Sul (16/04). Foto: Reuters

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Investigações

O capitão da embarcação, Lee Joon-seok, e outros tripulantes foram presos sob suspeita de negligência, e a família proprietária da balsa está sob investigação. Mas o trabalho está chegando em uma nova fase, mais complicada, com um mergulhador dizendo que agora será necessário rasgar as paredes da cabine para retirar mais vítimas.

O que está por trás disso é uma questão sensível: quando os guindastes vão iniciar seus trabalhos e erguer o navio submerso. O governo já avisou que essa medida pode eliminar bolsões de ar que poderiam estar sustentando possíveis sobreviventes, mas, para alguns parentes, essa é uma esperança há muito perdida.

"Agora temos de lidar com isso de forma realista", disse Pyun Yong-gi, cuja filha de 17 anos está entre os desaparecidos. "Não queremos que os corpos se decomponham ainda mais, por isso queremos que sejam retirados o mais rapidamente possível", explicou Pyun na ilha de Jindo, onde os corpos são levados para identificação das famílias.

Essa opinião, porém, não é compartilhada por todos os parentes dos desaparecidos. Jang Jong-Ryul estava sensível sobre a simples menção da palavra "salvamento" e disse que a maioria das famílias não quer pensar nisso.

*Com Reuters e AP

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