Israel interrompe negociações de paz após acordo entre palestinos Hamas e Fatah

Por iG São Paulo |

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Governo israelense também ameaça impor sanções em reação à reconciliação dos grupos, em novo golpe à mediação dos EUA

O governo de Israel interrompeu as negociações de paz do Oriente Médio e ameaçou impor novas sanções contra os palestinos em resposta ao acordo de unidade entre as facções rivais palestinas, empurrando uma combalida iniciativa de paz dos EUA para a beira do colapso.

Ontem: Hamas e Fatah anunciam acordo de reconciliação e governo de unidade

AP
'Em vez de escolher a paz, Abu Mazen fez um pacto com uma organização terrorista assassina que pede a destruição de Israel', diz nota do premiê Netanyahu (foto de arquivo)

Nesta 5ª: EUA devem rever ajuda a palestinos em caso de governo com Hamas

O gabinete de segurança de Israel tomou a decisão durante uma maratona de reuniões de emergência convocadas para discutir o novo acordo palestino. As facções rivais Hamas e Fatah anunciaram na quarta o plano de reconciliação para pôr fim a uma divisão que já dura sete anos.

Israel se opõe a qualquer participação do Hamas na política palestina pelo fato de o grupo militante islâmico ter jurado a destruição de Israel. O grupo matou centenas de israelenses em ataques suicidas e outros atentados durante as duas últimas décadas.

Infográfico: Saiba os principais fatos do conflito entre Israel e palestinos

Historiador israelense: Palestinos rejeitam a solução de dois Estados

Em uma declaração emitida pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o governo disse que não manteria negociações com um governo que "se apoia no Hamas".

"Em vez de escolher a paz, Abu Mazen fez um pacto com uma organização terrorista assassina que pede a destruição de Israel", diz a nota, usando o apelido do presidente palestino, Mahmud Abbas. "A aliança entre Abu Mazen e o Hamas foi assinada enquanto Israel empreendia esforços para promover negociações com os palestinos. Ele que escolhe o terror do Hamas não quer a paz."

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A nota também diz que Israel responderá à recente decisão de Abbas de integrar 15 convenções internacionais "com uma série de medidas", linguagem que tipicamente se refere a sanções financeiras contra os palestinos.

Israel já suspendeu a transferência de dinheiro de impostos e alfandegários que coleta em nome dos palestinos no valor de cerca de US$ 100 milhões por mês. Esses fundos ajudam a manter o autogoverno de Abbas.

Reuters
Autoridade graduada do Fatah Azzam Al-Ahmed (2º E), chefe do governo do Hamas, Ismail Haniyeh (3º E), e líder graduado do Hamas Moussa Abu Marzouq (4º E) se dão as mãos (23/4)

Dia 3: Israel cancela libertação de último grupo de prisioneiros palestinos

Abbas conquistou garantias em recentes encontros da Liga Árabe de que os países árabes pagariam US$ 100 milhões à Autoridade Palestina se Israel congelasse as transferências mensais. Entretanto, alguns países doadores árabes não cumpriram no passado seus compromissos de auxílio.

A decisão desta quinta-feira foi o mais recente — e talvez o final — golpe ao combalido processo de paz liderado pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, nos últimos nove meses.

Dia 9: Premiê de Israel ordena redução de contatos com Autoridade Palestina

O período de negociação havia sido programado para expirar na próxima terça. Depois de nove meses de negociações infrutíferas, os lados vinham se encontrando em semanas recentes na esperança de estender as negociações.

Saeb Erekat, o principal negociador de paz palestino, disse que a reconciliação palestina é uma questão interna. "Israel não tem nenhum direito de interferir nessa questão", disse. Ele condenou quaisquer possíveis sanções israelenses como "pirataria", afirmando que os rendimentos fiscais são dinheiro palestino.

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