Rússia promete retaliar se seus interesses forem ameaçados na Ucrânia

Por iG São Paulo |

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Traçando paralelo com a Guerra da Geórgia, chanceler Lavrov afirma que Moscou pode reagir em defesa de seus cidadãos

A Rússia responderá com retaliações se seus interesses na Ucrânia forem ameaçados, afirmou o chanceler Serguei Lavrov durante entrevista à TV russa que deve ir ao ar nesta quarta-feira (23), traçando um paralelo com a Guerra da Geórgia, de 2008. 

Ontem: Rússia deve 'parar de falar e começar a agir', diz vice dos EUA na Ucrânia

AP
O chanceler russo Sergey Lavrov durante coletiva após a reunião de ministros das Relações Exteriores dos países do mar Cáspio, em Moscou, Rússia (22/04)


Crise: Ucrânia relança operação antiterrorista após morte de político sob tortura

"Se nossos interesses, nossos interesses legítimos, os interesses dos russos forem atacados diretamente, como foram na Ossétia do Sul, por exemplo, não vejo outra forma se não respondermos de acordo com a lei internacional", disse à emissora Rússia Today (RT), referindo-se ao território separatista da Geórgia para onde Moscou enviou suas tropas.

Em declarações ao RT, Lavrov também acusou os EUA de "comandar o show". "Não há razão para não acreditar que os norte-americanos estão comandando o show", disse Lavrov, referindo-se aos acontecimentos em Kiev.

Nas últimas semanas, militantes pró-russos ocuparam edifícios administrativos em pelo menos uma dúzia de cidades em Donetsk e Luhansk, na região leste ucraniana. Eles ocuparam prédios do governo regional em táticas semelhantes às usadas para assumir a região da Crimeia, anexada pela Rússia no início deste ano.

O governo da Ucrânia está tentando conter uma revolta armada no leste do país. Kiev e o Ocidente afirmam que Moscou inplantou atiradores na região, acusação negada pela Rússia. Os EUA e a União Europeia (UE) pediram a Moscou para estimular a retirada dos rebeldes pró-russos dos edifícios públicos nesta quarta.

A UE manifestou preocupação com a morte relatada de Volodymyr Rybak, um político local do partido Batkivshchyna, do presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, e pediu uma investigação.

Segunda: Rússia acusa Ucrânia de violar acordo de Genebra

"Pedimos a todas as partes envolvidas a aderir à declaração conjunta de Genebra sobre a Ucrânia para garantir que os seus termos sejam plenamente aplicados e, em particular, à Rússia a utilizar a sua influência para assegurar o fim imediato de sequestros e assassinatos no leste da Ucrânia", disse Michael Mann, porta-voz da chefe de política externa da UE, Catherine Ashton.

Sequestro 

Atiradores pró-russa no leste da Ucrânia admitiram nesta quarta que estão mantendo um jornalista norte-americano, desaparecido desde a última terça-feira (22), como refém. Simon Ostrovsky, correspondente da Vice News, realizava a cobertura da crise na Ucrânia e estava relatando os passos dos grupos de homens armados e mascarados que tomaram os prédios do governo em cidade oriental ucraniana.

Veja fotos da presença de militares russos e de separatistas pró-Rússia na Ucrânia: 

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Quinta: EUA, Rússia e União Europeia alcançam acordo sobre crise na Ucrânia

"Ele está com a gente. Ele está bem", afirmou Stella Khorosheva à Associated Press. Quando questionado sobre o motivo que levou Ostrovsky a ser mantido em cativeiro, Khorosheva disse que ele é "suspeito de atividades de ruins" e se recusou a explicar esses motivos. 

Os rebeldes pró-Rússia têm desafiado o acordo entre russos e ucranianos assinado na semana passada, pedindo para que os grupos depusessem suas armas e desocupassem os locais administrativos.

Em um comunicado, a rede de notícias afirmou estar "em contato com o Departamento de Estado dos EUA e de outras autoridades governamentais apropriadas para garantir a segurança de nosso amigo e colega Simon Ostrovsky".

Apesar de acordo: Insurgentes pró-Rússia mantêm ocupação no leste da Ucrânia

A Ucrânia vive sua maior crise política desde a queda da União Soviética. Protestos que duraram meses contra o governo de Viktor Yanukovych em Kiev levaram o ex-líder a fugir para a Rússia no final de fevereiro, após ele ter sido deposto do cargo.

Crise de gás

Rússia, Ucrânia, Eslováquia e a Comissão Europeia podem se reunir na quinta (24) em Bratislava para negociar uma possível solução para a crise de gás da Ucrânia, de acordo com o ministro da Energia ucraniano, Yuri Prodan.

"Há uma proposta do lado russo e da UE para se realizar uma rodada de conversas de quatro lados", explicou Prodan. "Uma reunião em Bratislava dos quatro ministros está sendo considerada. Mas até agora não há confirmação da Comissão Europeia."

A estatal russa Gazprom afirmou que Kiev deve a ela US$ 2,2 bilhões por gás já fornecido e está considerando requerer pagamentos adiantados para novos fornecimentos, aumentando o risco de a Rússia cortar o envio de gás.

O presidente russo, Vladimir Putin, fez um apelo aos líderes europeus para se juntarem na discussão sobre o fornecimento de gás russo via Ucrânia à Europa, onde a Rússia tem quase um terço da demanda por seu gás.

*Com BBC, AP e Reuters

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