Material não identificado está sendo analisado por autoridades; próxima etapa das buscas deve ser anunciada semana que vem

Material não identificado que apareceu no litoral australiano está sendo investigado por sua eventual ligação com o avião da Malásia, desaparecido há mais de sete semanas com 239 pessoas a bordo, informaram autoridades da Austrália nesta quarta-feira (23).

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Veículo submarino autônomo é implantado no Índico para auxiliar nas buscas por destroços do avião da Malaysia Airlines (14/04)
AP
Veículo submarino autônomo é implantado no Índico para auxiliar nas buscas por destroços do avião da Malaysia Airlines (14/04)


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A polícia australiana recolheu o material, encontrado 10 quilômetros a leste da cidade de Augusta, na ponta sul do Estado da Austrália Ocidental, de acordo com o Centro de Coordenação Conjunta das Agências, órgão australiano que comanda as buscas.

O conteúdo, cuja descrição ainda não foi divulgada, é o primeiro relato de possíveis destroços do Boeing em semanas e a primeira pista desde 4 de abril, quando autoridades detectaram no mar o que acreditavam ser sinais da caixa-preta do avião da Malaysia Airlines.

Enquanto isso, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, informou nesta quarta que o fracasso nas buscas por possíveis destroços do jato não significa o fim da procura pelo voo malaio. Autoridades planejam em breve trazer o mais poderoso equipamento de sonar da atualidade para aprofundar as buscas sob o Oceano Índico.

"Se no final desse período nada for encontrado, não vamos abandonar as buscas, vamos talvez repensá-la. Não vamos descansar até que tenhamos feito tudo o que pudermos para resolver este mistério", Abbott afirmou aos jornalistas.

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"Devemos isso às famílias das 239 pessoas a bordo, devemos isso a centenas de milhões - na verdade bilhões - de pessoas que viajam por via aérea. A única maneira de chegar ao fundo deste caso é manter as buscas na zona do provável impacto até encontrarmos algo ou até que tenhamos procurado ele tão completamente quanto o engenho humano permite neste momento ", disse ele.

De acordo com o centro de coordenação de buscas, um submarino robótico Bluefin da Marinha os EUA havia digitalizado mais de 80% dos 310 quilômetros quadrados do fundo do mar na zona de buscas na costa oeste da Austrália. Mas até o momento, nada sobre o Boeing havia sido detectado.

A área de buscas é circular, tem 4,5 quilômetros e 20 quilômetros de largura, e fica em torno da região onde equipamento sonar captou um sinal sonoro no último dia 8 que poderia ser das caixas-pretas do avião. Mas as baterias que alimentam esses possíveis sinais já acabaram.

Segundo o ministro da Defesa David Johnston, a Austrália está consultando a Malásia, China e os Estados Unidos para a próxima fase das buscas pelo avião, desaparecido desde o último dia 8 de março. Detalhes sobre a próxima etapa serão anunciados na próxima semana.

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Johnston explicou que o poderoso equipamento sonar de varredura provavelmente será implantado. Eles são semelhantes aos submarinos de controle remoto que encontraram o Titanic a 3.800 metros sob o Oceano Atlântico em 1985 e o australiano HMAS Sydney, que afundou durante a Segunda Guerra Mundial no Índico ao largo da costa da Austrália, ao norte da área de pesquisa atual, em 2008.

"Acredito que na próxima fase entramos com equipamentos mais potentes, capazes de fazer buscas em águas mais profundas", Johnston disse à Associated Press.

Buscas

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Mais de duas dezenas de países estão envolvidos na procura pelo Boeing 777, que sumiu dos radares pouco depois de decolar para um voo de Kuala Lumpur para Pequim, no que as autoridades creem ter sido um ato deliberado.

A Malásia pediu a petroleiras e outras empresas comerciais que forneçam meios de auxílio às buscas depois de ter afirmado anteriormente que mais AUVs podem ser usados.

Após quase duas semanas sem captar nenhum sinal acústico, e muito depois dos trinta dias de expectativa de vida da bateria da caixa-preta, as autoridades apostam cada vez mais no Bluefin-21, veículo não tripulado de US$ 4 milhões da Marinha dos EUA.

Como as buscas visuais na superfície do oceano não forneceram provas concretas, o drone, com sua capacidade de mergulhar em grande profundidade com seu sonar "escâner lateral", se tornou a peça central da busca nos dois mil quilômetros a oeste da cidade australiana de Perth.

*Com Reuters e AP

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