O presidente afirmou reconhecer a ascensão chinesa, mas disse que a relação com Pequim não se estreitará às custas de aliados

Reuters

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que seu país saúda a ascensão chinesa, mas que a relação com Pequim não se estreitará às custas dos aliados asiáticos de Washington. Coincidindo com a chegada de Obama à Ásia, a imprensa estatal chinesa acusou os EUA de agirem de forma "míope" e tentarem "engaiolar" a potência asiática.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, centro, com a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, esq., e o premiê japonês Shinzo Abe, dir., em reunião na Holanda (março/2014)
AP
O presidente dos EUA, Barack Obama, centro, com a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, esq., e o premiê japonês Shinzo Abe, dir., em reunião na Holanda (março/2014)


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Obama chegou nesta quarta (23) a Tóquio, primeira escala de uma viagem de uma semana por quatro países, num momento de crescente tensão na região, quando Washington pede à Coreia do Norte que evite novos testes nucleares.

Esta é a primeira visita de Estado plena de um presidente norte-americano ao Japão desde 1996. Obama pretende tranquilizar Tóquio e outros aliados sobre o compromisso dos EUA com a defesa comum diante de uma China cada vez mais assertiva. 

O presidente dos EUA e o premiê japonês, Shinzo Abe, estão ávidos por mostrarem progressos na negociação de um acordo comercial bilateral que é visto como peça importante para um tratado regional mais amplo, crucial para o "giro" militar, diplomático e comercial do governo Obama na direção da Ásia.

Observando que Pequim e Washington podem trabalhar juntos em questões como o programa nuclear norte-coreano, Obama disse ao jornal japonês Yomiuri, em declarações por escrito: "Em outras palavras, saudamos a continuidade da ascensão de uma China que seja estável, próspera, pacífica e desempenhe um papel responsável nos assuntos globais."

Ele acrescentou: "E nosso engajamento com a China não vem e não virá à custa do Japão ou de qualquer outro aliado". Essas garantias devem ser reiteradas na cúpula Obama-Abe na quinta-feira (24).

Em suas declarações ao Yomiuri, Obama também afirmou que as pequenas ilhas desabitadas disputadas entre Japão e China no mar da China Oriental estão abrangidas por um tratado bilateral de segurança que obriga os EUA a saírem em defesa do Japão.

"A política dos EUA é clara - as ilhas Senkaku (chamadas de Diaoyu pela China) são administradas pelo Japão, e portanto recaem no escopo do Tratado EUA-Japão de Cooperação e Segurança Mútua", afirmou Obama.

Em artigo publicado na quarta, a agência de notícias chinesa Xinhua disse que os EUA promovem na região "um esquema cuidadosamente calculado para engaiolar o gigante asiático de rápido desenvolvimento".

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"Os Estados Unidos deveriam reavaliar o seu anacrônico sistema de aliança hegemônica e parar de mimar amigos como o Japão e as Filipinas, que vêm acendendo as tensões regionais com medidas provocativas."

Um porta-voz da chancelaria chinesa rejeitou na quarta-feira a tese de que o tratado de segurança nipo-americano abranja as ilhas disputadas. Segundo Qin Gang, "trata-se de um arranjo bilateral da Guerra Fria, e não deveria afetar a soberania territorial e os direitos razoáveis da China", afirmou.

Coreia do Norte

De acordo com uma respeitada entidade de pesquisas, a Coreia do Norte dificilmente terá condições de realizar um teste nuclear enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estiver na Ásia, afirmou com base em avaliações de imagens de satélite.

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A chancelaria sul-coreana havia alertado que a Coreia do Norte pode estar preparando seu quarto teste de arma nuclear a partir da base de Punggye-ri. Mas as imagens analisadas pela instituição 38North, que é parte da Universidade Johns Hopkins, dos EUA, mostram que, embora haja atividade reforçada no local, existem poucos sinais de que um lançamento seja iminente.

"As recentes operações em Punggye-ri não atingiram o nível de intensidade - em termos de movimentação de veículos, pessoal e equipamentos- que ocorreu em semanas prévias a detonações anteriores", anunciou a entidade. "Outros possíveis indicadores presentes antes dos testes nucleares norte-coreanos em 2009 e 2013, como vans de comunicações e uma antena parabólica destinada a transmitir dados pré-teste, não foram localizados."

Na base, a atividade é sazonal e costuma se intensificar na primavera coreana. Imagens de satélite anteriores indicavam que a Coreia do Norte estava escavando vários túneis, o que sugeria planos para mais de uma detonação nuclear. A 38North admite que as imagens usadas, de satélites comerciais, podem apresentar um quadro incompleto do que acontece no misterioso país comunista.

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