Obama chega nesta semana à Ásia, em visita vista como contrapeso à China

Por iG São Paulo |

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Presidente americano desembarca na quarta-feira no Japão para depois também visitar Coreia do Sul, Malásia e as Filipinas

A viagem do presidente dos EUA, Barack Obama, à Ásia nesta semana tem o objetivo de reassegurar os parceiros sobre os renovados compromissos americanos em relação à região, com a atenção voltada para a ascendente assertividade da China e os mercados em rápido desenvolvimento que são o centro da gravidade para o crescimento global.

A questão: Isso será o suficiente?

Segunda: Premiê do Japão envia oferenda a santuário e irrita China e Coreia do Sul

AP
Funcionários de saúde seguram placas durante protesto em frente da Embaixada dos EUA em Manila, Filipinas, contra visita de Obama ao país

Dezembro: Seul expande zona de defesa aérea e a sobrepõe parcialmente à da China

Quase sete meses depois de ele ter cancelado um giro asiático por causa da paralisação do governo, o fracasso de Obama em evitar que a Rússia anexasse a Crimeia aumentou as preocupações de que aos EUA faltam a vontade ou os meios para prosseguir com sua muito falada articulação em direção à região da Ásia-Pacífico.

"As palavras vêm fácil", disse o analista político das Filipinas Ramon Casiple. "Mas os aliados dos EUA querem saber que ajuda podem ter quando as coisas alcançarem um ponto sem saída."

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Os EUA têm aumentado o reforço militar regional, mas obtiveram menos progresso no reequilíbrio por meio de iniciativas diplomáticas e econômicas mais amplas, como a Parceria Trans-Pacífica (TPP, na sigla em inglês), um acordo de livre comércio.

Obama chega a Tóquio na quarta-feira para a primeira visita de Estado de um presidente dos EUA ao aliado mais próximo americano na Ásia desde que Bill e Hillary Clinton viajaram ao país, em 1996. Ele será o primeiro presidente americano no cargo a visitar a Malásia desde Lyndon Johnson, em 1966. Os aliados Coreia do Sul e Filipinas, as duas outras paradas de sua agenda, também estão ansioso para melhorar os laços de segurança.

Os aliados americanos avaliam se os EUA têm uma capacidade adequada para apoiá-los em disputas territorias com a China, disse Caspile says, considerando-se os problemas orçamentários de Washington e sua preocupação com crises em outros lugares do mundo.

"O objetivo dos EUA é reassegurar os países de que estão aqui e manterão um forte interesse em lidar com a China juntamente com eles", disse Koichi Nakano, um professor de ciência política na Universidade Sofia de Tóquio.

Um relatório divulgado na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA pediu que mais esforço e dinheiro fossem usados para melhorar as alianças na região Ásia-Pacífico. "Um reequilíbrio bem-sucedido deve destacar a mensagem estratégica de que essa política representa um compromisso duradouro dos EUA na região, garantindo aos nossos parceiros que estamos nisso no longo prazo", afirmou o documento.

Lutando para acalmar as preocupações do Japão sobre sua disputa territorial com a China e os lançamentos de mísseis da Coreia do Norte, durante um recente tour na Ásia o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, prometeu mais dois destróieres de defesa de mísseis para o Japão até 2017. Em uma outra mostra de solidariedade, Hagel recriminou Pequim por escalar sua disputa territorial com Tóquio sobre ilhas sob controle japonês no Mar do Leste da China que o Japão chama de ilhas Senkaku e a China de ilhas Diaoyu.

Os EUA são obrigados a proteger o Japão de um ataque, mas buscou evitar tomar uma posição sobre a soberania em relação às ilhas. O Japão espera mais no quesito de construção de confiança, disse Hitoshi Tanaka, presidente do Instituto para Estratégia Internacional em Tóquio.

"Gostaríamos de ver o presidente fazer uma declaração forte e clara sobre Senkaku", afirmou. "Há uma necessidade para o Japão e os EUA de trabalhar para melhorar a situação de segurança no leste da Ásia."

A estada de duas noites de Obama em Tóquio — apenas o suficiente para a visita de Estado que os japoneses vinham pressionando para ter — em si mesma envia uma boa mensagem, disse Matake Kamiya, professor na Academia de Defesa Nacional em Yokosuka, perto de Tóquio.

"É importante não apenas para a psicologia dos japoneses, mas também para a impressão dada aos chineses e norte-coreanos", afirmou.

Os EUA têm 50 mil soldados no Japão e cerca de 28,5 mil posicionados na Coreia do Sul, onde acabou de concluir exercícios conjuntos com o país. Mas Tóquio e Seul continuam em desacordo sobre uma disputa territorial separada, e há um prolongado ressentimento coreano em relação à agressão japonesa antes e durante a Segunda Guerra (1939-1945).

Dezembro: Premiê japonês visita santuário de guerra; China e Coreia do Sul reagem

Uma visita em dezembro do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ao Santuário de Yasukuni, em Tóquio, que consagra 14 criminosos condenados de guerra entre os 2,5 milhões de mortos do conflito, incomodou os EUA e enraiveceu a Coreia do Sul e a China.

Ao menos dois membros do gabinete de Abe e dezenas de outros parlamentares prestaram tributos ao santuário dias antes da chegada de Obama em visitas que a Coreia do Sul descreveu como "deploráveis".

Os EUA já têm um acordo de livre comércio com a Coreia do Sul, que provavelmente entrará em algum dado momento na Parceria Trans-Pacífica. Mas os EUA e o Japão esperavam anunciar "progresso substancial" no pacto até a visita de Obama apesar de divergências em relação às tarifas sobre produtos agrícolas e automóveis. Oficiais indicaram nesta terça que um grande avanço é improvável.

*Com AP

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