Se comprovados, ataques demonstram brecha na luta contra a guerra química síria e aumentam a proporção desse problema

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Os ataques com gás clorino na Síria no mês passado, se comprovados, expõem uma grande brecha no acordo internacional para a remoção de armas químicas do país em conflito e dá a entender que a guerra química pode persistir até depois do fim da operação.

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Refugiado sírio aponta para sua casa improvisada na vila Tfail, no Vale de Bekaa, depois de fugir da violência na Síria
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Refugiado sírio aponta para sua casa improvisada na vila Tfail, no Vale de Bekaa, depois de fugir da violência na Síria


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O presidente sírio, Bashar al-Assad, concordou com os Estados Unidos e a Rússia e entregou suas armas químicas - um arsenal que Damasco não reconhecia formalmente - depois que centenas de pessoas foram mortas em um ataque de gás sarin nas cercanias da capital em agosto.

Washington e seus aliados ocidentais disseram que foram as forças de Assad que desencadearam o agente químico, no pior ataque do gênero em 25 anos. O governo culpou os rebeldes na guerra civil síria, que já está em seu terceiro ano.

A Síria prometeu entregar ou destruir seu arsenal inteiro até o fim desta semana, mas ainda tem cerca de 14 por cento dos agentes químicos que declarou à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

Além disso, uma quantidade de gás clorino que jamais foi incluída na lista entregue à Opaq está agora supostamente sendo usada no campo de batalha, levando alguns países a cogitar um pedido de investigação, possivelmente por meio da Organização das Nações Unidas.

Neste mês, ataques em várias áreas do país compartilham características que levaram analistas a acreditar que há uma campanha coordenada de uso do clorino, com provas crescentes de que é o governo quem lança as bombas.

A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jen Psaki, afirmou nesta terça-feira que se o governo sírio usou o clorino na tentativa de matar ou ferir, essa ação violaria a Convenção de Armas Químicas que o país aderiu como parte do acordo de setembro para se livrar de seu arsenal químico.

"O uso de qualquer produto químico tóxico na tentativa de causar morte ou ferimentos é uma clara violação à convenção", disse a porta-voz.

No vilarejo de Kfar Zeita, atualmente em poder dos rebeldes, 200 quilômetros ao norte de Damasco, ativistas da oposição publicaram vídeos na Internet de pessoas sufocando e recebendo oxigênio depois de que, segundo disseram, bombas foram lançadas de helicópteros em 11 e 12 de abril.

A Reuters não pôde verificar a autenticidade dos vídeos, e os ativistas sempre fazem afirmações semelhantes, mas outras imagens de artefatos deram uma indicação do que ocorreu. Um dos artefatos só tinha explodido parcialmente, e a marca CL2 estava escrita em sua lateral. CL2 é o símbolo do gás clorino. Também se via a palavra "Norinco" - o maior fabricante chinês de armas.

Artefatos vistos em três áreas separadas estavam pintados de amarelo - de acordo com os padrões internacionais de código industrial de cores de gás indicando o clorino. Desde 11 de abril tem havido ataques repetidos em Kfar Zeita e também na cidade de Al-Tamana'a, na sexta-feira, com as mesmas características.

Se inalado, o gás clorino - um agente mortal amplamente usado na Primeira Guerra Mundial - se torna ácido clorídrico nos pulmões, que pode levar à combustão interna e afogamento pela liberação de água nos pulmões.

O chefe da empresa britânica de consultoria química, biológica, radiológica e nuclear Secure Bio, Hamish de Bretton-Gordon, disse que "as provas (de que o gás clorino foi usado) são bastante convincentes".

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